Fev 2012
Da redação - São Paulo / SP
Ataques no Brasil chegam a serviços de nota fiscal eletrônica
Depois dos bancos, ciberativistas derrubaram nesta semana redes das Secretarias de Fazenda do estado de São Paulo e da Bahia
por Edileuza Soares*
Um novo tipo de ameaça começa a desafiar a segurança das redes corporativas e a exigir respostas rápidas da TI. São as realizadas em massa por grupos de ciberativistas em movimentos de protestos que têm mais objetivos políticos e ideológicos que financeiros. Eles atacaram recentemente sites de bancos brasileiros e nesta semana derrubaram serviços do governo que processam a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Ficaram foram do ar webservices de pelo menos duas Secretarias de Fazenda. Reportaram que ficaram foram do ar os estados de São Paulo e Bahia, que infomam que não houve perda de dados.
Os dois órgãos ficaram com servidores indisponíveis e as empresas que emitem a NF-e foram direcionadas para a rota alternativa, que é o Sistema de Contingência Nacional (Scan), gerenciado pela Receita Federal. O ataque aconteceu na tarde de terça-feira (07/02) com a técnica de DDoS, chamada de Negação de Serviço Distribuída, que adota redes bots para sobrecarregar os sites, que não conseguem dar conta da demanda e acabam saindo do ar. O problema se estendeu pela quarta-feira e regularizado no final do dia.
Roberto Dias Duarte, professor da Escola de Negócios Contábeis, e especialista no sistema brasileiro da NF-e, explica que, em caso de falha ou manutenção dos servidores das Sefaz, as empresas são avisadas para que possam transferir o processamento para o Scan. Segundo ele, o processamento não chega a ser interrompido e há a opção de as companhias fazerem a impressão no papel em situações de emergência.
Titus Theiss, responsável pela TI da indústria alemã Heller, contribuinte de SP informa que por volta das 19 horas de terça-feira, o servidor do sistema empresarial (ERP), que fica na matriz, não conseguiu mais comunicação nem com o Scan, pois foi bloqueado.
Havia um comunicado da Sefaz-SP no site informando para que as empresas que estivessem sem comunicação cadastrar o endereço do IP. “Devido ao fuso horário, eu consegui o nosso endereço IP de saída só na manhã no dia seguinte”, conta. A Heller solicitou a liberação às 7h15 da quarta-feira e obteve a autorização duas horas mais tarde.
Outras multinacionais que, têm filiais no estado de São Paulo e processam os ERPs no exterior, tiveram o link internacional bloqueado, como foi o caso da fabricante de equipamentos para construção britânica JCB Brasil, a indústria alemã ZF e a norte-americana Grace. Todas precisaram informar o endereço IP de seus servidores, o que segundo os executivos de TI, não foi tarefa simples por ter sido necessário acionar as matrizes e driblar as janelas do fuso horário. Fabio Kruse, gerente de TI da JCB diz que a situação mobilizou o departamento para descobrir se bloqueio ao servidor do ERP era alguma falha interna, já que a Sefaz-SP não fez comunicado. Depois de algum tempo é que o órgão publicou aviso no site, exigindo cadastro dos contribuintes para desbloqueio da conexão.
Confirmação do acidente
Na Bahia, a equipe de TI da Sefaz local estava reunida ontem à tarde analisando a retirada do ar de seus servidores da NF-e por dois dias. O órgão confirmou por meio de sua assessoria de imprensa que foi atacada por grupos ativistas e está investigando o caso.
Desde terça-feira mensagens nos Twitters davam conta de que o governo do estado baiano teve mais de 80% de seus sites retirados do ar e não apenas os servidores que processam a NF-e.
No Estado de São Paulo, a Sefaz justificou que registrou um alto volume de acessos ao seu site na última terça-feira, o que acarretou uma indisponibilidade momentânea aos seus serviços. “Os dispositivos de segurança da Diretoria de Tecnologia da Informação da Fazenda atuaram na identificação e na origem desses acessos, bloqueando as tentativas suspeitas”, informou o órgão por meio de comunicado oficial.
Segundo a Sefaz-SP, “este tipo de ataque em nenhum momento afetou a integridade dos dados da Secretaria da Fazenda. Uma análise mais detalhada sobre o caso está em andamento e os dados coletados serão encaminhados para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado DEIC”, explicou o fisco paulista.
Hoje o Brasil conta com mais 750 mil empresas que emitem a NF-e de diversos segmentos industriais. Não se sabe quantos desses são contribuintes da BA e SP. Nenhuma das duas secretarias divulgou impactos na atividade empresarial com a queda de seus webservices. Segundo Roberto Duarte, dificilmente as companhias ficariam sem faturar por causa de indisponibilidade de sistemas, uma vez que há o Scan.
Reforço das políticas
Fernando Neri, sócio-fundador da Módulo, empresa brasileira especializada em soluções de gestão de riscos e compliance (GRC), avalia que o ataque em massa por grupos ativistas vem para desafiar a infraestrutura das organizações. Ele observa que essa nova modalidade vai exigir respostas rápidas para reduzir o impacto nos negócios.
O executivo compara que o incidente dos serviços da NF-e é um pouco diferente da dos bancos, que sofreram ataques por meio de browser e têm mais dificuldade para filtrar endereços IP de ativistas virtuais. No caso dos webservices dos órgãos de governo, segundo ele, é mais fácil fazer o monitoramento em razão de o fisco poder bloquear a passagem de todos servidores e liberar somente os autorizados.
Foi por esse motivo que a Sefaz-SP suspendeu as conexões internacionais e passou a exigir os endereços IP para comunicação com seus sistemas. Não se sabe se o órgão foi atacado por grupos de fora do Brasil, já que adotou a regra de controlar todas as conexões externas aos seus webservices.
Porém, em ambos os casos, Neri avalia que há prejuizos intangíveis, seja de imagem e reputação das organizações. Sua recomendação para que as companhias privadas e públicas estejam menos expostas a esse tipo de ameaça é que reforcem não apenas os mecanismos de segurança, mas que tenham planos de incidentes detalhados para gerenciar crises.
Ele aconselha também que sejam feitas análises das graduações dos riscos aceitáveis de segurança e todo o negócio. “É importante ter esse tipo de estratégia para saber como dar respostas melhores aos clientes e ao mercado”, aconselha Neri.
O gerente de Engenharia de Sistemas da MacAfee do Brasil, Roberto Antunes, adverte que o Brasil se tornou centro das atenções no mundo e chama a atenção também de crackers e hackerativistas. Esses ativistas, segundo ele, estão medindo forças com as grandes empresas e os governos. Ele sugere que fornecedores de segurança e os setores privado e público criem ações conjuntas para gerar um ambiente mais seguro para uso da internet. *(Especial Computerworld)
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Fev 2012
São Francisco e Nova Iorque / EUA
Facebook vai desbancar sites corporativos tradicionais?
O melhor caminho é integrar os dois modelos para ampliar a presença online da empresa
por Vangie Beal
Todos sabemos que o Facebook é enorme. Tem mais de 845 milhões de usuários ativos ao mês. Metade deles entrando diariamente na rede social. Não à toa, a atividade social está-se infiltrando em muitas facetas dos negócios hoje, a ponto de fomentar a discussão sobre a possibilidade de as páginas dinâmicas do Facebook já terem poder de impactar (ou até mesmo substituir) os tradicionais sites de negócios. As empresas têm recorrido ao Facebook para a realização de campanhas de marketing online, mas é uma boa ideia deixar os sites pontocom tradicionais para trás?
Em grandes empresas, pode ser uma pergunta fácil de responder. A maioria dos sites de grandes empresas é um bicho complexo, em que é crucial a integração entre bancos de dados e sistemas de back-end [muitas vezes proprietários e legados]. Aqui, a troca pura e simplesmente pelo Facebook não funcionaria.
Onde o Facebook pode potencialmente funcionar como uma presença stand-alone na Web é nas pequenas empresas. A Muscle K9, por exemplo, usa a popular app TabJuice para oferecer aos visitantes do Facebook a opção "Compre agora" de sua página na rede social.
Estudo sobre a relação das pequenas empresas e os meios de comunicação social realizado recentemente pela Network Solutions mostrou que as pequenas empresas que usam as mídias sociais estão bastante otimistas com o pay-off da atividade social. O "State of Small Business Report" revela que para 63% das 500 empresas ouvidas o investimento nas redes sociais ajudou a tornar seus clientes mais leais, e 25% estimam que esse investimento tem dado lucro, enquanto apenas 15% acreditam terem perdido dinheiro.
As mídias sociais mais usadas por essas empreas são o Facebook (27%) e o LinkedIn (18%). E o estudo mostra que o crescimento da mídia social ainda não impactou o total de investimentos no website dessas 500 companhias, e está realmente contribuindo para a sua expansão; 62% sentem que o uso desse meio tenha tido qualquer impacto sobre seus investimentos em web, enquanto 27% acreditam que vá resultar em maior gasto. Mas 9% das 500 pequenas empresas ouvidas planejam eliminar seu site tradicional devido os bons resultados obtidos nas redes sociais. Não chega a ser um número impressionante, mas quando você considera que os Estados Unidos é o lar de mais de 27 milhões de pequenas empresas, é evidente que alguns veem valor em usar o Facebook como uma presença web primária.
Por que o Facebook é uma alternativa aos sites tradicionais?
Como a maioria dos serviços gratuitos online [como o Gmail ou WordPress], o Facebook é atraente para os proprietários de pequenas empresas porque é rápido, fácil e gratuito. Codificações e habilidades HTML não são necessárias. É possível criar uma página decente no Facebook para o seu negócio em minutos, sem a necessidade de recorrer à equipe de TI ou ao suporte técnico para fazê-lo.
De acordo com o Facebook, não há nenhum ramo típico entre os pequenos negócios que use mais ou menos a rede social. Em um e-mail enviado à CIO.com, um porta-voz do Facebook afirma que a rede viu todos os tipos de pequenas empresas usarem o Facebook, tais como restaurantes, cafés, lojas, varejistas online de cosméticos, equipamentos esportivos e lojas de música".
Portanto, para algumas dessas pequenas empresas, usar o Facebook em vez de construir um site faz todo o sentido: é uma maneira fácil tornar o seu número de telefone e endereço disponíveis para os usuários da Internet e chegar aos clientes. Ser livre, é especialmente atraente para empresas com pouca verba que precisam de uma presença online.
Por que o Facebook não pode substituir a maioria dos sites corporativos?
Diane Buzzeo, CEO e fundador da Ability Commerce, provedora de software de comércio eletrônico, diz que acha que o Facebook e sites como o seu continuarão a se fundir, mas ela não acredita que a mídia social chegue um dia a desbancar por completo os sites de comércio eletrônico e os motores de busca.
Agora, o ecommerce no Facebook (ou F-commerce, se você gosta de buzzwords) é uma oferta ainda limitada, que não fornece uma experiência de comércio eletrônico completa para o cliente. Na melhor das hipóteses, F-commerce pode apresentar novos produtos ou ser um novo canal de vendas atrelado à sua loja online, com ofertas limitadas, oferecidas por grandes marcas. É o que vem fazendo, no Brasil, o Magazine Luiza (veja o vídeo). A iniciativa Magazine Você permite aos usuários do Facebook e do Orkut criarem a própria loja na rede social e ganharem comissões de 2,5% ou 4,5% por cada venda. Toda a operação fica por conta do site de e-commerce do Magazine Luiza, que garante a segurança dos dados de pagamento, e o sigilo das informações, além de toda a logística de entrega.
"Eu acho que as mídias sociais são incrivelmente valiosas e têm enorme potencial para a obtenção de informações, mas você ainda precisa levar as pessoas para a loja online para fazer o pedido", disse ela.
Na opinião de Buzzeo, a tendência, por enquanto, é uma integração cada vez maior do Facebook com o carrinho de compras site de e-commerce tradicional. Se um cliente olha para um produto na sua página do Facebook e clica nele, o item deve ser adicionado ao seu carrinho no site de comércio eletrônico, quando o cliente estiver conectado.
Outra questão a considerar é que o Facebook é um "intermediário" e você não opina sobre a plataforma, como ela muda e sua política de privacidade, como você faria no seu próprio site. Uma preocupação para qualquer negócio é a perda potencial do seu perfil de negócios (e todos os seus conteúdos e contatos do cliente). Isso pode acontecer se você descumprir os termos de serviço.
O ecossistema Facebook é novo e a plataforma está em constante mutação. Na opinião de Peter Kim, diretor de estratégia de SaaS do Dachis Group, a relação com a rede social é muito parecida com a relação com as empresas de leasing. "Sua página é hospedada pelo Facebook e você tem de jogar pelas regras dele. Algumas mudanças são lançadas sem preocupação com o que você tem ou deixa de ter", disse ele. "Se você tem um pequeno negócio, é fácil construir uma página na rede social e difícil mantê-la ao longo do tempo, não só a partir de uma gestão comunitária, mas de uma perspectiva tecnológica também."
Não escolha um. Integre
Portanto, os especialistas não veem como uma grande vantagem a substituição de um site do negócio por páginas no Facebook, ao menos nos próximos cinco anos. A grande mudança está na integração dos dois modelos.
Até o Facebook concorda. De acordo com a gigante de redes sociais, potencialmente, páginas dinâmicas do Facebook poderiam substituir sites estáticos para as pequenas empresas, mas o Facebook diz que a maioria das empresas usa a plataforma de redes sociais em conjunto com o seu próprio site, para maior liberdade e exposição da marca, serviços e produtos.
Usar o Facebook como parte de uma presença integrada é sim uma boa ideia. (Fonte: da CIO/ EUA)
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Jan 2012
Da redação - São Paulo / SP
TIC do Brasil deverá crescer acima de 10% em 2012
IDC e Gartner estimam ainda que aquecimento do mercado interno reduzirá impactos da crise mundial
por Edileuza Soares
Mesmo com a crise mundial e a desaceleração da economia nos Estados Unidos, o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) continuará vivenciando crescimento em 2012. Analistas preveem que o segmento no País registrará taxa de aumento acima de dois dígitos, com projeções entre 10% e 13%. Esse índice está bem acima da taxa de incremento estimada para o Brasil em 2012. Projeções de economistas e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) são de que o Produto Interno Bruto do País para o próximo ano ficará em torno de 3%. Já o PIB industrial está previsto em 2,3%.
Pelas análises do instituto de pesquisas Gartner, mercados emergentes de TI como 0 Brasil crescerão em 2012 acima da média global, estimada em 4,6%. O setor de TI no País registrará elevação de mais que o dobro, podendo alcançar taxas acima de 10% no próximo ano. Os investimentos na área para 2012 estão previstos em 143,8 bilhões de dólares.
Até 2015, a consultoria projeta que o mercado brasileiro de TI experimentará taxa de crescimento anual de 9,9%. As companhias da América Latina vão investir 384 bilhões de dólares em TI até 2015, segundo o Gartner. O Brasil responderá por mais de 40% dos negócios. Entre as tecnologias que vão levar a maior parte dos orçamentos dos CIOs em 2012 estão soluções para cloud computing, mobilidade, redes sociais e gerenciamento de Big Data. Na avaliação de Peter Sondergaard, vice-presidente mundial do Gartner, o Brasil não deverá ser tão afetado pela crise financeira mundial. Ele destaca que o País tem consumo interno aquecido e mercado diversificado de exportação.
Sondergaard lembra da crise de 2008, quando o Brasil conseguiu se sair bem. Ele observa que as organizações brasileiras abraçaram a recessão global como uma oportunidade e buscaram a tecnologia como um fator decisivo, o que ajudou o País a se recuperar rapidamente na demanda e crescimento de TI. “Os CIOs brasileiros têm a oportunidade de se tornarem líderes mundiais na adoção de TI”, avalia.
Assim como o Gartner, a consultoria IDC acredita que as perspectivas são boas para o mercado brasileiro de TI em 2012. Os números e as metodologias de ambas são diferentes, mas as taxas de crescimento previstas estão nos mesmos patamares.
Pelas análises da IDC, o setor de TI deverá movimentar 81,1 bilhões de reais em 2012, com crescimento projetado de 11,6% sobre os 72,6 bilhões de reais estimados para 2011, uma vez que o balanço ainda não está fechado.
Anderson Figueiredo, gerente de Pesquisas da IDC Brasil, acredita que a divisão da pizza dos investimentos em 2012 não deverá sofrer muita variação em comparação com 2011. De acordo com a consultoria, em 2011, os negócios com hardware deverão representar a maior parcela dos gastos, respondendo por 54,5% da receita total do setor.
Software contribuirá com 13,5% e os 33 restantes serão gastos com serviços, área que vem crescendo nas companhias que estão recorrendo mais ao modelo de outsourcing.
O setor financeiro deverá manter-se à frente dos investimentos de TI no Brasil em 2012. Mas o analista da IDC aponta outros segmentos da economia que vão aumentar as compras. Um deles é o de telecomunicações, que enfrenta a concorrência acirrada e vai contratar mais tecnologia. As verticais de manufatura, serviços, saúde, educação e turismo prometem gerar bons pedidos para a indústria no próximo ano.
O analista da IDC avalia que o setor de TI do Brasil continuará em alta nos próximos dois anos pelas condições favoráveis do País. “Nossa TI é quase que totalmente dependente do mercado interno, que está bastante aquecido”, diz Figueiredo. Como as exportações ainda têm peso pequeno nesse negócio, ele acha que a desaceleração da economia na Europa e EUA impacta menos no País.
Figueiredo constata uma demanda reprimida no mercado brasileiro, citando como exemplo o consumidor final, que está mudando de classe e comprando mais tecnologia. O crescimento da economia local também fez com que as pequenas e médias empresas (PMEs) buscassem mais soluções tecnológicas para melhorar a gestão de suas operações, gerando mais pedidos para as indústrias de TI.
Declínio das vendas de PCs
Apesar dos ventos favoráveis, o mercado de TI no Brasil cresceu menos em 2011, comparado com 2010. O aumento de 11,6% de receita ficou bem abaixo dos 20% registrados no ano anterior, segundo informa o analista da IDC.
Para Figueiredo, a queda não pode ser considerada um fator negativo. O declínio tem mais a ver com a estabilização do setor, que ficou estagnado em 2009 e conseguiu se revitalizar em 2010, atingindo expansão recorde.
Esse efeito foi visível no mercado de PCs que fechou 2011 com a venda de 15,3 milhões de unidades, 9% mais que os 14 milhões de computadores reportados em 2010, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O aumento ficou bem abaixo dos 17% registrados no exercício anterior, gerando descontentamento na indústria que esperava desempenho melhor dos negócios.
Pelos dados da Abinee, com exceção de 2009, quando o mercado brasileiro de PC fechou com o mesmo volume de vendas de 2008, o aumento de 9% registrado em 2011 foi o menor desde 2004.
Na avaliação de Hugo Valério, diretor de Informática da Abinee, a retração do mercado de PC no Brasil em 2011 pode ser atribuída à soma de alguns fatores. Um deles é o efeito cambial que acabou impactando no volume de vendas. As mudanças tecnológicas e o interesse dos consumidores pelos tablets também contribuíram para redução da demanda.
De acordo com a pesquisa, do total de computadores vendidos no Brasil neste ano, 9 milhões foram de notebooks e os 6,2 milhões de desktops. A Abinee não contabilizou nesses números a comercialização de tablets, em razão da maior parte desses portáteis ofertados no mercado local ter entrado no País via importação.
Desse total, 74% das vendas foram de equipamentos legalizados e 26% adquiridos no mercado cinza. Segundo a entidade, a comercialização de máquinas no mercado paralelo subiu 2% em 2010, quando as vendas oficiais representaram 76% das entregas de computadores no Brasil. Com base nos resultados de 2001, as previsões da indústria de PC para 2012 não são muito otimistas. A taxa de crescimento projetada pela Abinee é de 9% com a venda de 16,7 milhões de máquinas.
Otimismo com cautela
O CEO da Itautec, Mário Anseloni, comenta que sentiu um recuo dos negócios em 2011 e espera que o ano de 2012 seja melhor. Ele afirma que a fabricante avançou no seu plano de reestruturação, traçado há um ano e meio para fortalecer a operação no mercado local e externo, mas que o balanço não foi tão positivo como em 2010.
Nos nove primeiros meses de 2011, o faturamento da Itautec foi de 1,07 bilhão de reais, inferior em 6,9% em relação ao mesmo período de 2010. Anseloni justificou que a queda foi devido a uma redução nos pedidos dos bancos, que, segundo ele, ficaram mais temerosos e compraram menos ATMs. Os governos também contrataram menos tecnologia, de acordo com o executivo. "Em 2010, a economia estava mais ativa e em 2011 percebemos redução dos investimentos por causa do cenário menos favorável. Nossa expectativa é que o mercado reaqueça em 2012”, afirma o presidente da Itautec, que assumiu o cargo, após deixar o comando da HP Brasil, há um ano e meio, com a missão de dar novo rumo para a fabricante nacional.
Uma das apostas da Itautec para 2012 é a conquista de uma fatia das vendas de tablets para o mercado corporativo. A empresa quer também aumentar a penetração no setor de consumo, segmento que a companhia ficou de fora por algum tempo e está voltando com investimentos, principalmente em notebooks, para cativar compradores da marca.
A NCR, concorrente da Itautec na venda de ATMs para bancos, não tem muito do que reclamar. “Esse mercado cresce entre 4% e 5% ao ano”, informa o presidente da companhia no País, Elias Silva, prometendo artilharia pesada em 2012 para fortalecer a filial da empresa norte-americana no Brasil.
Segundo o executivo, a NCR é número um no fornecimento de caixa eletrônico para bancos no mercado mundial, mas não conquistou ainda essa posição no Brasil nem na Colômbia. A meta da empresa é chegar ao primeiro lugar nesses mercados em três a cinco anos.
“Queremos ser os primeiros com rentabilidade”, afirma o presidente da NCR, que prevê que 2012 será tão bom para a companhia quanto 2011. “Estamos dobrando os negócios aqui e vamos continuar com a estratégia de oferecer máquinas 100% customizadas. Um equipamento que faço para o Itaú não é o mesmo entregue ao HSBC”, diz ele.
O modelo de entrega de produto sob medida é diferente de quando a companhia chegou ao Brasil, com o fornecimento de soluções padronizadas, como acontece na Europa e Estados Unidos. A empresa investiu em fabricação local e pesquisa e conseguiu criar sua fórmula para agradar os compradores brasileiros. Em 2011, reforçou operação com um acordo com a Scopus, do grupo Bradesco, para aumentar a capacidade de produção em Manaus.
O clima também é otimista na Avaya. “Acreditamos no mercado brasileiro e temos uma agenda de crescimento para o País”, garante Nelson Campelo, que acaba de assumir o cargo de presidente da subsidiária local, com metas agressivas.
O executivo prevê uma decolagem no Brasil dos serviços de comunicação unificada. A companhia está investindo em ampliação do seu leque de produtos para que os clientes possam fazer uso maior dos recursos de colaboração, integrando equipes por qualquer tipo de dispositivo, independente e em rede.
“Estamos prevendo para 2012 crescimento de 15% para o nosso ano fiscal, que começou em outubro”, afirma Campelo, anunciando expansão geográfica para duas novas praças no próximo ano que são as filiais de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Apostas em serviço
A Stefanini promete avançar nos mercados nacional e externo em 2012 com anúncio de investimentos de 300 milhões de reais para os próximos três anos. Metade desse capital ficará no Brasil, onde há disposição para aquisições. Os novos investimentos são para sustentar o crescimento da companhia, que fechou 2011 com receita de
1,2 bilhão de reais, com aumento de 21% em comparação com o faturamento de
1 bilhão de reais movimentado em 2010. O Brasil respondeu por 60% dos negócios e o mercado internacional por 40%.
Para 2012, as metas da Stefanini são maiores. A empresa projeta ampliação de receita de 35% e espera encerrar o exercício com 1,6 bilhão de reais. A abertura de capital permanece nos planos da companhia, mas sem data definida para acontecer. O fundador Marco Stefanini acha que IPO é algo para 2015. “O ano de 2011 foi de muito crescimento e não fomos impactados pela crise mundial”, comemora Stefanini. A prestadora de serviços de TI tem clientes em todos continentes, incluindo Europa e Estados Unidos onde a economia está em ritmo lento.
Menos entusiasmo na Abinee
Empresários da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) demonstram menos entusiasmo com as previsões dos analistas para o mercado de TIC para 2012. O setor estima para o próximo ano receita de 152,5 bilhões de reais, com aumento de 13%, mas segundo a Abinee atingir essa meta depende de ações do governo. “O cenário é de incertezas por causa dos rumos da economia do País e da crise internacional”, diz o presidente da entidade, Humberto Barbato.
A indústria ficou desapontada com os resultados do setor em 2011, quando havia previsão de crescimento de 13% e o balanço final foi faturamento de 134 bilhões de reais, com aumento de 8% comparado com os resultados de 2010. Um dos fatores que contribuíram para a queda, segundo Barbato, foi a política cambial, que mantém o real supervalorizado frente ao dólar, impactando principalmente as exportações.
“Essa situação tem provocado perda de competitividade do setor eletroeletrônico, tanto no mercado externo quanto no interno”, reclama Barbato. Ele aponta o aumento do déficit do setor, que em 2011 atingiu 32 bilhões de dólares, 18% acima do ano anterior, resultado das importações que alcançaram 40 bilhões de dólares, enquanto as exportações não chegaram aos 8 bilhões de dólares.
Um dos exemplos disso é a importação de celulares que aumentou 111% no primeiro semestre de 2011, preocupando as fabricantes nacionais. As compras de terminais produzidos fora do País movimentaram 490 milhões de dólares no primeiro semestre, ante 232 milhões de dólares no mesmo período em 2010.
“Não estamos conseguindo colocar os nossos produtos no quintal [na América Latina] por causa da desindustrialização”, afirma Barbato, que espera que o governo adote medidas de incentivo para os que produzem aqui, com revisões do Processo Produtivo Básico (PPB).
Em encontro com os empresários em dezembro, em São Paulo, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, garantiu que o governo federal está alinhavando um programa para preservar a indústria nacional. Ele anunciou que as mesmas exigências de nacionalização da lei de incentivos dos tablets podem ser estendidas para os celulares, notebooks e PCs. “Vamos aprofundar as exigências de PPB e aumentar as exigências de conteúdo local em todas as cadeias estratégicas”, disse Mercadante, informando que iniciativas similares as que estão sendo implementadas no setor automobilístico podem ser levadas a área de TIC. No setor automotivo, o governo brasileiro está exigindo um índice de 65% de nacionalização dos automóveis montados no Brasil. O ministro afirma que na China essa porcentagem chega a 90%.
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Jan 2012
Da redação - São Paulo / SP
Profissionais de TI estão mais valorizados no Brasil
Consultorias revelam que a falta de talentos qualificados inflacionou salários com taxas de aumento de até 20%
por Edileuza Soares
O crescimento acima de 10% do mercado de TI no Brasil e a taxa cambial ajudaram a supervalorizar os profissionais do setor. Atualmente, os executivos brasileiros da faixa “C-Level”, que ocupam altos cargos, estão entre os que recebem os melhores salários em comparação com os que desempenham a mesma função em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e Cingapura, constatam pesquisas de consultorias de recursos humanos. A situação favorável do País tem despertando interesse de talentos estrangeiros a virem para cá, principalmente os de regiões onde a crise econômica reduziu as ofertas de emprego.
Esse cenário aumentou ainda mais o custo da mão de obra de TI no Brasil, que já era considerado um dos mais altos do mercado mundial por conta da pesada carga de impostos. O encarecimento dos profissionais gera impacto em organizações que atuam com projetos globais. Alternativas estão sendo buscadas para minimizar o problema e companhias esperam que a Medida Provisória (MP) 540/11, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, desonerando a folha de pagamento, ajude a reduzir gastos com recursos humanos.
A MP faz parte do Plano Brasil Maior lançado pelo governo federal para melhorar a competitividade de alguns segmentos da economia nos mercados local e externo. Entre os contemplados estão desenvolvedores de software e prestadores de serviços de TI que foram beneficiados com a substituição da taxa de 20% da contribuição previdenciária por uma cobrança de 2,5% sobre o faturamento. A isenção foi aprovada por um período de dois anos e vale até dezembro de 2014.
“Estamos pagando mais para os profissionais porque o Brasil ficou muito tempo sem investir em TI. Hoje, nossos investimentos são duas vezes e meia maiores que a média mundial”, analisa Lucas de Toledo, gerente-executivo da divisão de Tecnologia da consultoria Michael Page, especializada na contratação de executivos. Ele constata que as companhias estão contratando especialistas e pagando mais para ter bons talentos.
David Braga Dasein, gerente-geral da Dasein Executive Search, outra consultoria que recruta executivos do alto escalão, contabiliza que o volume das contratações de TI no Brasil só perde para o setor comercial. A busca por talentos é para atender à demanda das companhias do País que, segundo o instituto de pesquisas Gartner, vão aumentar em 10% os gastos com tecnologia até 2014. Para 2012, a consultoria estima que os investimentos serão da ordem de 143,8 bilhões de reais.
Como o Brasil tem déficit de talentos de TI, Braga afirma que a escassez ajuda a inflacionar os salários. Isso em razão de os profissionais serem mais assediados. O professor do curso de pós-graduação da Fiap, Sérgio Alexandre Simões, que também é sócio da PriceWaterhouseCoopers (PwC) Brasil, acredita que o encarecimento da mão de obra no País é reflexo da valorização do real frente ao dólar e dos movimentos de formalização dos contratos trabalhistas.
“Há cinco anos, os modelos de contratação de ‘PJ’ (Pessoa Jurídica) e ‘Pejotinha’ eram muito praticados no Brasil. Com o aumento dos processos trabalhistas, muitas companhias oficializaram os contratos e os profissionais ficaram mais caros. Pela CLT, eles custam o dobro para as empresas”, diz o consultor Simões.
Salários do mercado brasileiro - Uma confirmação de que as companhias estão pagando mais para os profissionais de TI é o Guia Salarial 2011-2012, realizado ela consultoria Robert Half, especializada em recrutamento de talentos. O estudo com organizações pequenas, grandes e médias constatou que os empregados do setor tiveram valorização salarial média em torno de 20% no último ano.
Segundo a consultoria Robert Half, um dos motivos da valorização dos profissionais brasileiros é a alta demanda por TI no País nos diversos segmentos da economia, principalmente em áreas como Finanças, Indústria e Serviços. Os talentos mais reconhecidos são os que possuem perfis mais seniores e que, além de conhecimentos técnicos, têm visão estratégica. Ou seja, são os que sabem transformar tecnologia em negócios.
Os que sabem traduzir os anseios das linhas de negócios em projetos de TI e convencer o board sobre a necessidade de investimento em determinada área, são hoje os mais cotados. “O profissional que consegue mesclar excelência técnica com habilidades de negociação e comunicação, por exemplo, é muito demandado e está entre os mais valorizados em salário no último ano”, explica Maria Paula Menezes, gerente da divisão de TI da Robert Half. Ela dá o exemplo do teto salarial de um analista de negócios no nível de entrada que aumentou de 5 mil reais em 2010 para 6,5 mil reais em 2011.
O estudo “O mercado de profissionais de TI no Brasil”, que acaba de ser divulgado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), revela que os salários do setor crescem acima da inflação na maioria dos estados desde 2003. Como resultado disso, a média mensal do salário de TI para quem tem nível superior é de 2.950 reais, quase o dobro da nacional que é de 1.499 reais.
As remunerações de TI variam de acordo com o estado. Um analista de desenvolvimento de sistemas, por exemplo, pode ganhar mensalmente 3.980 reais no Distrito Federal, 3.415 reais no Rio de Janeiro e 2.950 reais em São Paulo. Se essa mesma pessoa estivesse empregada no Paraná ou Bahia, seu salário seria mais baixo e em torno de 2,2 mil reais. Na média nacional, a remuneração desse profissional é 2.862 reais por mês.
Apesar das boas oportunidades de emprego no setor, a evasão nos cursos superiores de TI chegou a 87% no País em 2010, segundo estudo da Brasscom. A associação mapeou o mercado de profissionais de TI em oito estados para analisar essa contradição e tentar entender as causas do déficit de mão de obra, com previsões de aumento em 2011 para 92 mil pessoas.
Hoje, a demanda por talentos no País é maior do que o número de jovens que saem anualmente das universidades, agravando o problema da escassez por talentos qualificados. Um exemplo disso é o estado de São Paulo, que contratou 14 mil profissionais de TI em 2010 e as instituições de ensino formaram 10 mil estudantes.
A pesquisa prevê que em 2014 haverá uma demanda por 78 mil profissionais de TI nas oito unidades da federação analisados (SP, RJ, PR, DF, MG, BA, PE e RS), enquanto que o número de formandos não alcançará nem a metade disso. As projeções indicam que apenas 33 mil estudantes de cursos na área sairão das universidades nos próximos três anos. Os únicos estados que terão talentos na quantidade necessária são BA, MG e PE.
O presidente da Brasscom, Antonio Rego Gil, é a favor de uma redistribuição das vagas nas universidades brasileiras, com cursos que atendam à demanda das empresas do setor e nos locais onde elas estejam instaladas. “As próprias companhias de TI podem reestruturar suas operações de acordo com o panorama apresentado pelo estudo”, orienta o executivo.
Em busca de alternativas - O problema do déficit de profissionais de TI gera impacto para as companhias na hora de contratar novos talentos ou de realizar projetos globais, colocando por vezes o CIO brasileiro numa saia justa. Fernando Birman, diretor de Sistemas de Informação da Rhodia para a América Latina, admite que não é fácil justificar para matriz, na França, o alto custo da mão de obra do Brasil.
A Rhodia opera com times globais de TI. A subsidiária brasileira, que tem uma equipe de 90 profissionais, atende aos Estados Unidos e centros de competência mundial da fabricante. A realização de projetos é feita por um grupo misto de profissionais distribuídos pelo mundo para aproveitar as habilidades de cada um. O Brasil se destaca pela sua expertise no sistema de gestão empresarial (ERP) da SAP, em Business Intelligence e infraestrutura.
“Antes, o nosso custo não aparecia tanto e até dava para disfarçar. Agora, com a valorização do real, o custo do pessoal técnico do Brasil está próximo ao da Europa”, conta o CIO. Geralmente, os talentos envolvidos nos projetos globais são de nível sênior e com bagagem para atender às demandas da companhia.
A forma que ele encontrou para se defender é argumentar que não pode substituir os técnicos com muito conhecimento. “Eles conhecem os processos de negócio e são bons em qualquer lugar do mundo. Vamos ter dificuldade para encontrar talentos como esses não só no Brasil como nos Estados Unidos e Europa”, diz.
Para convencer a matriz a não mexer no seu time, ele justifica que o Brasil deixou de ser “low cost” para tornar-se uma equipe de alta qualidade. Como não haverá corte, as contratações de nível sênior não aumentarão. A empresa investirá em novos talentos e tentará capacitá-los de acordo com as necessidades da Rhodia.
Interesse dos estrangeiros - Assim como a Rhodia, outras multinacionais estão buscando alternativas para equilibrar o alto custo da mão de obra de TI no Brasil. Algumas estão repatriando talentos que estão no exterior e outras até procurando profissionais mais baratos em outros mercados.
Lucas Toledo, da Michael Page, informa que algumas fazem outsourcing de talentos localizados em outros países e até de mercados vizinhos na América Latina. Ele constata que o processo de imigração é caro e que as empresas têm de oferecer ao empregado uma contrapartida para que ele se mude para o Brasil. Por isso, os convites para transferência de estrangeiros para cá são mais para executivos do alto escalão.
Mesmo assim, as consultorias estão sendo bombardeadas por candidatos estrangeiros a uma vaga no mercado local. “Recebo uma média de 40 currículos por dia de profissionais de TI de diversos níveis querendo trabalhar no Brasil”, informa Braga, da Dasein Executive Search.
“Chega diariamente por aqui entre dez e 15 currículos só de candidatos de TI”, contabiliza Toledo, da Michael Page. Segundo ele, a procura é maior por talentos entre 25 e 35 anos, que estão mais dispostos a fazer mudanças e correr riscos.
“Somos menos procurados pelos heads, mas já fomos acionados por CIOs de bancos dos EUA, querendo vir para o Brasil”, revela Toledo. Eles sentem-se atraídos pelas oportunidades de emprego e perspectivas de ganhos. “Vários heads de TI do Brasil têm salários maiores que os que atuam nas matrizes, no exterior”, afirma o headhunter. Eles consideram a situação favorável do Brasil e a maturidade do mercado interno em TI oportunas para evoluírem na carreira.
Quando vêm para cá, nem todos conseguem se adaptar ao ritmo de trabalho dos executivos brasileiros, acostumados com as longas jornadas. “Alguns gestores trabalham até às 23 horas e essa realidade não é vivida por outros países”, constata.
Em sua opinião, o brasileiro trabalha mais não por ser improdutivo ou gerenciar mal o seu tempo, mas porque é obrigado a lidar com a ineficiência operacional do Brasil. O executivo tem de conhecer a burocracia logística, os problemas tributários e administrar todas as dificuldades do País. “Os executivos brasileiros têm maestria para gerenciar problemas em tempos de crise. Eles são competentes e tudo isso impacta nos salários”, afirma o headhunter da consultoria internacional Dasein.
7 profissões que serão bem remuneradas em 2012
As companhias brasileiras vão continuar investindo fortemente em TI no próximo no e algumas profissões serão mais valorizadas. Confira abaixo quais talentos estarão em alta:
1. Desenvolvedores de aplicativos móveis
Profissionais de TI com habilidade para desenvolver para dispositivos móveis vão ocupar posição de destaque no mercado até 2013. As companhias precisam desses talentos para adaptar seus sites e aplicativos para smartphones e tablets.
2. Desenvolvedores de software
Desenvolvedores de aplicativos baseados em PC não devem se sentir desprezados por seus colegas móveis. As empresas precisam de sua quota de Java, .NET, C#, SharePoint, e desenvolvedores web. Java continua sendo uma plataforma quente, por ser aberta, falar com qualquer sistema de back-end, e ser usada em grandes organizações para transferir dados de sistemas legados.
3. Designers
Muitas empresas estão desenvolvendo aplicativos para PCs ou dispositivos móveis, voltados para o cliente. Elas vão precisar de designers de UE (User Experience) para entregar aos usuários aplicações intuitivas e divertidas de usar.
4. Profissionais de segurança
Como as ameaças à segurança da informação e as crescentes violações de dados, as organizações precisam de profissionais de TI que possam afastar ataques de malware e ladrões cibernéticos. A migração para nuvem também vai aumentar demanda por especialistas em segurança de infraestrutura.
5. Arquitetos de data warehouse, analistas e desenvolvedores
O desejo das empresas para extrair percepções dos petabytes de dados em seus sistemas de back office impulsionam a demanda por arquitetos de data warehouse, analistas e desenvolvedores. As empresas farão um grande esforço em 2012 para limpar e organizar seus dados para que possam fazer melhor uso deles.
6. Profissionais de infraestrutura
Computação em nuvem não vai eliminar empregos em infraestrutura. Em 2012, as migrações para cloud computing e Windows 7 aquecem a busca por engenheiros de rede e administradores de sistemas. Estarão em alta também os profissionais que saibam configurar e gerenciar servidores virtuais.
7. Especialistas em web e-commerce
A popularização das redes sociais e a necessidade de as empresas estarem presentes na web vão exigir a contratação de especialistas em web e principalmente em e-commerce. Com as baixas de varejistas virtuais no Brasil, especialistas em RH acreditam que haverá esforço maior das companhias em 2012 para atender os consumidores on-line.
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Jan 2012
Da redação – Lisboa / Portugal
Os cinco novos projetos prometem reforçar batalha do opensource em 2012
Tecnologias aproveitam movimento de cloud e redes sociais para elevar o código aberto e tentar conquistar usuários finais que não dominam Linux
Por Maria João Freitas, correspondente i-press.biz
O sucesso do Linux e do Apache é bastante conhecido, mas outras tecnologias de código aberto estão em ascensão e deverão ganhar mais espaço no mercado. Entre as quais cinco prometem se destacar em 2012 são: Nginx, Openstack,Stig, Linux Mint e Gluster.
Em 2012, se tudo correr conforme o planejado, a Red Hat deverá tornar-se a primeira empresa de software opensource a gerar mais de mil milhões de dólares em receitas. Será um marco para a comunidade de código aberto, que há muito tempo vê a sua abordagem de desenvolvimento baseada em comunidades como uma alternativa viável. ”Estamos percebendo uma mudança fundamental sobre onde a inovação começa a acontecer, deixando os enormes laboratórios das empresas de software, e emergindo das enormes comunidades de código aberto”, defende Jim Whitehurst, presidente e CEO da Red Hat.
O opensource tem deixado o mundo do software proprietário em tumulto durante os últimos anos. O Linux, Apache Web Server, Perl, Apache, Hadoop, OpenOffice e GIMP têm disputado mercado com programas comerciais concorrentes. Mas quais serão os pesos pesados do opensource no futuro? Há cinco projetos para acompanhar de perto em 2012 e que podem formar a base para novos negócios e indústrias. Ou podem apenas seduzir as mentes dos programadores e administradores com formas de fazer alguma coisa mais facilmente, ou pelo menos, menos cara.
Veja a seguir quais são essa tecnologia que prometem dar um novo gás em 2012 ao ambiente de código aberto, segundo os especialistas:
1 – Nginx - Durante a maior parte da última década, a oferta de software para servidores Web têm sido bastante estável. O Apache tem sido utilizado na maioria dos servidores Web, enquanto o Microsoft IIS (Internet Information Services) é usado no resto. Entretanto, a utilização de um terceiro software, o Nginx (pronuncia-se em inglês “engine-x”), passou a ser considerada graças a sua capacidade de lidar facilmente com elevados volumes de tráfego. O Nginx está sendo executado em 50 milhões domínios de internet, com participação de 10% do ambiente web, estimam os vários programadores de software.
Essa tecnologia é particularmente utilizada em sites de alto tráfego, tais como Facebook, Zappos, Groupon, Hulu, Dropbox, e WordPress. O Nginx foi criado por Igor Sysoev em 2004, especificamente para lidar com um grande número de usuários simultâneos, com capacidade para gerenciar até dez acessos mil por servidor. “É uma arquitetura bastante enxuta”, disse Andrew Alexeev, co-fundador de uma empresa fornecedora de uma versão comercial do software. Ele diz que 2012 promete ser de grande adoção do Nginx. Em 2010, ano passado, o projeto recebeu três milhões de dólares de apoio de uma série de empresas de capital de risco, incluindo capital do CEO da Dell, Michael Dell.
A empresa de Alexeev formou uma parceria com a Jet-Stream para fornecer o Nginx para uma plataforma de Content Delivery Network. O fornecedor de software também está trabalhando com a Amazon para atuar como integradora do serviço de cloud AWS (Amazon Web Service).
Além de uso em operações de grande porte na web, Alexeev acredita que o Nginx será utilizado mais ampla pela nuvem e serviços compartilhados. “Este é o universo onde poderemos adicionar mais benefícios”, considera o executivo. O grande lançamento do software está previsto para este ano, com uma versão mais flexível para ambientes compartilhados. O produto promete melhorias também para lidar com ataques de Distributed Denial of Service (DDoS) e recursos adicionais de segurança.
2 – OpenStack - O projeto OpenStack chegou relativamente tarde para participar da festa de cloud computing, mas traz uma característica particularmente indispensável: capacidade de expansão. “É importante destacar a possibilidade de o OpenStack ser processado em 100 ou até mesmo mil servidores. Outras opções não têm escala para esse volume de processamento”, diz Jonathan Bryce, presidente do OpenStack Board Policy Project.
Desde o seu lançamento em julho de 2010, o OpenStack ganhou rapidamente apoio de grandes fornecedores de TI interessados que estão disputando cloud computing, como HP, Intel e Dell. Os “devotos” do OpenStack afirmam que o projeto já conta com a adesão de mais de 144 empresas e 2,1 mil participantes. A Dell lançou um pacote, chamado Dell OpenStack Cloud Solution, o qual combina o OpenStack com servidores da própria empresa e software. A HP anunciou um serviço de cloud ainda em beta com a tecnologia.
Os componentes do núcleo computacional do OpenStack foram desenvolvidos no centro de investigação Nasa Ames, para suportar uma cloud interna de armazenamento de grandes quantidades de imagens espaciais. Originalmente, os administradores da Nasa tentaram usar o software Eucalyptus como plataforma de projetos de software.
Entretanto, a agência espacial americana enfrenta desafios para expandir o uso desse software, de acordo com Chris Kemp, que supervisionou o desenvolvimento do controlador de cloud OpenStack, quando era CIO do Nasa Ames.
Para promover uma adoção mais vasta, o OpenStack está sendo equipado com uma série de novos recursos para torná-lo mais atrativo para as empresas, disse John Engates, CTO da Rackspace fornecedor da solução. Um projeto, chamado Keystone, permitirá que as organizações integrem o OpenStack com os seus sistemas de gestão de identidade, baseados em Microsoft Active Directory ou outras implantações de LDAP (Lightweight Directory Access Protocol).
Além disso, os programadores estão trabalhando num portal de interface para o software. A Rackspace fez uma primeira parceria com a Nasa para “empacotar” o OpenStack para uso generalizado. Mas está também apresentando o projeto como uma entidade totalmente independente, na esperança de ser uma opção atrativa para os fornecedores de cloud computing. “2011 foi o ano de desenvolvimento para a base do produto, mas acho que em 2012 esse projeto deslancha e será base para uma série de nuvens públicas e privadas”, acredita Engates.
3 – Stig - Em 2010, houve um enorme crescimento no uso das bases de dados não relacionais, como a Cassandra, a MongoDB, a CouchDB e inúmeros outros. Mas na conferência NoSQL Now, realizada em setembro deste ano, muitas das conversas centraram-se numa base dados que será lançada chamada Stig. Sua chegada está prevista para 2012.
O software Stig foi concebido para processar grandes volumes de dados característicos de sites de mídias sociais, dizem os seus gestores. Ele nasceu no ambiente da rede social Tagged, criada pelo engenheiro de software Jason Lucas, o qual classifica a tecnologia com base de dados gráfica distribuída.
O Stig foi projetado para suportar aplicações web interativas e sociais. Sua arquitetura de armazenamento de dados permite busca diferenciada, possibilitando que os usuários e as aplicações encontrem conexões entre informações distintas.
Essa capacidade é em razão de a tecnologia ter sido desenvolvida, em parte, na linguagem de programação funcional Haskell. Assim consegue dividir o seu volume de trabalho por vários servidores. O Stig é um pouco misterioso, pois ainda não foi lançado oficialmente. Mas analistas preveem que a tecnologia chegará para se destacar no nicho de redes sociais e outras aplicações que processam grandes volumes de variedade de dados.
As necessidades das redes sociais são diferentes de outros serviços e a tecnologia pode ser uma aliada, espera Lucas. “Não é possível ter um serviço relevante neste espaço, sem capacidade de expansão para um ‘tamanho planetário’”, diz o engenheiro de software. A tecnologia Stig funciona atualmente num servidor do Tagged, embora a empresa espere expandir o seu uso para ser a única base de dados da empresa.
Originalmente, os programadores estavam planejamento a liberação código em dezembro, mas adiou o lançamento para 2012. “O que eu vi parecia muito interessante”, disse Dan McCreary, um arquiteto de soluções semânticas da Kelly-McCreary & Associates, empresa de consultoria.
4 - Linux Mint - Apesar de anos de apologia por parte dos adeptos do código aberto, o Linux nunca teve uma forte presença em ambientes pessoais de trabalho. Mas normalmente há sempre uma distribuição Linux mais fácil de usar, como alternativa ao Microsoft Windows.
Nos últimos anos, o Ubuntu, da Canonical, tem cumprido esse papel, embora o Linux Mint está se tornando mais popular. Ele poderá ultrapassar o Ubuntu por ser mais fácil de usar. O engenheiro de software, Clement Lefebvre, concebeu o Linux Mint depois de rever outras distribuições Linux, para diversos fóruns online. A partir deste trabalho, ele desenvolveu vários recursos imprescindíveis para distribuição ideal para os consumidores finais. Assim como a Canonical se apropriou da distribuição Linux Debian para tornar o Ubuntu popular, Lefebvre usou o Ubuntu como base para o Linux Mint.
Hoje, o projeto Linux Mint é financiado por doações, receitas de publicidade do seu site, e os rendimentos obtidos a partir das buscas dos seus usuários por meio de uma parceria polêmica com a DuckDuckGo. O Linux Mint foi projetado para atrair os usuários que querem um sistema operacional de código aberto sem seu PC, sem se preocupar e saber como funciona o Linux. Esta abordagem torna a instalação, a execução do software e a manutenção mais fáceis.
Ainda mais do que o Ubuntu, o Mint centra-se na facilidade de uso em razão de não adotar novos recursos. O Mint evita, por exemplo, a interface de desktop Unity, um tanto controversa, escolhida pela Canonical para portar o Ubuntu para plataformas móveis. Em vez disso, a tecnologia adota a interface Gnome, que é mais madura.
Segundo os desenvolvedores do Linux Mint, o projeto já é o quarto mais usado em desktops no mundo inteiro, depois do Windows, Apple Mac e Ubuntu.
Em 2010, o Mint assumiu o lugar do Ubuntu, segundo o site de notícias DistroWatch Linux, que adota métricas para perceber a popularidade de distribuições Linux. Sem dúvida, 2012 deve trazer maior crescimento para essa tecnologia.
5 – Gluster - A Red Hat poderá revolucionar o mundo do software de armazenamento como o fez com o mercado de sistemas operacionais baseados em Unix? A empresa adquiriu a Gluster, fornecedora do sistema de arquivos GlusterFS, que organiza em clusters drives SATA (Serial Advanced Technology Attachment), unidades NAS (Network Attached Storage) e sistemas em repositórios de armazenamento, com elevada capacidade de expansão.
De acordo com o CEO Red Hat, Jim Whitehurst, o mercado de software de armazenamento gera quatro mil milhões de dólares em receita anual, mas não é por isso que a empresa está interessada na tecnologia de código aberto.
A companhia quer é encontrar uma tecnologia de armazenamento capaz de fazer migrações para cloud computing com mais velocidade. “Não há outras soluções como esta no mercado”. Em 2010, os downloads do GlusterFS aumentaram 300%. Em novembro último, o software foi baixado mais de 37 mil vezes.
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3 Jan 2012
Sunnyvale / EUA
Enxutas, empresas do Vale do Silício exploram novos campos
Por Steve Lohr
Lee Redden, 26 anos, doutorando em engenharia em Stanford, decidiu dar um tempo nos estudos e ajudou a fundar uma empresa start-up. Suas habilidades se concentram em dois nichos efervescentes da inteligência artificial: visão computadorizada e aprendizagem automática. Só que ele não está aplicando seus talentos em busca na internet, comércio on-line ou vigilância inteligente.
As ambições de Redden estão mais distantes - em fazendas, na verdade. Sua empresa, a Blue River Technology, está desenvolvendo um matador robótico de ervas daninhas para agricultura orgânica, para evitar pesticidas químicos. Segundo ele, o novo empreendimento é "uma forma excelente de levar essa tecnologia para a agricultura". A start-up está ligada ao mais recente estágio de evolução do Vale do Silício, o epicentro mundial da inovação. Ao longo dos anos, a região demonstrou uma destreza econômica sem paralelos ao saltar de um segmento com oportunidades para outro, de eletrônicos militares a wafers de silício, de computadores pessoais à internet.
Porém, o negócio do Vale hoje em dia tem menos a ver em se concentrar numa indústria em particular e mais com um processo contínuo de inovação tecnológica, sobre uma ampla gama de campos. A tendência reflete a marcha constante da mais versátil das tecnologias --a computação-- à medida que ela abre novas linhas de frente em todas as disciplinas científicas e indústrias. Tecnologia limpa, bioengenharia, diagnóstico médico, tratamento preventivo de saúde, transporte e até agricultura fazem parte do mix hoje em dia para os tecnólogos e empreendedores do Vale.
O ritmo das descobertas se acelerou, não apenas para as tecnologias como também para o processo de descobrir que empresas terão sucesso. "A diferença no Vale é encontrar um método quase científico de reinventar empresas e indústrias, não apenas produtos", disse Randy Komisar, sócio de uma das principais empresas de capital de risco, a Kleiner Perkins Caufield & Byers, e professor-assistente de empreendedorismo na Universidade Stanford. "A abordagem é muito mais sistemática do que há muitos anos."
O novo modelo para abrir empresas se baseia em hipóteses, experimentos e testes de mercado, desde o dia em que a empresa é fundada. Trata-se de uma ruptura abrupta com a abordagem tradicional de traçar um plano de negócios, estabelecer metas financeiras, construir um produto final e depois lançar a companhia esperando que dê certo. Esse esquema consumia tempo e dinheiro.
A fórmula preferida hoje em dia costuma ser chamada de "lean start-up" (literalmente, empresa iniciante enxuta). Entre os seus primeiros defensores estão Eric Ries, empreendedor e escritor que cunhou o termo e agora é um empreendedor residente da Harvard Business School, e Steven Blank, "empreendedor em série", escritor e professor-assistente em Stanford. A abordagem enfatiza o rápido desenvolvimento do "mínimo de produtos viáveis", versões de baixo custo que são exibidas para avaliação dos consumidores e, a seguir, aprimoradas. Flexibilidade é outra característica. Testar modelos de negócios e ideias, e, sem dó nem piedade, descartar fracassos e passar para o plano B, o plano C, o plano D e assim por diante - num processo conhecido como "pivô" (pivoting).
A National Science Foundation está apostando no novo modelo para melhorar o índice de comercialização da pesquisa universitária que financia. Em outubro, a fundação anunciou a primeira série de subsídios do que chama de NSF Innovation Corps. As 21 equipes de três membros selecionadas em todo país receberão US$ 50 mil por seis meses para testar se suas invenções são vendáveis. Começa com um giro por Stanford e cursos lecionados por Blank, entre outros, seguidos por aulas on-line e orientação. Espera-se que cada equipe teste constantemente ideias e produtos com consumidores, fazendo experiências repetidas vezes, aderindo à fórmula de lean start-up. "A questão é aplicar o método científico à identificação de oportunidades de mercado", disse Errol B. Arkilic, gerente de programas da fundação. "E é justamente por isso que esse método foi selecionado pela NSF."
Arkilic, que durante sete anos foi engenheiro de start-ups no Vale antes de ir trabalhar com o governo, afirma que a fundação planeja conceder 15 ou 20 subsídios Innovation Corps por trimestre. "Não podemos reproduzir o Vale do Silício em outro lugar, mas temos de descobrir uma forma de pegar suas melhores práticas e aplicá-las em outras localidades."
O modelo de lean start-up do Vale está influenciando a formação administrativa tradicional. Nas escolas de negócios, há anos existem cursos sobre empreendedorismo e gerenciamento empresarial. Porém, em meados do primeiro semestre, os 900 primeiranistas da Harvard Business School devem abrir um negócio como disciplina obrigatória. Em equipes de seis estudantes, eles receberão US$ 3.000 para fundar uma start-up que gere receitas até o fim do semestre, explicou Thomas R. Eisenmann, professor que coordenará o programa.
Eisenmann também é um dos diretores de um programa de imersão no Vale do Silício que leva dezenas de alunos para lá todos os anos para terem contato direto com as práticas e a cultura do viveiro do empreendedorismo. "Todos estão envolvidos com uma start-up", observou Eisenmann. "Presume-se que seja o comportamento normal, a coisa legal a ser feita."
A cultura de start-ups, sem dúvida, deve muito à história do Vale e à influência duradoura de suas personalidades marcantes, como Frederick E. Terman. Professor de engenharia em Stanford durante muitos anos, onde foi diretor nas décadas de 1950 e 60, Terman encorajava os melhores alunos a pôr as ideias em prática abrindo uma empresa. Entre eles estavam Bill Hewlett e David Packard, que fundaram a Hewlett-Packard em 1939. Terman costumava investir dinheiro do próprio bolso nessas start-ups. "Sua mensagem era de que abrir uma empresa era tão importante quanto fazer doutorado", disse Blank, que leciona em Stanford. "Aquilo era considerado uma heresia na academia."
A maioria das start-ups fracassa. Talvez mais do que em outros lugares, os investidores e tecnólogos do Vale costumam ver o fracasso com certa objetividade científica, como se os reveses fossem ferramentas heurísticas que conduzem à pesquisa e descoberta. "Ao longo de 70 anos, o Vale desenvolveu uma cultura que não personifica o fracasso", afirmou Komisar, da Kleiner Perkins. "Se você não for corrupto, burro ou preguiçoso, nós vemos o fracasso como aprendizado --aprenda com ele e reaplique o que aprendeu."
E essa cultura de assunção de riscos e aprendizado perpétuo está sendo agora aplicada bem longe de software e hardware de computador. Existem empreendimentos famosos como o Nest Labs, fundado por Tony Fadell, ex-executivo da Apple, que contratou mais de cem engenheiros de Apple, Google, Microsoft e outras companhias de alta tecnologia e é apoiado por várias empresas de capital de risco. Seu produto, lançado em outubro, é uma reinvenção do termostato, combinando sensores, aprendizado automático e tecnologia da internet num equipamento inteligente que economiza energia.
O Vale também está cheio de start-ups menos famosas em campos novos, como a Blue River Technology. Redden conheceu seu colega fundador e executivo-chefe da empresa, Jorge Heraud, 41, na aula de Blank. Heraud, engenheiro, decidiu voltar a Stanford para dar uma renovada na carreira, depois de trabalhar durante anos como gerente de uma empresa de equipamentos agrícolas.
Ele conheceu Redden e, em conjunto, vislumbraram a chance de aplicar a visão computadorizada e o aprendizado automático à agricultura. Eles exploraram outras ideias, mas depois de conversar com possíveis compradores, decidiram por matar ervas daninhas em fazendas orgânicas - segmento de rápido crescimento que não pode usar pesticida e sofre com os custos trabalhistas.
No escritório em Sunnyvale, eles estão montando a máquina e ensinando o programa de visão computadorizada a distinguir alface de ervas daninhas. Inicialmente, tentaram matá-las com raio laser, o que se revelou muito caro. Agora pretendem usar óleo (orgânico, é claro) superaquecido. O dispositivo, puxado por um trator, deve identificar ervas daninhas e matá-las em 200 milissegundos, um desafio formidável, mas atingível, declarou Redden. Se aplicar visão computadorizada à agricultura é tão promissor, por que os grandes fabricantes de equipamentos agrícolas não estão bem adiantados? "Elas não se preocupam com isso", respondeu Heraud. "Elas não pensam em visão computadorizada. Essa é uma tecnologia do Vale do Silício." (Fonte: New York Times)
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28 Dez 2011
Da redação - Brasília / DF
Programas do MDA chegam a 4 mil cooperativas de agricultores
por Kátya Desessards, editora i-press.biz
Café orgânico da amazônia, castanha de baru, pequi, faveira, arroz orgânico e plantas medicinais são alguns dos produtos produzidos por agricultores familiares organizados em cooperativas apoiada por um conjunto de políticas públicas desenvolvidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Ações como chamadas públicas para o fortalecimento de cooperativas e programas como o Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), de Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (PNAE) têm incentivado o cooperativismo em todo o país.
Atualmente, o MDA apoia com crédito, garantia de comercialização e assistência técnica diferenciada aproximadamente 4 mil cooperativas e associações de agricultores familiares. Destas, 1.570 possuem declaração de aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) na modalidade jurídica, o que possibilita sua participação em políticas públicas como o PAA e o PNAE.
O diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF/MDA), Arnoldo de Campos, destaca que todas o conjunto das ações desenvolvidas pelo ministério tem o foco na organização produtiva e econômica dos agricultores familiares. “O Programa de Aquisição de Alimentos, por exemplo, que é uma compra do mercado institucional, beneficia hoje mais de 4 mil organizações produtivas da agricultura familiar, servindo como uma alavanca para a organização dos trabalhadores em cooperativas, permitindo uma consolidação dos empreendimentos”.
O programa do Biodiesel - que neste ano vai atingir a marca de R$ 1,4 bilhão em compras de oleoginosas da agricultura familiar - também tem incentivado a organização dos agricultores em associações e cooperativas. “No programa do Biodiesel, tínhamos em 2005 um índice de mais de 90% das comercializações sendo diretamente da usina com o agricultor familiar. Hoje, esta lógica se inverteu e as cooperativas representam mais de 70% das compras das usinas”, destaca Campos.
Outro programa pensado para incentivar o cooperativismo é o PNAE, que leva alimentos saudáveis para a mesas das escolas brasileira: aproximadamente R$ 1 bilhão vem sendo movimentado para a compra de alimentos da agricultura familiar, investidos prioritariamente em cooperativas. O programa permite a compra diretamente de um único produtor rural, ou de grupos informais, mas em sua regulamentação os agricultores familiares têm prioridade.
Um bom exemplo do sucesso de políticas públicas como o PNAE e o PAA é a Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado, criada em 2002, que organiza 1,5 mil famílias de agricultores familiares em 45 municípios dos estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia na produção de alimentos para as escolas. Um dos principais produtos da Coopercerrado para a alimentação escolar é a farinha de baru, castanha coletada no cerrado e beneficiada em uma casa de farinha construída com o apoio do MDA.
Adalberto Gomes dos Santos, um dos cooperados da rede, conta que a organização dos agricultores tem mudado a vida das pessoas no campo. “Hoje estamos comercializado produtos de forma conjunta, porque individualmente seria impossível. Com a cooperativa, a gente tem a certeza que não estar sozinho, temos mais força para reivindicar nossas demandas e a condição de melhorar de renda”.
A garantia de comercialização de sua produção com o PAA e PNAE, criou a condição para a melhoria de vida de Adalberto, que acaba de fazer um financiamento do Mais Alimentos para implementar uma série de melhoria sem sua propriedade – barragem para preservar água, qualificação das pastagem e plantio de flores para produção de mel -, e adquirir um mini trator de 18CV.
Territórios Rurais e da Cidadania
O MDA também atua incentivando a organização produtiva dos agricultores familiares com ações de apoio a redes e a cooperativas como os chamamentos públicos para a qualificação de gestão, e também por ações dentro dos Territórios da Cidadania e Territórios Rurais, atuando de forma conjunta com estados e prefeitura, e a sociedade civil organizada dentro dos colegiados territoriais.
Segundo o consultor especialista em cooperativismos da Coordenação Geral de Associativismo e Cooperativismo da Secretario de Desenvolvimento Territorial (SDT/MDA), Luis Tizidini, o apoio que o MDA dá para cooperativas vai além de mecanismos de garantia de comercialização abrangendo ações que auxiliam na estruturação dos empreendimentos. “O ministério tem investido na formação dos agricultores familiares cooperativados, para a gestão de seus empreendimentos, disponibilizamos assessorias e acompanhamento e auxilio na elaboração de planos de negócios”.
Outra iniciativa importante que o MDA tem desenvolvido para fomentar e fortalecer a organização produtiva dos trabalhadores é o apoio a feiras e eventos, viabilizando a participação de produtores de todo o pais em eventos tanto locais como nacionais , onde podem trocar experiencias de produção e gestão de seus empreendimentos. com a Feira da Economia Solidária de Santa Maria.
Para o agricultor familiar e presidente da Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua (Coocaram), Joaquim Cordeiro da Silva, a organização dos trabalhadores além de melhorar a condição financeira dos agricultores, tem outros benefícios. “Aqui estamos vivendo na prática a mudança do cultivo com o uso de agrotóxico, para um cultivo orgânico, mais saudável, e que também está mudando a cabeça do agricultores, que agora pensa bem mais em como cooperar para se tornar mais forte, ter mais mercado e vender mais”, destaca.
A Coocaram, articula mais de 300 agricultores familiares em Ji-Paraná no estado de Rondônia, onde produz café orgânico ao mesmo tempo que preserva a floresta amazônica. São 1,2 mil hectares plantados com café e 4 mil de floresta preservada. Cerca de 30% da produção da cooperativa já é orgânica certificada.
2012: Ano Internacional das Cooperativas
A Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, em dezembro do ano passado, a resolução sobre “Cooperativas e Desenvolvimento Social”, que declara 2012 como ano Internacional das Cooperativas (IYC, na sigla em inglês). Com isso, a ONU reconhece o modelo cooperativo como fator importante no desenvolvimento econômico e social dos países. Esta é a primeira vez na história que um ano será dedicado ao setor cooperativista.
Consideradas economicamente viáveis e socialmente responsáveis, as cooperativas operam em setores que vã desde a agricultura até finanças e saúde. A ONU se propõe a três objetivos: aumentar a consciência sobre esse modelo empresarial e sua contribuição positiva, promover sua formação e seu crescimento, e impulsionar os Estados-membros para que adotem políticas que favoreçam sua expansão.
Sem importar o setor no qual atuam, as cooperativas são consideradas modelos de empresas bem sucedidas porque seus integrantes são responsáveis por todas as decisões da instituição. Além disso, elas não objetivam a maximização dos lucros, mas atender às necessidades de seus membros, que participam do gerenciamento.
O potencial das cooperativas para ajudar a erradicar a pobreza, criar e fortalecer práticas sustentáveis e contribuir para o desenvolvimento são as características que a ONU pretende destacar para que os Estados-membros as promovam. Um dos principais assuntos que a agenda da ONU para o desenvolvimento propõe é destacar o aspecto humano, mais do que o financeiro – e as cooperativas combinam ambos.
O início das cooperativas remonta à Europa dos anos 1800. Na Alemanha, em 1860, Friedrich Raiffeisen projetou uma empresa de poupança e crédito para ajudar os agricultores. Sua ideia de banco cooperativo se propagou a outras partes da Europa. Ao mesmo tempo, Schultze-Delitsch criou um banco semelhante em áreas mais urbanas. Também surgiram cooperativas de consumo entre trabalhadores têxteis por volta de 1840 na Grã-Bretanha, em época de crise econômica. Posteriormente, na década de 1950, esse tipo de empresa constituía 12% do comércio varejista. Atualmente, as cooperativas contam com um bilhão de membros em mais de cem países. (Fonte: Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra)
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27 Dez 2011
Da redação - Curitiba / PR
Alta das commodities e guerra fiscal alteram saldo comercial nas regiões
por Kátya Desessards, editora i-press.biz
A alta de preço das commodities, aliada à guerra fiscal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na importação, provocou uma mudança na estrutura de importação e exportação nas cinco regiões do país. Combinados, os dois fenômenos acentuaram o déficit das regiões Sul e Nordeste e ampliaram o saldo positivo do Sudeste e do Norte.
Sudeste - Nos 12 meses encerrados em outubro, os Estados do Sudeste tiveram superávit comercial de US$ 21,82 bilhões, muito superior aos US$ 8,43 bilhões dos 12 meses anteriores. A ampliação de saldo positivo foi resultado da elevação da exportação, que cresceu 36,1% no período, em ritmo mais forte que as importações, que tiveram alta de 25,3%. As vendas ao exterior da região Sudeste foram puxadas principalmente pela exportação de petróleo e minério de ferro.
Preços - Dentro da pauta de exportação do Sudeste, os dois produtos saíram de um total de US$ 27,6 bilhões vendidos de janeiro a outubro de 2010 para US$ 40,6 bilhões comercializados nos primeiros dez meses deste ano. "Foram os preços que comandaram a elevação e tiveram influência na mudança dos saldos comerciais das regiões", diz Rafael Bistafa, economista da Rosenberg e Associados. Enquanto o valor exportado com os dois produtos teve aumento de 47,1% no período, o volume de petróleo vendido ao exterior pelo Sudeste teve alta de apenas 4,3%. O de minério de ferro também cresceu pouco, com elevação de 2,35%.
Norte - A elevação do preço do minério de ferro também puxou as exportações dos Estados do Norte e ampliou bastante o saldo positivo da região. Nos 12 meses encerrados em outubro o Norte teve superávit comercial de US$ 5,64 bilhões, alta significativa em relação aos US$ 1,02 bilhão dos 12 meses anteriores. A venda ao exterior de minério de ferro, no mesmo período, saltou de US$ 5,37 bilhão para US$ 10 bilhões, o que significa 58,8% da pauta de exportação da região. As importações também tiveram bom crescimento no Norte, em razão do desembarque de componentes eletrônicos para a Zona Franca de Manaus.
Importação - A alta do preço do petróleo em 2011, na comparação com 2010, não trouxe impacto somente nas exportações. O aumento de preço do óleo bruto e derivados também contribuiu para elevar o valor das importações de algumas regiões, como o Sul e o Nordeste.
Sul - Nos Estados do Sul, por exemplo, os desembarques de petróleo e nafta - derivado de petróleo que é insumo importante para a cadeia de resinas plásticas - subiram de US$ 5,47 nos 12 meses encerrados em outubro de 2010 para US$ 6,89 nos 12 meses seguintes, ajudando a pressionar o valor das importações. Nesse período, a importação da região Sul passou de US$ 31,8 bilhões para US$ 40,4 bilhões.
ICMS - A guerra fiscal de ICMS também dá sua contribuição no aumento de desembarques da região. Outro fator que explica a elevação de importação do Sul é a entrada de automóveis no país, de acordo com o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério Cezar de Souza. Além dos carros importados da Argentina, o porto de Itajaí, em Santa Catarina, também atrai os produtos, que entram pagando menos impostos e são repassados a mercados maiores, no Sudeste.
Peso - O incentivo da chamada guerra fiscal pesa na balança da região. "É mais atrativo para o importador entrar com o produto pelo Sul e depois fretar para todo o país", diz Souza. O consultor tributário Clóvis Panzarini explica que o benefício de ICMS na importação costuma adiar o pagamento do imposto para o momento em que há transferência da mercadoria para outro Estado, com crédito presumido de até 75% do imposto devido na operação. Isso quer dizer que, na transferência interestadual tributada a 12%, o Estado em que a mercadoria desembarca recolhe 3% de ICMS e a empresa deixa de recolher 9%.
Vantagem - "É uma vantagem suficiente para fazer a mercadoria ser desembarcada em locais distantes do mercado consumidor", diz Panzarini, que já foi coordenador de administração tributária da Fazenda paulista. Ele lembra que os incentivos de ICMS na importação têm transferido desembarques não só para Estados do Sul, como também para os do Nordeste.
Adubos e fertilizantes - No Sul, adubos e fertilizantes também cresceram na pauta de importações, passando de US$ 53 milhões para US$ 176 milhões. A elevação reflete a safra recorde de grãos, que deve fechar o ano em cerca de 159 milhões de toneladas, número 6,6% maior do que o registrado em 2010, segundo o IBGE. "O Brasil não produz dois componentes necessários para a fabricação desse produto, então temos que buscar lá fora."
Ureia com nitrogênio - A importação de ureia com nitrogênio, componente do adubo, teve, na pauta da região Sul, variação mais expressiva, saindo de US$ 243 milhões, de janeiro a outubro de 2010, para US$ 419 milhões nos primeiros dez meses deste ano.
Nordeste - O Nordeste passa por um processo mais intenso de aumento de importações. Com a queda na produção industrial física, que está negativa em 4,9% no acumulado de janeiro a outubro em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do IBGE, o consumo na região foi substituído em parte por importados. A indústria cearense, por exemplo, encolheu 12,6% no acumulado de janeiro a outubro em comparação com o mesmo período de 2010. Os setores de calçados, vestuário e têxtil diminuíram neste ano em função da competição com similares asiáticos. "A indústria nordestina é forte em setores de base, como o alimentício e o de mão de obra intensiva, e o tradicional, como petróleo e madeira. Ela não é diversificada. Com a valorização do real, os produtos perderam competitividade e deram espaço aos importados", diz Souza.
Derivados de petróleo - Além disso, de forma parecida com o Sul, o aumento nos preços dos derivados de petróleo pesou na balança dos nordestinos. "Houve também uma posição estratégica da Petrobras, que diminuiu a produção no Nordeste em relação ao ano passado, privilegiando o Sudeste", afirma Souza. "Com isso, aumentou o consumo de derivados importados, que estão mais caros no mercado internacional."
Algodão e etanol - Algodão e etanol também ganharam importância na pauta de importações da região. Enquanto os nordestinos compravam US$ 37 milhões em algodão bruto no acumulado de 12 meses até outubro de 2010, no período seguinte, o montante foi a US$ 246 milhões. Com o direcionamento de parte da safra de cana para a produção de açúcar, o etanol importado ganhou importância na balança. O consumo passou de US$ 6 milhões para US$ 256 milhões. (Fonte: ssessoria de Imprensa da Ocepar/Sescoop-PR)
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23 Dez 2011
São Paulo / SP
Software como serviço é destaque em cloud em 2012
Por Solange Calvo
Círculo virtuoso. Esta é a principal consequência proporcionada pelo modelo de software como serviço (SaaS) na economia nacional, de acordo com consultores do mercado de TI. Segundo eles, ao ter oportunidade de adquirir tecnologia mais barata, as empresas compram mais, ganham competitividade e podem crescer, impactando no desenvolvimento do País. “Pode parecer uma análise extremamente otimista, mas é absolutamente lógica”, diz Anderson Figueiredo, gerente de Pesquisa e Consultoria da IDC.
Ele diz que o SaaS, que permite a aquisição de soluções e serviços por meio da nuvem, de maneira simplificada e pagamento sob demanda, transforma custos fixos em variáveis, abrindo portas para companhias, em especial pequenas e médias, que não vislumbravam desfrutar de tecnologias caras como ERP e CRM. Na cadeia de negócios, de acordo com Bruno Arrial dos Anjos, analista sênior de Mercado da Frost & Sullivan, os fornecedores ampliam suas vendas e, além disso, abrem oportunidades para a comunidade de desenvolvedores (ISVs), que podem realizar parcerias para oferecer suas soluções na cloud.
Souvenir Zalla, CEO do Edge Group no Brasil, estima que “vamos sentir verdadeiramente essa evolução da cadeia econômica e de valor na metade da década”. Para ele, irão surgir outros impactos não somente na indústria de software, que poderá sofrer redesenho, como também o tradicional modelo de licenças, que deverá ser repensado.
O consultor da Frost cita um estudo da consultoria, realizado em 2010 com mais de cem empresas de grande porte, em que 66% delas afirmam que irão continuar investindo ou ingressar no conceito de cloud computing, sendo 86% em software como serviço. “A camada de aplicativos continuará sendo a mais usada em 2011, com 88% de aceitação”, diz, acrescentando que os aplicativos mais usados na nuvem são e-mail, CRM e ERP, nesta ordem.
SaaS permeia e atrai todos os portes de empresas. “As grandes vão reduzir seus orçamentos de TI, ao cortar custos com infraestrutura e amenizar o impacto da aquisição de licenças em alguns casos. E as micro, pequenas e médias, o contrário. Elas vão passar a investir em TI ou ampliar seus orçamentos, pois correrão menos riscos com custos variáveis”, destaca Arrial.
No estudo das 350 Maiores empresas de TI e Telecom, realizado pela Deloitte, a categoria SaaS aparece como principal produto de cloud computing comercializado, com 40%, à frente de infraestrutura como serviço (IaaS), com 25%, e de plataforma como serviço (PaaS), 17%.
No Brasil, estimativas da IDC apontam para movimentação de SaaS, saltando de 20 milhões de dólares para 192 milhões de dólares entre 2010 e 2014. Já na América Latina, serão mais de 400 milhões de dólares em 2012, segundo o instituto de pesquisas Gartner. Com isso, a modalidade tem sacudido o mercado, estimulando o fortalecimento da estratégia de muitas empresas. Uma delas é a Microsoft, que trabalha com SaaS há mais de uma década, com serviços de e-mail. Ela aqueceu sua oferta no modelo nos últimos dois anos, de acordo com Eduardo Campos, gerente-geral de Office da Microsoft Brasil.
“Foi quando lançamos o mote Estamos todos na nuvem. Assim, assumimos nosso compromisso de ofertas de serviços em cloud. De lá pra cá, ampliamos de 40% o nosso desenvolvimento de aplicações no conceito para 90%. Nossos desenvolvedores não só criam como adaptam os produtos existentes”, diz Campos. Recentemente, prossegue o executivo, a Microsoft entrou na segunda onda desses serviços com o lançamento no Brasil do Office 365 em cloud, que integra serviços de produtividade para empresas de todos os portes. “É a forma mais fácil de migrar a infraestrutura de produtividade para a nuvem.”
A Totvs também entrou nessa arena. Anunciou em novembro a loja virtual Totvs Store, que irá comercializar, via web, componentes de software, soluções e serviços, na modalidade SaaS. De acordo com Weber Canova, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Totvs, “a intenção é oferecer à comunidade de desenvolvedores a oportunidade de empreender ao criarem produtos baseados na tecnologia Totvs e os disponibilizar ao mercado por meio da Totvs Store”. Inicialmente, em 2011, a loja virtual vai oferecer gratuitamente componentes de software para desenvolvedores. No próximo ano, os próprios desenvolvedores já poderão publicar seus componentes, juntamente com os da Totvs, para comercializá-los na nuvem.
Em 2013, incluirá soluções de gestão voltadas para micro e pequenas empresas.Quem está pronta para entrar nessa disputa entre o final deste ano e início de 2012 é a Globalweb Corp, joint-venture entre o Grupo TBA e a companhia de software Benner, com um portal no modelo SaaS, para comercializar soluções, desde a mais simples as mais robustas, para atender especialmente às pequenas e médias empresas. Para o primeiro ano fiscal, a meta é atingir 240 milhões de reais, com projeção de alcançar 500 milhões de reais até 2014. “Entendemos que a cloud deve ter um escopo definido, alinhado ao orçamento de cada cliente. Portanto, ela irá se posicionar com divisões e tamanhos diferentes”, diz Cristina Boner, presidente do grupo TBA e do Conselho Administrativo da empresa.
Globalweb e Totvs estão cadastrando ISVs para oferecer oportunidade de parceria para desenvolvimento de aplicações em suas respectivas plataformas. A intenção das empresas é ampliar o leque de opções de aplicativos setoriais em suas nuvens e dessa forma atender a um público eclético. Ambas acreditam que com o crescimento dos negócios apoiados em SaaS, todos ganham, fornecedores, empresas usuárias de variados portes, sem distinção, e a economia nacional. “Não acredito que exista alguém que esteja perdendo com a cloud. Pode estar deixando de ganhar. É questão de afinar a estratégia”, finaliza Figueiredo da IDC. (Fonte: Computerworld)
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21 Dez 2011
Da redação – São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ
Crise e alta do dólar reduzem gasto de turista no exterior em novembro
Brasileiros gastaram no período US$1,564 bi em viagens fora do País; em outubro, volume havia sido de US$ 1,720 bi, segundo o BC
Kátya Desessards, de Porto Alegre / RS
Mônica Siqueira, de São Paulo / SP
Os gastos realizados pelos turistas brasileiros em viagem ao exterior recuaram no mês de novembro, em relação ao período anterior, e totalizaram US$ 1,564 bilhão, equivalente a R$ 2,910 bilhões, segundo informações divulgadas nesta terça-feira pelo Banco Central. Em outubro, o resultado havia ficado em US$ 1,720 bilhão. O recuo foi provocado em parte, pela alta na cotação da moeda americana no período e o receio de que a crise financeira afete de maneira mais expressiva a economia local e a evolução da renda dos brasileiros. O dólar fechou novembro em alta de 6,8%, revertendo em parte a forte queda de 9,51% verificada um mês antes.
Despesas no exterior
Mesmo com o recuo, o resultado é o maior para um mês de novembro, desde o início da série histórica em 1947. Em igual período em 2010, o desempenho ficou em US$1,515 bilhão. Motivado pela desvalorização do dólar, até meados agosto, os gastos dos brasileiros no exterior registraram recordes consecutivos neste ano. A maior marca para um período de 30 dias havia sido registrado em julho deste ano, quando o gasto total dos turistas no exterior alcançou US$ 2,196 bilhões. Em abril, os gastos de brasileiros fora do País haviam sido de US$1,943 bilhão, a segunda maior marca da história em um único mês.
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Com a moeda americana em baixa e o real valorizado, os produtos importados ficaram mais atrativos para os turistas em viagens ao exterior, afetando o desempenho e a competitividade da indústria nacional. A desvalorização do dólar foi provocada pela crise internacional e o aumento na percepção de risco pelos investidores em todo o mundo, no fim do primeiro semestre, com a possibilidade de um calote dos Estados Unidos em sua dívida pública. Esse risco só foi minimizado em julho, após um acordo entre os parlamentares americanos para elevar o teto de endividamento do país.
De olho com os crescentes gastos dos brasileiros no exterior e a alta do real, o governo tomou uma série de medidas para frear o consumo de turistas fora do Brasil. No início do ano, o ministério da Fazenda elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre gastos com cartão de crédito fora do País de 2,38% para 6,38% e também aumentou o mesmo tributo sobre as captações de recursos no exterior de 2% para 6%.
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Mesmo com as medidas da área econômica do governo, os gastos no exterior continuaram crescendo refletindo o bom momento econômico brasileiro e a elevação da renda da população. Mas esse movimento começou a perder força após a piora no cenário internacional.
Investimento estrangeiro direto
De acordo com os dados do Banco Central, a conta financeira registrou ingresso no País de US$ 103,794 bilhões até novembro, volume 12,38% maior que os US$ 92,353 bilhões um ano antes. No mês passado, houve entrada de US$ 7,476 bilhões. Um dos destaques para o período foi a entrada de US$ 3,373 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED). No ano, de janeiro a novembro, ingressaram no País US$ 49,253 bilhões em IED. Esse desempenho é 84,10% maior frente ao mesmo período do ano passado, quando, segundo o BC, o IED totalizou US$ 26,753 bilhões.
Balanço de pagamentos
No ano, até novembro, o balanço de pagamentos, que engloba todas as transações do Brasil com o exterior, registra superávit de US$ 58,112 bilhões, um crescimento de 25,51% em relação a igual período de 2010 (US$ 46,300 bilhões). Em novembro, o saldo está positivo em US$ 1,150 bilhão.
Já as transações correntes – que levam em conta os resultados de balança comercial, serviços e rendas – acumulam déficit de US$ 45,830 bilhões, ou 2,03% do Produto Interno Bruto (PIB). O saldo negativo foi 4,5% maior na compração com o resultado registrado em igual período de 2010 (US$ 43,865 bilhões).
Em novembro, as transações correntes ficaram deficitárias em US$ 6,803 bilhões. No acumulado em 12 meses, o déficit é de US$ 47,365 bilhões, o equivalente a 2,21% do PIB, informou o Banco Central.
A balança comercial acumula superávit de US$ 25,972 bilhões no ano, até novembro, com alta de 74,75% em comparação com igual período de 2010 (US$14,862 bilhões). Em novembro, o saldo positivo foi de US$ 583 milhões.
A conta de serviços, na qual estão incluídos os gastos de brasileiros no exterior, registrou um déficit de US$ 34,025 bilhões no ano, até novembro, aumento de 22% em comparação com igual período de 2010 (US$ 27,872 bilhões). Em novembro, o saldo ficou negativo em US$ 2,831bilhões, 2% maior que o déficit de US$ 2,773 bilhões verificado no mesmo mês em 2010.
Reservas e dívida externa
As reservas internacionais atingiram US$ 352,1 bilhões em novembro de 2011, com retração de US$ 856 milhões em relação ao montante do mês anterior. Não houve operações de compra ou venda por parte da autoridade monetária no mercado doméstico de câmbio no período.
O incremento do estoque das reservas internacionais deveu-se a desembolsos de US$500 milhões concedido pelo Banco Mundial a municípios brasileiros e à receita de remuneração das reservas, que totalizou US$373 milhões. As demais operações externas, relacionadas principalmente a variações de preços e de paridades, exerceram efeito de redução sobre o estoque, de US$1,7 bilhão. A posição estimada da dívida externa total em novembro totalizou US$ 301,5 bilhões, elevando-se US$ 3,2 bilhões em relação ao montante apurado para ouutubr. A dívida de longo prazo atingiu US$256,2 bilhões, aumento de US$3,9 bilhões, enquanto a dívida de curto prazo diminuiu US$650 milhões, para US$ 45,3 bilhões.
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16 Dez 2011
Da redação – São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ
Tecnologias emergentes aceleram fusões e aquisições
Por Edileuza Soares*
Cloud, mobilidade, smart grid e redes sociais estão entre os principais motivos para as associações, informam consultorias.
As tecnologias emergentes que estão ganhando força no mercado impulsionaram os processos de fusões e aquisições e 2011 promete ser o grande ano de associações entre companhias de TI e Telecom, mesmo com a crise dos Estados Unidos e Europa. Para completar ofertas e ter inovação mais rapidamente, muitas estão comprando empresas que tenham plataformas estratégicas.
Assim, encurtam o caminho e não partem do zero para desenvolver as novas soluções que os clientes estão demandando. Estudos de consultorias que acompanham e ajudam a fechar esses negócios revelam que o setor se destaca no exterior, com o Brasil liderando o ranking de transações entre os demais segmentos da economia.
Relatório global da Ernst & Young Terco aponta que o valor de transações de fusões e aquisições entre empresa de TI quase dobrou no segundo trimestre de 2011 em relação ao registrado nos três primeiros meses do ano. Entre abril e junho, os acordos nessa área chegaram a 52,2 bilhões de dólares, com aumento de 92% sobre os 27,1 bilhões de dólares movimentados entre janeiro e março. Em comparação com os 30,8 bilhões de dólares apurados no último trimestre de 2010, a taxa de crescimento é de 69%.
O estudo mostra também que a média dos valores por transação entre abril e junho de 2011 ficou em 194 milhões de dólares, a maior desde o primeiro trimestre de 2000, época do boom das pontocom. Projeções da Ernst & Young Terco sinalizam que as empresas de TI continuam com apetite para compras por terem dinheiro em caixa e considerarem o processo de fusões e aquisições oportunidade para crescimento de seus negócios, mesmo em tempos de crise.
A pesquisa global com as 25 maiores companhias do setor revelou que os investimentos em caixa estimados para essas operações até o final do segundo trimestre de 2011 estavam em 590 bilhões de dólares, 18% acima dos 499 bilhões de dólares reportados no mesmo período em 2010. Esse poder de compra é visto com preocupação pelos analistas da Ernst & Young Terco em razão da divergência entre vendedores e compradores sobre a valorização dos negócios, o endividamento dos EUA e a desaceleração da economia mundial. “Em 2011, as empresas de TI voltaram às compras. Elas haviam recuado após a crise de 2008 para ajustamento de balanços. Acumularam muito caixa e estão capitalizadas e olhando mercados emergentes como oportunidade para crescimento dos negócios no longo prazo, mesmo que a crise priorize as diretrizes dos investimentos”, avalia o líder de Fusões e Aquisições da Ernst & Young Terco no Brasil, Ricardo Reis.
Segundo ele, o combustível que está movimentando as fusões e aquisições entre empresas de TI no mundo são as novas tecnologias como mobilidade, smart grid, vídeo on-line, cloud computing e o avanço das mídias sociais. “Elas perceberam que essas tecnologias são importantes para a estratégia de crescimento delas”. Reis observa que o setor gasta muito com pesquisa e desenvolvimento (P&D) e como as novas tecnologias estão evoluindo com muita velocidade, elas precisam agir rapidamente para se posicionar no mercado.
O consultor menciona como exemplo a expansão da computação na nuvem, que deu uma sacudida no mercado, criando novas alianças para que fornecedores atuem em toda a cadeia de entrega das soluções. “Estamos num momento de muito agito para consolidação das novas vertentes tecnológicas”, afirma Reis.
Pela sua situação mais favorável que outros mercados, o Brasil está na mira dos investidores internacionais. Estudos da KMPG confirmam que o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é o primeiro do ranking das operações de fusões e aquisições. Entre as 62 transações realizadas no período de janeiro a setembro, do estudo que analisou 45 segmentos da economia, 44 foram entre companhias da área. “Confirmando as previsões, ano de 2011 está sendo fantástico para fusões e aquisições no Brasil pelo fato de o País ter se tornado rota de investidores estrangeiros”, diz Luiz Motta, sócio dessa área na KPMG. Mesmo com uma queda de 40% das operações de TIC no segundo trimestre em comparação com o mesmo período de 2010, ele avalia que esse negócio está movimentado e sinaliza que o setor fechará dezembro, mantendo o posto de liderança nessa área.
Ecos de 2010
Estudos da KPMG revelam que em 2010 foram realizadas 72 fusões e aquisições no Brasil, entre elas as transações envolvendo a compra da Vivo pelo grupo espanhol Telefônica e a entrada da Portugal Telecom no controle da Oi. Esse número, segundo Motta, é o dobro das operações registradas em setores como o de alimentos. Ele constata dois movimentos no País. O de atração de companhias internacionais por brasileiras, para entrar mais rapidamente no mercado local, e outro entre empresas nacionais. “TI cria muitas empresas porque a barreira de entrada é menor do que a de outros segmentos e o estoque de empreendimentos é grande”, afirma Motta. Ele dá como exemplo os vários polos de tecnologia espalhados pelo Brasil, que concentram incubadoras distribuídas por verticais e que criam negócios com muita velocidade. Eles crescem e são adquiridos por grandes companhias e por fundos de investimentos que portam capital de risco. O consultor da KPMG cita casos como o da Totvs, que constantemente anuncia novas compras.
O outsourcing também tem contribuído para aumentos dos processos de fusões e aquisições. Motta faz referência a transações envolvendo bancos que terceirizaram equipes inteiras que dão origem a pequenas softwarehouses e prestadoras de serviços que depois são adquiridas.
Entre as 72 transações reportadas pela KPMG no ano passado no País, 28 foram entre empresas brasileiras. Já 17 envolveram multinacionais com atuação no mercado doméstico (como a compra da McAfee pela Intel), enquanto 12 foram de companhias brasileiras que adquiriam estrangeiras estabelecidas aqui. Outras três foram de brasileiras que foram às compras no exterior, como fez a prestadora de serviços de TI Stefanini, que sozinha fechou dois negócios no ano passado nos Estados Unidos.
Os outros dois negócios restantes do total de fusões e aquisições registradas em 2010 no Brasil foram de grupos nacionais que incorporaram empresas internacionais como o acordo celebrado pelos bancos do Brasil e Bradesco para a compra dos 10% de participação da Visa na Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS), emissora dos cartões Visa Vale no País.
O consultor da Ernst & Young Terco no Brasil, Ricardo Reis, avalia que o processo de fusões e aquisições no mercado local é bastante diferente das transações globais. Segundo ele, as operações que estão ocorrendo lá fora são mais entre empresas que compram patentes para ter acesso rápido a uma nova tecnologia. No Brasil, de acordo com ele, 35% das associações envolvendo companhias estrangeiras são para ganhar presença no mercado e reduzir custos operacionais.
Como exemplo, Motta menciona a compra recente da Mastersaf, empresa brasileira de software para área fiscal, que foi adquirida pelo grupo Thompson Reuters. “Um dos fatores para o interesse de organizações estrangeiras pelas brasileiras é para atender a clientes locais”, explica o executivo da KPMG, informando que esse tipo de transação está crescendo no País, principalmente devido ao risco do investimento, considerado menor que aberturas de operações do zero. Essas empresas fecham contratos lá fora para atender a clientes locais e precisam estar aqui, como é o caso da Capgemini que comprou no ano passado a CPM Braxis. (*Especial, da Computerworld)
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8 Dez 2011
Ataques no Brasil chegam a serviços de nota fiscal eletrônica
Depois dos bancos, ciberativistas derrubaram nesta semana redes das Secretarias de Fazenda do estado de São Paulo e da Bahia
por Edileuza Soares*
Um novo tipo de ameaça começa a desafiar a segurança das redes corporativas e a exigir respostas rápidas da TI. São as realizadas em massa por grupos de ciberativistas em movimentos de protestos que têm mais objetivos políticos e ideológicos que financeiros. Eles atacaram recentemente sites de bancos brasileiros e nesta semana derrubaram serviços do governo que processam a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Ficaram foram do ar webservices de pelo menos duas Secretarias de Fazenda. Reportaram que ficaram foram do ar os estados de São Paulo e Bahia, que infomam que não houve perda de dados.
Os dois órgãos ficaram com servidores indisponíveis e as empresas que emitem a NF-e foram direcionadas para a rota alternativa, que é o Sistema de Contingência Nacional (Scan), gerenciado pela Receita Federal. O ataque aconteceu na tarde de terça-feira (07/02) com a técnica de DDoS, chamada de Negação de Serviço Distribuída, que adota redes bots para sobrecarregar os sites, que não conseguem dar conta da demanda e acabam saindo do ar. O problema se estendeu pela quarta-feira e regularizado no final do dia.
Roberto Dias Duarte, professor da Escola de Negócios Contábeis, e especialista no sistema brasileiro da NF-e, explica que, em caso de falha ou manutenção dos servidores das Sefaz, as empresas são avisadas para que possam transferir o processamento para o Scan. Segundo ele, o processamento não chega a ser interrompido e há a opção de as companhias fazerem a impressão no papel em situações de emergência.
Titus Theiss, responsável pela TI da indústria alemã Heller, contribuinte de SP informa que por volta das 19 horas de terça-feira, o servidor do sistema empresarial (ERP), que fica na matriz, não conseguiu mais comunicação nem com o Scan, pois foi bloqueado.
Havia um comunicado da Sefaz-SP no site informando para que as empresas que estivessem sem comunicação cadastrar o endereço do IP. “Devido ao fuso horário, eu consegui o nosso endereço IP de saída só na manhã no dia seguinte”, conta. A Heller solicitou a liberação às 7h15 da quarta-feira e obteve a autorização duas horas mais tarde.
Outras multinacionais que, têm filiais no estado de São Paulo e processam os ERPs no exterior, tiveram o link internacional bloqueado, como foi o caso da fabricante de equipamentos para construção britânica JCB Brasil, a indústria alemã ZF e a norte-americana Grace. Todas precisaram informar o endereço IP de seus servidores, o que segundo os executivos de TI, não foi tarefa simples por ter sido necessário acionar as matrizes e driblar as janelas do fuso horário. Fabio Kruse, gerente de TI da JCB diz que a situação mobilizou o departamento para descobrir se bloqueio ao servidor do ERP era alguma falha interna, já que a Sefaz-SP não fez comunicado. Depois de algum tempo é que o órgão publicou aviso no site, exigindo cadastro dos contribuintes para desbloqueio da conexão.
Confirmação do acidente
Na Bahia, a equipe de TI da Sefaz local estava reunida ontem à tarde analisando a retirada do ar de seus servidores da NF-e por dois dias. O órgão confirmou por meio de sua assessoria de imprensa que foi atacada por grupos ativistas e está investigando o caso.
Desde terça-feira mensagens nos Twitters davam conta de que o governo do estado baiano teve mais de 80% de seus sites retirados do ar e não apenas os servidores que processam a NF-e.
No Estado de São Paulo, a Sefaz justificou que registrou um alto volume de acessos ao seu site na última terça-feira, o que acarretou uma indisponibilidade momentânea aos seus serviços. “Os dispositivos de segurança da Diretoria de Tecnologia da Informação da Fazenda atuaram na identificação e na origem desses acessos, bloqueando as tentativas suspeitas”, informou o órgão por meio de comunicado oficial.
Segundo a Sefaz-SP, “este tipo de ataque em nenhum momento afetou a integridade dos dados da Secretaria da Fazenda. Uma análise mais detalhada sobre o caso está em andamento e os dados coletados serão encaminhados para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado DEIC”, explicou o fisco paulista.
Hoje o Brasil conta com mais 750 mil empresas que emitem a NF-e de diversos segmentos industriais. Não se sabe quantos desses são contribuintes da BA e SP. Nenhuma das duas secretarias divulgou impactos na atividade empresarial com a queda de seus webservices. Segundo Roberto Duarte, dificilmente as companhias ficariam sem faturar por causa de indisponibilidade de sistemas, uma vez que há o Scan.
Reforço das políticas
Fernando Neri, sócio-fundador da Módulo, empresa brasileira especializada em soluções de gestão de riscos e compliance (GRC), avalia que o ataque em massa por grupos ativistas vem para desafiar a infraestrutura das organizações. Ele observa que essa nova modalidade vai exigir respostas rápidas para reduzir o impacto nos negócios.
O executivo compara que o incidente dos serviços da NF-e é um pouco diferente da dos bancos, que sofreram ataques por meio de browser e têm mais dificuldade para filtrar endereços IP de ativistas virtuais. No caso dos webservices dos órgãos de governo, segundo ele, é mais fácil fazer o monitoramento em razão de o fisco poder bloquear a passagem de todos servidores e liberar somente os autorizados.
Foi por esse motivo que a Sefaz-SP suspendeu as conexões internacionais e passou a exigir os endereços IP para comunicação com seus sistemas. Não se sabe se o órgão foi atacado por grupos de fora do Brasil, já que adotou a regra de controlar todas as conexões externas aos seus webservices.
Porém, em ambos os casos, Neri avalia que há prejuizos intangíveis, seja de imagem e reputação das organizações. Sua recomendação para que as companhias privadas e públicas estejam menos expostas a esse tipo de ameaça é que reforcem não apenas os mecanismos de segurança, mas que tenham planos de incidentes detalhados para gerenciar crises.
Ele aconselha também que sejam feitas análises das graduações dos riscos aceitáveis de segurança e todo o negócio. “É importante ter esse tipo de estratégia para saber como dar respostas melhores aos clientes e ao mercado”, aconselha Neri.
O gerente de Engenharia de Sistemas da MacAfee do Brasil, Roberto Antunes, adverte que o Brasil se tornou centro das atenções no mundo e chama a atenção também de crackers e hackerativistas. Esses ativistas, segundo ele, estão medindo forças com as grandes empresas e os governos. Ele sugere que fornecedores de segurança e os setores privado e público criem ações conjuntas para gerar um ambiente mais seguro para uso da internet. *(Especial Computerworld)
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Fev 2012
São Francisco e Nova Iorque / EUA
Facebook vai desbancar sites corporativos tradicionais?
O melhor caminho é integrar os dois modelos para ampliar a presença online da empresa
Todos sabemos que o Facebook é enorme. Tem mais de 845 milhões de usuários ativos ao mês. Metade deles entrando diariamente na rede social. Não à toa, a atividade social está-se infiltrando em muitas facetas dos negócios hoje, a ponto de fomentar a discussão sobre a possibilidade de as páginas dinâmicas do Facebook já terem poder de impactar (ou até mesmo substituir) os tradicionais sites de negócios. As empresas têm recorrido ao Facebook para a realização de campanhas de marketing online, mas é uma boa ideia deixar os sites pontocom tradicionais para trás?
Em grandes empresas, pode ser uma pergunta fácil de responder. A maioria dos sites de grandes empresas é um bicho complexo, em que é crucial a integração entre bancos de dados e sistemas de back-end [muitas vezes proprietários e legados]. Aqui, a troca pura e simplesmente pelo Facebook não funcionaria.
Onde o Facebook pode potencialmente funcionar como uma presença stand-alone na Web é nas pequenas empresas. A Muscle K9, por exemplo, usa a popular app TabJuice para oferecer aos visitantes do Facebook a opção "Compre agora" de sua página na rede social.
Estudo sobre a relação das pequenas empresas e os meios de comunicação social realizado recentemente pela Network Solutions mostrou que as pequenas empresas que usam as mídias sociais estão bastante otimistas com o pay-off da atividade social. O "State of Small Business Report" revela que para 63% das 500 empresas ouvidas o investimento nas redes sociais ajudou a tornar seus clientes mais leais, e 25% estimam que esse investimento tem dado lucro, enquanto apenas 15% acreditam terem perdido dinheiro.
As mídias sociais mais usadas por essas empreas são o Facebook (27%) e o LinkedIn (18%). E o estudo mostra que o crescimento da mídia social ainda não impactou o total de investimentos no website dessas 500 companhias, e está realmente contribuindo para a sua expansão; 62% sentem que o uso desse meio tenha tido qualquer impacto sobre seus investimentos em web, enquanto 27% acreditam que vá resultar em maior gasto. Mas 9% das 500 pequenas empresas ouvidas planejam eliminar seu site tradicional devido os bons resultados obtidos nas redes sociais. Não chega a ser um número impressionante, mas quando você considera que os Estados Unidos é o lar de mais de 27 milhões de pequenas empresas, é evidente que alguns veem valor em usar o Facebook como uma presença web primária.
Por que o Facebook é uma alternativa aos sites tradicionais?
Como a maioria dos serviços gratuitos online [como o Gmail ou WordPress], o Facebook é atraente para os proprietários de pequenas empresas porque é rápido, fácil e gratuito. Codificações e habilidades HTML não são necessárias. É possível criar uma página decente no Facebook para o seu negócio em minutos, sem a necessidade de recorrer à equipe de TI ou ao suporte técnico para fazê-lo.
De acordo com o Facebook, não há nenhum ramo típico entre os pequenos negócios que use mais ou menos a rede social. Em um e-mail enviado à CIO.com, um porta-voz do Facebook afirma que a rede viu todos os tipos de pequenas empresas usarem o Facebook, tais como restaurantes, cafés, lojas, varejistas online de cosméticos, equipamentos esportivos e lojas de música".
Portanto, para algumas dessas pequenas empresas, usar o Facebook em vez de construir um site faz todo o sentido: é uma maneira fácil tornar o seu número de telefone e endereço disponíveis para os usuários da Internet e chegar aos clientes. Ser livre, é especialmente atraente para empresas com pouca verba que precisam de uma presença online.
Por que o Facebook não pode substituir a maioria dos sites corporativos?
Diane Buzzeo, CEO e fundador da Ability Commerce, provedora de software de comércio eletrônico, diz que acha que o Facebook e sites como o seu continuarão a se fundir, mas ela não acredita que a mídia social chegue um dia a desbancar por completo os sites de comércio eletrônico e os motores de busca.
Agora, o ecommerce no Facebook (ou F-commerce, se você gosta de buzzwords) é uma oferta ainda limitada, que não fornece uma experiência de comércio eletrônico completa para o cliente. Na melhor das hipóteses, F-commerce pode apresentar novos produtos ou ser um novo canal de vendas atrelado à sua loja online, com ofertas limitadas, oferecidas por grandes marcas. É o que vem fazendo, no Brasil, o Magazine Luiza (veja o vídeo). A iniciativa Magazine Você permite aos usuários do Facebook e do Orkut criarem a própria loja na rede social e ganharem comissões de 2,5% ou 4,5% por cada venda. Toda a operação fica por conta do site de e-commerce do Magazine Luiza, que garante a segurança dos dados de pagamento, e o sigilo das informações, além de toda a logística de entrega.
"Eu acho que as mídias sociais são incrivelmente valiosas e têm enorme potencial para a obtenção de informações, mas você ainda precisa levar as pessoas para a loja online para fazer o pedido", disse ela.
Na opinião de Buzzeo, a tendência, por enquanto, é uma integração cada vez maior do Facebook com o carrinho de compras site de e-commerce tradicional. Se um cliente olha para um produto na sua página do Facebook e clica nele, o item deve ser adicionado ao seu carrinho no site de comércio eletrônico, quando o cliente estiver conectado.
Outra questão a considerar é que o Facebook é um "intermediário" e você não opina sobre a plataforma, como ela muda e sua política de privacidade, como você faria no seu próprio site. Uma preocupação para qualquer negócio é a perda potencial do seu perfil de negócios (e todos os seus conteúdos e contatos do cliente). Isso pode acontecer se você descumprir os termos de serviço.
O ecossistema Facebook é novo e a plataforma está em constante mutação. Na opinião de Peter Kim, diretor de estratégia de SaaS do Dachis Group, a relação com a rede social é muito parecida com a relação com as empresas de leasing. "Sua página é hospedada pelo Facebook e você tem de jogar pelas regras dele. Algumas mudanças são lançadas sem preocupação com o que você tem ou deixa de ter", disse ele. "Se você tem um pequeno negócio, é fácil construir uma página na rede social e difícil mantê-la ao longo do tempo, não só a partir de uma gestão comunitária, mas de uma perspectiva tecnológica também."
Não escolha um. Integre
Portanto, os especialistas não veem como uma grande vantagem a substituição de um site do negócio por páginas no Facebook, ao menos nos próximos cinco anos. A grande mudança está na integração dos dois modelos.
Até o Facebook concorda. De acordo com a gigante de redes sociais, potencialmente, páginas dinâmicas do Facebook poderiam substituir sites estáticos para as pequenas empresas, mas o Facebook diz que a maioria das empresas usa a plataforma de redes sociais em conjunto com o seu próprio site, para maior liberdade e exposição da marca, serviços e produtos.
Usar o Facebook como parte de uma presença integrada é sim uma boa ideia. (Fonte: da CIO/ EUA)
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Jan 2012
Da redação - São Paulo / SP
TIC do Brasil deverá crescer acima de 10% em 2012
IDC e Gartner estimam ainda que aquecimento do mercado interno reduzirá impactos da crise mundial
por Edileuza Soares
Mesmo com a crise mundial e a desaceleração da economia nos Estados Unidos, o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) continuará vivenciando crescimento em 2012. Analistas preveem que o segmento no País registrará taxa de aumento acima de dois dígitos, com projeções entre 10% e 13%. Esse índice está bem acima da taxa de incremento estimada para o Brasil em 2012. Projeções de economistas e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) são de que o Produto Interno Bruto do País para o próximo ano ficará em torno de 3%. Já o PIB industrial está previsto em 2,3%.
Pelas análises do instituto de pesquisas Gartner, mercados emergentes de TI como 0 Brasil crescerão em 2012 acima da média global, estimada em 4,6%. O setor de TI no País registrará elevação de mais que o dobro, podendo alcançar taxas acima de 10% no próximo ano. Os investimentos na área para 2012 estão previstos em 143,8 bilhões de dólares.
Até 2015, a consultoria projeta que o mercado brasileiro de TI experimentará taxa de crescimento anual de 9,9%. As companhias da América Latina vão investir 384 bilhões de dólares em TI até 2015, segundo o Gartner. O Brasil responderá por mais de 40% dos negócios. Entre as tecnologias que vão levar a maior parte dos orçamentos dos CIOs em 2012 estão soluções para cloud computing, mobilidade, redes sociais e gerenciamento de Big Data. Na avaliação de Peter Sondergaard, vice-presidente mundial do Gartner, o Brasil não deverá ser tão afetado pela crise financeira mundial. Ele destaca que o País tem consumo interno aquecido e mercado diversificado de exportação.
Sondergaard lembra da crise de 2008, quando o Brasil conseguiu se sair bem. Ele observa que as organizações brasileiras abraçaram a recessão global como uma oportunidade e buscaram a tecnologia como um fator decisivo, o que ajudou o País a se recuperar rapidamente na demanda e crescimento de TI. “Os CIOs brasileiros têm a oportunidade de se tornarem líderes mundiais na adoção de TI”, avalia.
Assim como o Gartner, a consultoria IDC acredita que as perspectivas são boas para o mercado brasileiro de TI em 2012. Os números e as metodologias de ambas são diferentes, mas as taxas de crescimento previstas estão nos mesmos patamares.
Pelas análises da IDC, o setor de TI deverá movimentar 81,1 bilhões de reais em 2012, com crescimento projetado de 11,6% sobre os 72,6 bilhões de reais estimados para 2011, uma vez que o balanço ainda não está fechado.
Anderson Figueiredo, gerente de Pesquisas da IDC Brasil, acredita que a divisão da pizza dos investimentos em 2012 não deverá sofrer muita variação em comparação com 2011. De acordo com a consultoria, em 2011, os negócios com hardware deverão representar a maior parcela dos gastos, respondendo por 54,5% da receita total do setor.
Software contribuirá com 13,5% e os 33 restantes serão gastos com serviços, área que vem crescendo nas companhias que estão recorrendo mais ao modelo de outsourcing.
O setor financeiro deverá manter-se à frente dos investimentos de TI no Brasil em 2012. Mas o analista da IDC aponta outros segmentos da economia que vão aumentar as compras. Um deles é o de telecomunicações, que enfrenta a concorrência acirrada e vai contratar mais tecnologia. As verticais de manufatura, serviços, saúde, educação e turismo prometem gerar bons pedidos para a indústria no próximo ano.
O analista da IDC avalia que o setor de TI do Brasil continuará em alta nos próximos dois anos pelas condições favoráveis do País. “Nossa TI é quase que totalmente dependente do mercado interno, que está bastante aquecido”, diz Figueiredo. Como as exportações ainda têm peso pequeno nesse negócio, ele acha que a desaceleração da economia na Europa e EUA impacta menos no País.
Figueiredo constata uma demanda reprimida no mercado brasileiro, citando como exemplo o consumidor final, que está mudando de classe e comprando mais tecnologia. O crescimento da economia local também fez com que as pequenas e médias empresas (PMEs) buscassem mais soluções tecnológicas para melhorar a gestão de suas operações, gerando mais pedidos para as indústrias de TI.
Declínio das vendas de PCs
Apesar dos ventos favoráveis, o mercado de TI no Brasil cresceu menos em 2011, comparado com 2010. O aumento de 11,6% de receita ficou bem abaixo dos 20% registrados no ano anterior, segundo informa o analista da IDC.
Para Figueiredo, a queda não pode ser considerada um fator negativo. O declínio tem mais a ver com a estabilização do setor, que ficou estagnado em 2009 e conseguiu se revitalizar em 2010, atingindo expansão recorde.
Esse efeito foi visível no mercado de PCs que fechou 2011 com a venda de 15,3 milhões de unidades, 9% mais que os 14 milhões de computadores reportados em 2010, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O aumento ficou bem abaixo dos 17% registrados no exercício anterior, gerando descontentamento na indústria que esperava desempenho melhor dos negócios.
Pelos dados da Abinee, com exceção de 2009, quando o mercado brasileiro de PC fechou com o mesmo volume de vendas de 2008, o aumento de 9% registrado em 2011 foi o menor desde 2004.
Na avaliação de Hugo Valério, diretor de Informática da Abinee, a retração do mercado de PC no Brasil em 2011 pode ser atribuída à soma de alguns fatores. Um deles é o efeito cambial que acabou impactando no volume de vendas. As mudanças tecnológicas e o interesse dos consumidores pelos tablets também contribuíram para redução da demanda.
De acordo com a pesquisa, do total de computadores vendidos no Brasil neste ano, 9 milhões foram de notebooks e os 6,2 milhões de desktops. A Abinee não contabilizou nesses números a comercialização de tablets, em razão da maior parte desses portáteis ofertados no mercado local ter entrado no País via importação.
Desse total, 74% das vendas foram de equipamentos legalizados e 26% adquiridos no mercado cinza. Segundo a entidade, a comercialização de máquinas no mercado paralelo subiu 2% em 2010, quando as vendas oficiais representaram 76% das entregas de computadores no Brasil. Com base nos resultados de 2001, as previsões da indústria de PC para 2012 não são muito otimistas. A taxa de crescimento projetada pela Abinee é de 9% com a venda de 16,7 milhões de máquinas.
Otimismo com cautela
O CEO da Itautec, Mário Anseloni, comenta que sentiu um recuo dos negócios em 2011 e espera que o ano de 2012 seja melhor. Ele afirma que a fabricante avançou no seu plano de reestruturação, traçado há um ano e meio para fortalecer a operação no mercado local e externo, mas que o balanço não foi tão positivo como em 2010.
Nos nove primeiros meses de 2011, o faturamento da Itautec foi de 1,07 bilhão de reais, inferior em 6,9% em relação ao mesmo período de 2010. Anseloni justificou que a queda foi devido a uma redução nos pedidos dos bancos, que, segundo ele, ficaram mais temerosos e compraram menos ATMs. Os governos também contrataram menos tecnologia, de acordo com o executivo. "Em 2010, a economia estava mais ativa e em 2011 percebemos redução dos investimentos por causa do cenário menos favorável. Nossa expectativa é que o mercado reaqueça em 2012”, afirma o presidente da Itautec, que assumiu o cargo, após deixar o comando da HP Brasil, há um ano e meio, com a missão de dar novo rumo para a fabricante nacional.
Uma das apostas da Itautec para 2012 é a conquista de uma fatia das vendas de tablets para o mercado corporativo. A empresa quer também aumentar a penetração no setor de consumo, segmento que a companhia ficou de fora por algum tempo e está voltando com investimentos, principalmente em notebooks, para cativar compradores da marca.
A NCR, concorrente da Itautec na venda de ATMs para bancos, não tem muito do que reclamar. “Esse mercado cresce entre 4% e 5% ao ano”, informa o presidente da companhia no País, Elias Silva, prometendo artilharia pesada em 2012 para fortalecer a filial da empresa norte-americana no Brasil.
Segundo o executivo, a NCR é número um no fornecimento de caixa eletrônico para bancos no mercado mundial, mas não conquistou ainda essa posição no Brasil nem na Colômbia. A meta da empresa é chegar ao primeiro lugar nesses mercados em três a cinco anos.
“Queremos ser os primeiros com rentabilidade”, afirma o presidente da NCR, que prevê que 2012 será tão bom para a companhia quanto 2011. “Estamos dobrando os negócios aqui e vamos continuar com a estratégia de oferecer máquinas 100% customizadas. Um equipamento que faço para o Itaú não é o mesmo entregue ao HSBC”, diz ele.
O modelo de entrega de produto sob medida é diferente de quando a companhia chegou ao Brasil, com o fornecimento de soluções padronizadas, como acontece na Europa e Estados Unidos. A empresa investiu em fabricação local e pesquisa e conseguiu criar sua fórmula para agradar os compradores brasileiros. Em 2011, reforçou operação com um acordo com a Scopus, do grupo Bradesco, para aumentar a capacidade de produção em Manaus.
O clima também é otimista na Avaya. “Acreditamos no mercado brasileiro e temos uma agenda de crescimento para o País”, garante Nelson Campelo, que acaba de assumir o cargo de presidente da subsidiária local, com metas agressivas.
O executivo prevê uma decolagem no Brasil dos serviços de comunicação unificada. A companhia está investindo em ampliação do seu leque de produtos para que os clientes possam fazer uso maior dos recursos de colaboração, integrando equipes por qualquer tipo de dispositivo, independente e em rede.
“Estamos prevendo para 2012 crescimento de 15% para o nosso ano fiscal, que começou em outubro”, afirma Campelo, anunciando expansão geográfica para duas novas praças no próximo ano que são as filiais de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Apostas em serviço
A Stefanini promete avançar nos mercados nacional e externo em 2012 com anúncio de investimentos de 300 milhões de reais para os próximos três anos. Metade desse capital ficará no Brasil, onde há disposição para aquisições. Os novos investimentos são para sustentar o crescimento da companhia, que fechou 2011 com receita de
1,2 bilhão de reais, com aumento de 21% em comparação com o faturamento de
1 bilhão de reais movimentado em 2010. O Brasil respondeu por 60% dos negócios e o mercado internacional por 40%.
Para 2012, as metas da Stefanini são maiores. A empresa projeta ampliação de receita de 35% e espera encerrar o exercício com 1,6 bilhão de reais. A abertura de capital permanece nos planos da companhia, mas sem data definida para acontecer. O fundador Marco Stefanini acha que IPO é algo para 2015. “O ano de 2011 foi de muito crescimento e não fomos impactados pela crise mundial”, comemora Stefanini. A prestadora de serviços de TI tem clientes em todos continentes, incluindo Europa e Estados Unidos onde a economia está em ritmo lento.
Menos entusiasmo na Abinee
Empresários da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) demonstram menos entusiasmo com as previsões dos analistas para o mercado de TIC para 2012. O setor estima para o próximo ano receita de 152,5 bilhões de reais, com aumento de 13%, mas segundo a Abinee atingir essa meta depende de ações do governo. “O cenário é de incertezas por causa dos rumos da economia do País e da crise internacional”, diz o presidente da entidade, Humberto Barbato.
A indústria ficou desapontada com os resultados do setor em 2011, quando havia previsão de crescimento de 13% e o balanço final foi faturamento de 134 bilhões de reais, com aumento de 8% comparado com os resultados de 2010. Um dos fatores que contribuíram para a queda, segundo Barbato, foi a política cambial, que mantém o real supervalorizado frente ao dólar, impactando principalmente as exportações.
“Essa situação tem provocado perda de competitividade do setor eletroeletrônico, tanto no mercado externo quanto no interno”, reclama Barbato. Ele aponta o aumento do déficit do setor, que em 2011 atingiu 32 bilhões de dólares, 18% acima do ano anterior, resultado das importações que alcançaram 40 bilhões de dólares, enquanto as exportações não chegaram aos 8 bilhões de dólares.
Um dos exemplos disso é a importação de celulares que aumentou 111% no primeiro semestre de 2011, preocupando as fabricantes nacionais. As compras de terminais produzidos fora do País movimentaram 490 milhões de dólares no primeiro semestre, ante 232 milhões de dólares no mesmo período em 2010.
“Não estamos conseguindo colocar os nossos produtos no quintal [na América Latina] por causa da desindustrialização”, afirma Barbato, que espera que o governo adote medidas de incentivo para os que produzem aqui, com revisões do Processo Produtivo Básico (PPB).
Em encontro com os empresários em dezembro, em São Paulo, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, garantiu que o governo federal está alinhavando um programa para preservar a indústria nacional. Ele anunciou que as mesmas exigências de nacionalização da lei de incentivos dos tablets podem ser estendidas para os celulares, notebooks e PCs. “Vamos aprofundar as exigências de PPB e aumentar as exigências de conteúdo local em todas as cadeias estratégicas”, disse Mercadante, informando que iniciativas similares as que estão sendo implementadas no setor automobilístico podem ser levadas a área de TIC. No setor automotivo, o governo brasileiro está exigindo um índice de 65% de nacionalização dos automóveis montados no Brasil. O ministro afirma que na China essa porcentagem chega a 90%.
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Jan 2012
Da redação - São Paulo / SP
Profissionais de TI estão mais valorizados no Brasil
Consultorias revelam que a falta de talentos qualificados inflacionou salários com taxas de aumento de até 20%
por Edileuza Soares
O crescimento acima de 10% do mercado de TI no Brasil e a taxa cambial ajudaram a supervalorizar os profissionais do setor. Atualmente, os executivos brasileiros da faixa “C-Level”, que ocupam altos cargos, estão entre os que recebem os melhores salários em comparação com os que desempenham a mesma função em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e Cingapura, constatam pesquisas de consultorias de recursos humanos. A situação favorável do País tem despertando interesse de talentos estrangeiros a virem para cá, principalmente os de regiões onde a crise econômica reduziu as ofertas de emprego.
Esse cenário aumentou ainda mais o custo da mão de obra de TI no Brasil, que já era considerado um dos mais altos do mercado mundial por conta da pesada carga de impostos. O encarecimento dos profissionais gera impacto em organizações que atuam com projetos globais. Alternativas estão sendo buscadas para minimizar o problema e companhias esperam que a Medida Provisória (MP) 540/11, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, desonerando a folha de pagamento, ajude a reduzir gastos com recursos humanos.
A MP faz parte do Plano Brasil Maior lançado pelo governo federal para melhorar a competitividade de alguns segmentos da economia nos mercados local e externo. Entre os contemplados estão desenvolvedores de software e prestadores de serviços de TI que foram beneficiados com a substituição da taxa de 20% da contribuição previdenciária por uma cobrança de 2,5% sobre o faturamento. A isenção foi aprovada por um período de dois anos e vale até dezembro de 2014.
“Estamos pagando mais para os profissionais porque o Brasil ficou muito tempo sem investir em TI. Hoje, nossos investimentos são duas vezes e meia maiores que a média mundial”, analisa Lucas de Toledo, gerente-executivo da divisão de Tecnologia da consultoria Michael Page, especializada na contratação de executivos. Ele constata que as companhias estão contratando especialistas e pagando mais para ter bons talentos.
David Braga Dasein, gerente-geral da Dasein Executive Search, outra consultoria que recruta executivos do alto escalão, contabiliza que o volume das contratações de TI no Brasil só perde para o setor comercial. A busca por talentos é para atender à demanda das companhias do País que, segundo o instituto de pesquisas Gartner, vão aumentar em 10% os gastos com tecnologia até 2014. Para 2012, a consultoria estima que os investimentos serão da ordem de 143,8 bilhões de reais.
Como o Brasil tem déficit de talentos de TI, Braga afirma que a escassez ajuda a inflacionar os salários. Isso em razão de os profissionais serem mais assediados. O professor do curso de pós-graduação da Fiap, Sérgio Alexandre Simões, que também é sócio da PriceWaterhouseCoopers (PwC) Brasil, acredita que o encarecimento da mão de obra no País é reflexo da valorização do real frente ao dólar e dos movimentos de formalização dos contratos trabalhistas.
“Há cinco anos, os modelos de contratação de ‘PJ’ (Pessoa Jurídica) e ‘Pejotinha’ eram muito praticados no Brasil. Com o aumento dos processos trabalhistas, muitas companhias oficializaram os contratos e os profissionais ficaram mais caros. Pela CLT, eles custam o dobro para as empresas”, diz o consultor Simões.
Salários do mercado brasileiro - Uma confirmação de que as companhias estão pagando mais para os profissionais de TI é o Guia Salarial 2011-2012, realizado ela consultoria Robert Half, especializada em recrutamento de talentos. O estudo com organizações pequenas, grandes e médias constatou que os empregados do setor tiveram valorização salarial média em torno de 20% no último ano.
Segundo a consultoria Robert Half, um dos motivos da valorização dos profissionais brasileiros é a alta demanda por TI no País nos diversos segmentos da economia, principalmente em áreas como Finanças, Indústria e Serviços. Os talentos mais reconhecidos são os que possuem perfis mais seniores e que, além de conhecimentos técnicos, têm visão estratégica. Ou seja, são os que sabem transformar tecnologia em negócios.
Os que sabem traduzir os anseios das linhas de negócios em projetos de TI e convencer o board sobre a necessidade de investimento em determinada área, são hoje os mais cotados. “O profissional que consegue mesclar excelência técnica com habilidades de negociação e comunicação, por exemplo, é muito demandado e está entre os mais valorizados em salário no último ano”, explica Maria Paula Menezes, gerente da divisão de TI da Robert Half. Ela dá o exemplo do teto salarial de um analista de negócios no nível de entrada que aumentou de 5 mil reais em 2010 para 6,5 mil reais em 2011.
O estudo “O mercado de profissionais de TI no Brasil”, que acaba de ser divulgado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), revela que os salários do setor crescem acima da inflação na maioria dos estados desde 2003. Como resultado disso, a média mensal do salário de TI para quem tem nível superior é de 2.950 reais, quase o dobro da nacional que é de 1.499 reais.
As remunerações de TI variam de acordo com o estado. Um analista de desenvolvimento de sistemas, por exemplo, pode ganhar mensalmente 3.980 reais no Distrito Federal, 3.415 reais no Rio de Janeiro e 2.950 reais em São Paulo. Se essa mesma pessoa estivesse empregada no Paraná ou Bahia, seu salário seria mais baixo e em torno de 2,2 mil reais. Na média nacional, a remuneração desse profissional é 2.862 reais por mês.
Apesar das boas oportunidades de emprego no setor, a evasão nos cursos superiores de TI chegou a 87% no País em 2010, segundo estudo da Brasscom. A associação mapeou o mercado de profissionais de TI em oito estados para analisar essa contradição e tentar entender as causas do déficit de mão de obra, com previsões de aumento em 2011 para 92 mil pessoas.
Hoje, a demanda por talentos no País é maior do que o número de jovens que saem anualmente das universidades, agravando o problema da escassez por talentos qualificados. Um exemplo disso é o estado de São Paulo, que contratou 14 mil profissionais de TI em 2010 e as instituições de ensino formaram 10 mil estudantes.
A pesquisa prevê que em 2014 haverá uma demanda por 78 mil profissionais de TI nas oito unidades da federação analisados (SP, RJ, PR, DF, MG, BA, PE e RS), enquanto que o número de formandos não alcançará nem a metade disso. As projeções indicam que apenas 33 mil estudantes de cursos na área sairão das universidades nos próximos três anos. Os únicos estados que terão talentos na quantidade necessária são BA, MG e PE.
O presidente da Brasscom, Antonio Rego Gil, é a favor de uma redistribuição das vagas nas universidades brasileiras, com cursos que atendam à demanda das empresas do setor e nos locais onde elas estejam instaladas. “As próprias companhias de TI podem reestruturar suas operações de acordo com o panorama apresentado pelo estudo”, orienta o executivo.
Em busca de alternativas - O problema do déficit de profissionais de TI gera impacto para as companhias na hora de contratar novos talentos ou de realizar projetos globais, colocando por vezes o CIO brasileiro numa saia justa. Fernando Birman, diretor de Sistemas de Informação da Rhodia para a América Latina, admite que não é fácil justificar para matriz, na França, o alto custo da mão de obra do Brasil.
A Rhodia opera com times globais de TI. A subsidiária brasileira, que tem uma equipe de 90 profissionais, atende aos Estados Unidos e centros de competência mundial da fabricante. A realização de projetos é feita por um grupo misto de profissionais distribuídos pelo mundo para aproveitar as habilidades de cada um. O Brasil se destaca pela sua expertise no sistema de gestão empresarial (ERP) da SAP, em Business Intelligence e infraestrutura.
“Antes, o nosso custo não aparecia tanto e até dava para disfarçar. Agora, com a valorização do real, o custo do pessoal técnico do Brasil está próximo ao da Europa”, conta o CIO. Geralmente, os talentos envolvidos nos projetos globais são de nível sênior e com bagagem para atender às demandas da companhia.
A forma que ele encontrou para se defender é argumentar que não pode substituir os técnicos com muito conhecimento. “Eles conhecem os processos de negócio e são bons em qualquer lugar do mundo. Vamos ter dificuldade para encontrar talentos como esses não só no Brasil como nos Estados Unidos e Europa”, diz.
Para convencer a matriz a não mexer no seu time, ele justifica que o Brasil deixou de ser “low cost” para tornar-se uma equipe de alta qualidade. Como não haverá corte, as contratações de nível sênior não aumentarão. A empresa investirá em novos talentos e tentará capacitá-los de acordo com as necessidades da Rhodia.
Interesse dos estrangeiros - Assim como a Rhodia, outras multinacionais estão buscando alternativas para equilibrar o alto custo da mão de obra de TI no Brasil. Algumas estão repatriando talentos que estão no exterior e outras até procurando profissionais mais baratos em outros mercados.
Lucas Toledo, da Michael Page, informa que algumas fazem outsourcing de talentos localizados em outros países e até de mercados vizinhos na América Latina. Ele constata que o processo de imigração é caro e que as empresas têm de oferecer ao empregado uma contrapartida para que ele se mude para o Brasil. Por isso, os convites para transferência de estrangeiros para cá são mais para executivos do alto escalão.
Mesmo assim, as consultorias estão sendo bombardeadas por candidatos estrangeiros a uma vaga no mercado local. “Recebo uma média de 40 currículos por dia de profissionais de TI de diversos níveis querendo trabalhar no Brasil”, informa Braga, da Dasein Executive Search.
“Chega diariamente por aqui entre dez e 15 currículos só de candidatos de TI”, contabiliza Toledo, da Michael Page. Segundo ele, a procura é maior por talentos entre 25 e 35 anos, que estão mais dispostos a fazer mudanças e correr riscos.
“Somos menos procurados pelos heads, mas já fomos acionados por CIOs de bancos dos EUA, querendo vir para o Brasil”, revela Toledo. Eles sentem-se atraídos pelas oportunidades de emprego e perspectivas de ganhos. “Vários heads de TI do Brasil têm salários maiores que os que atuam nas matrizes, no exterior”, afirma o headhunter. Eles consideram a situação favorável do Brasil e a maturidade do mercado interno em TI oportunas para evoluírem na carreira.
Quando vêm para cá, nem todos conseguem se adaptar ao ritmo de trabalho dos executivos brasileiros, acostumados com as longas jornadas. “Alguns gestores trabalham até às 23 horas e essa realidade não é vivida por outros países”, constata.
Em sua opinião, o brasileiro trabalha mais não por ser improdutivo ou gerenciar mal o seu tempo, mas porque é obrigado a lidar com a ineficiência operacional do Brasil. O executivo tem de conhecer a burocracia logística, os problemas tributários e administrar todas as dificuldades do País. “Os executivos brasileiros têm maestria para gerenciar problemas em tempos de crise. Eles são competentes e tudo isso impacta nos salários”, afirma o headhunter da consultoria internacional Dasein.
7 profissões que serão bem remuneradas em 2012
As companhias brasileiras vão continuar investindo fortemente em TI no próximo no e algumas profissões serão mais valorizadas. Confira abaixo quais talentos estarão em alta:
1. Desenvolvedores de aplicativos móveis
Profissionais de TI com habilidade para desenvolver para dispositivos móveis vão ocupar posição de destaque no mercado até 2013. As companhias precisam desses talentos para adaptar seus sites e aplicativos para smartphones e tablets.
2. Desenvolvedores de software
Desenvolvedores de aplicativos baseados em PC não devem se sentir desprezados por seus colegas móveis. As empresas precisam de sua quota de Java, .NET, C#, SharePoint, e desenvolvedores web. Java continua sendo uma plataforma quente, por ser aberta, falar com qualquer sistema de back-end, e ser usada em grandes organizações para transferir dados de sistemas legados.
3. Designers
Muitas empresas estão desenvolvendo aplicativos para PCs ou dispositivos móveis, voltados para o cliente. Elas vão precisar de designers de UE (User Experience) para entregar aos usuários aplicações intuitivas e divertidas de usar.
4. Profissionais de segurança
Como as ameaças à segurança da informação e as crescentes violações de dados, as organizações precisam de profissionais de TI que possam afastar ataques de malware e ladrões cibernéticos. A migração para nuvem também vai aumentar demanda por especialistas em segurança de infraestrutura.
5. Arquitetos de data warehouse, analistas e desenvolvedores
O desejo das empresas para extrair percepções dos petabytes de dados em seus sistemas de back office impulsionam a demanda por arquitetos de data warehouse, analistas e desenvolvedores. As empresas farão um grande esforço em 2012 para limpar e organizar seus dados para que possam fazer melhor uso deles.
6. Profissionais de infraestrutura
Computação em nuvem não vai eliminar empregos em infraestrutura. Em 2012, as migrações para cloud computing e Windows 7 aquecem a busca por engenheiros de rede e administradores de sistemas. Estarão em alta também os profissionais que saibam configurar e gerenciar servidores virtuais.
7. Especialistas em web e-commerce
A popularização das redes sociais e a necessidade de as empresas estarem presentes na web vão exigir a contratação de especialistas em web e principalmente em e-commerce. Com as baixas de varejistas virtuais no Brasil, especialistas em RH acreditam que haverá esforço maior das companhias em 2012 para atender os consumidores on-line.
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Jan 2012
Da redação – Lisboa / Portugal
Os cinco novos projetos prometem reforçar batalha do opensource em 2012
Tecnologias aproveitam movimento de cloud e redes sociais para elevar o código aberto e tentar conquistar usuários finais que não dominam Linux
Por Maria João Freitas, correspondente i-press.biz
O sucesso do Linux e do Apache é bastante conhecido, mas outras tecnologias de código aberto estão em ascensão e deverão ganhar mais espaço no mercado. Entre as quais cinco prometem se destacar em 2012 são: Nginx, Openstack,Stig, Linux Mint e Gluster.
Em 2012, se tudo correr conforme o planejado, a Red Hat deverá tornar-se a primeira empresa de software opensource a gerar mais de mil milhões de dólares em receitas. Será um marco para a comunidade de código aberto, que há muito tempo vê a sua abordagem de desenvolvimento baseada em comunidades como uma alternativa viável. ”Estamos percebendo uma mudança fundamental sobre onde a inovação começa a acontecer, deixando os enormes laboratórios das empresas de software, e emergindo das enormes comunidades de código aberto”, defende Jim Whitehurst, presidente e CEO da Red Hat.
O opensource tem deixado o mundo do software proprietário em tumulto durante os últimos anos. O Linux, Apache Web Server, Perl, Apache, Hadoop, OpenOffice e GIMP têm disputado mercado com programas comerciais concorrentes. Mas quais serão os pesos pesados do opensource no futuro? Há cinco projetos para acompanhar de perto em 2012 e que podem formar a base para novos negócios e indústrias. Ou podem apenas seduzir as mentes dos programadores e administradores com formas de fazer alguma coisa mais facilmente, ou pelo menos, menos cara.
Veja a seguir quais são essa tecnologia que prometem dar um novo gás em 2012 ao ambiente de código aberto, segundo os especialistas:
1 – Nginx - Durante a maior parte da última década, a oferta de software para servidores Web têm sido bastante estável. O Apache tem sido utilizado na maioria dos servidores Web, enquanto o Microsoft IIS (Internet Information Services) é usado no resto. Entretanto, a utilização de um terceiro software, o Nginx (pronuncia-se em inglês “engine-x”), passou a ser considerada graças a sua capacidade de lidar facilmente com elevados volumes de tráfego. O Nginx está sendo executado em 50 milhões domínios de internet, com participação de 10% do ambiente web, estimam os vários programadores de software.
Essa tecnologia é particularmente utilizada em sites de alto tráfego, tais como Facebook, Zappos, Groupon, Hulu, Dropbox, e WordPress. O Nginx foi criado por Igor Sysoev em 2004, especificamente para lidar com um grande número de usuários simultâneos, com capacidade para gerenciar até dez acessos mil por servidor. “É uma arquitetura bastante enxuta”, disse Andrew Alexeev, co-fundador de uma empresa fornecedora de uma versão comercial do software. Ele diz que 2012 promete ser de grande adoção do Nginx. Em 2010, ano passado, o projeto recebeu três milhões de dólares de apoio de uma série de empresas de capital de risco, incluindo capital do CEO da Dell, Michael Dell.
A empresa de Alexeev formou uma parceria com a Jet-Stream para fornecer o Nginx para uma plataforma de Content Delivery Network. O fornecedor de software também está trabalhando com a Amazon para atuar como integradora do serviço de cloud AWS (Amazon Web Service).
Além de uso em operações de grande porte na web, Alexeev acredita que o Nginx será utilizado mais ampla pela nuvem e serviços compartilhados. “Este é o universo onde poderemos adicionar mais benefícios”, considera o executivo. O grande lançamento do software está previsto para este ano, com uma versão mais flexível para ambientes compartilhados. O produto promete melhorias também para lidar com ataques de Distributed Denial of Service (DDoS) e recursos adicionais de segurança.
2 – OpenStack - O projeto OpenStack chegou relativamente tarde para participar da festa de cloud computing, mas traz uma característica particularmente indispensável: capacidade de expansão. “É importante destacar a possibilidade de o OpenStack ser processado em 100 ou até mesmo mil servidores. Outras opções não têm escala para esse volume de processamento”, diz Jonathan Bryce, presidente do OpenStack Board Policy Project.
Desde o seu lançamento em julho de 2010, o OpenStack ganhou rapidamente apoio de grandes fornecedores de TI interessados que estão disputando cloud computing, como HP, Intel e Dell. Os “devotos” do OpenStack afirmam que o projeto já conta com a adesão de mais de 144 empresas e 2,1 mil participantes. A Dell lançou um pacote, chamado Dell OpenStack Cloud Solution, o qual combina o OpenStack com servidores da própria empresa e software. A HP anunciou um serviço de cloud ainda em beta com a tecnologia.
Os componentes do núcleo computacional do OpenStack foram desenvolvidos no centro de investigação Nasa Ames, para suportar uma cloud interna de armazenamento de grandes quantidades de imagens espaciais. Originalmente, os administradores da Nasa tentaram usar o software Eucalyptus como plataforma de projetos de software.
Entretanto, a agência espacial americana enfrenta desafios para expandir o uso desse software, de acordo com Chris Kemp, que supervisionou o desenvolvimento do controlador de cloud OpenStack, quando era CIO do Nasa Ames.
Para promover uma adoção mais vasta, o OpenStack está sendo equipado com uma série de novos recursos para torná-lo mais atrativo para as empresas, disse John Engates, CTO da Rackspace fornecedor da solução. Um projeto, chamado Keystone, permitirá que as organizações integrem o OpenStack com os seus sistemas de gestão de identidade, baseados em Microsoft Active Directory ou outras implantações de LDAP (Lightweight Directory Access Protocol).
Além disso, os programadores estão trabalhando num portal de interface para o software. A Rackspace fez uma primeira parceria com a Nasa para “empacotar” o OpenStack para uso generalizado. Mas está também apresentando o projeto como uma entidade totalmente independente, na esperança de ser uma opção atrativa para os fornecedores de cloud computing. “2011 foi o ano de desenvolvimento para a base do produto, mas acho que em 2012 esse projeto deslancha e será base para uma série de nuvens públicas e privadas”, acredita Engates.
3 – Stig - Em 2010, houve um enorme crescimento no uso das bases de dados não relacionais, como a Cassandra, a MongoDB, a CouchDB e inúmeros outros. Mas na conferência NoSQL Now, realizada em setembro deste ano, muitas das conversas centraram-se numa base dados que será lançada chamada Stig. Sua chegada está prevista para 2012.
O software Stig foi concebido para processar grandes volumes de dados característicos de sites de mídias sociais, dizem os seus gestores. Ele nasceu no ambiente da rede social Tagged, criada pelo engenheiro de software Jason Lucas, o qual classifica a tecnologia com base de dados gráfica distribuída.
O Stig foi projetado para suportar aplicações web interativas e sociais. Sua arquitetura de armazenamento de dados permite busca diferenciada, possibilitando que os usuários e as aplicações encontrem conexões entre informações distintas.
Essa capacidade é em razão de a tecnologia ter sido desenvolvida, em parte, na linguagem de programação funcional Haskell. Assim consegue dividir o seu volume de trabalho por vários servidores. O Stig é um pouco misterioso, pois ainda não foi lançado oficialmente. Mas analistas preveem que a tecnologia chegará para se destacar no nicho de redes sociais e outras aplicações que processam grandes volumes de variedade de dados.
As necessidades das redes sociais são diferentes de outros serviços e a tecnologia pode ser uma aliada, espera Lucas. “Não é possível ter um serviço relevante neste espaço, sem capacidade de expansão para um ‘tamanho planetário’”, diz o engenheiro de software. A tecnologia Stig funciona atualmente num servidor do Tagged, embora a empresa espere expandir o seu uso para ser a única base de dados da empresa.
Originalmente, os programadores estavam planejamento a liberação código em dezembro, mas adiou o lançamento para 2012. “O que eu vi parecia muito interessante”, disse Dan McCreary, um arquiteto de soluções semânticas da Kelly-McCreary & Associates, empresa de consultoria.
4 - Linux Mint - Apesar de anos de apologia por parte dos adeptos do código aberto, o Linux nunca teve uma forte presença em ambientes pessoais de trabalho. Mas normalmente há sempre uma distribuição Linux mais fácil de usar, como alternativa ao Microsoft Windows.
Nos últimos anos, o Ubuntu, da Canonical, tem cumprido esse papel, embora o Linux Mint está se tornando mais popular. Ele poderá ultrapassar o Ubuntu por ser mais fácil de usar. O engenheiro de software, Clement Lefebvre, concebeu o Linux Mint depois de rever outras distribuições Linux, para diversos fóruns online. A partir deste trabalho, ele desenvolveu vários recursos imprescindíveis para distribuição ideal para os consumidores finais. Assim como a Canonical se apropriou da distribuição Linux Debian para tornar o Ubuntu popular, Lefebvre usou o Ubuntu como base para o Linux Mint.
Hoje, o projeto Linux Mint é financiado por doações, receitas de publicidade do seu site, e os rendimentos obtidos a partir das buscas dos seus usuários por meio de uma parceria polêmica com a DuckDuckGo. O Linux Mint foi projetado para atrair os usuários que querem um sistema operacional de código aberto sem seu PC, sem se preocupar e saber como funciona o Linux. Esta abordagem torna a instalação, a execução do software e a manutenção mais fáceis.
Ainda mais do que o Ubuntu, o Mint centra-se na facilidade de uso em razão de não adotar novos recursos. O Mint evita, por exemplo, a interface de desktop Unity, um tanto controversa, escolhida pela Canonical para portar o Ubuntu para plataformas móveis. Em vez disso, a tecnologia adota a interface Gnome, que é mais madura.
Segundo os desenvolvedores do Linux Mint, o projeto já é o quarto mais usado em desktops no mundo inteiro, depois do Windows, Apple Mac e Ubuntu.
Em 2010, o Mint assumiu o lugar do Ubuntu, segundo o site de notícias DistroWatch Linux, que adota métricas para perceber a popularidade de distribuições Linux. Sem dúvida, 2012 deve trazer maior crescimento para essa tecnologia.
5 – Gluster - A Red Hat poderá revolucionar o mundo do software de armazenamento como o fez com o mercado de sistemas operacionais baseados em Unix? A empresa adquiriu a Gluster, fornecedora do sistema de arquivos GlusterFS, que organiza em clusters drives SATA (Serial Advanced Technology Attachment), unidades NAS (Network Attached Storage) e sistemas em repositórios de armazenamento, com elevada capacidade de expansão.
De acordo com o CEO Red Hat, Jim Whitehurst, o mercado de software de armazenamento gera quatro mil milhões de dólares em receita anual, mas não é por isso que a empresa está interessada na tecnologia de código aberto.
A companhia quer é encontrar uma tecnologia de armazenamento capaz de fazer migrações para cloud computing com mais velocidade. “Não há outras soluções como esta no mercado”. Em 2010, os downloads do GlusterFS aumentaram 300%. Em novembro último, o software foi baixado mais de 37 mil vezes.
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3 Jan 2012
Sunnyvale / EUAEnxutas, empresas do Vale do Silício exploram novos campos
Por Steve Lohr
Lee Redden, 26 anos, doutorando em engenharia em Stanford, decidiu dar um tempo nos estudos e ajudou a fundar uma empresa start-up. Suas habilidades se concentram em dois nichos efervescentes da inteligência artificial: visão computadorizada e aprendizagem automática. Só que ele não está aplicando seus talentos em busca na internet, comércio on-line ou vigilância inteligente.
As ambições de Redden estão mais distantes - em fazendas, na verdade. Sua empresa, a Blue River Technology, está desenvolvendo um matador robótico de ervas daninhas para agricultura orgânica, para evitar pesticidas químicos. Segundo ele, o novo empreendimento é "uma forma excelente de levar essa tecnologia para a agricultura". A start-up está ligada ao mais recente estágio de evolução do Vale do Silício, o epicentro mundial da inovação. Ao longo dos anos, a região demonstrou uma destreza econômica sem paralelos ao saltar de um segmento com oportunidades para outro, de eletrônicos militares a wafers de silício, de computadores pessoais à internet.
Porém, o negócio do Vale hoje em dia tem menos a ver em se concentrar numa indústria em particular e mais com um processo contínuo de inovação tecnológica, sobre uma ampla gama de campos. A tendência reflete a marcha constante da mais versátil das tecnologias --a computação-- à medida que ela abre novas linhas de frente em todas as disciplinas científicas e indústrias. Tecnologia limpa, bioengenharia, diagnóstico médico, tratamento preventivo de saúde, transporte e até agricultura fazem parte do mix hoje em dia para os tecnólogos e empreendedores do Vale.
O ritmo das descobertas se acelerou, não apenas para as tecnologias como também para o processo de descobrir que empresas terão sucesso. "A diferença no Vale é encontrar um método quase científico de reinventar empresas e indústrias, não apenas produtos", disse Randy Komisar, sócio de uma das principais empresas de capital de risco, a Kleiner Perkins Caufield & Byers, e professor-assistente de empreendedorismo na Universidade Stanford. "A abordagem é muito mais sistemática do que há muitos anos."
O novo modelo para abrir empresas se baseia em hipóteses, experimentos e testes de mercado, desde o dia em que a empresa é fundada. Trata-se de uma ruptura abrupta com a abordagem tradicional de traçar um plano de negócios, estabelecer metas financeiras, construir um produto final e depois lançar a companhia esperando que dê certo. Esse esquema consumia tempo e dinheiro.
A fórmula preferida hoje em dia costuma ser chamada de "lean start-up" (literalmente, empresa iniciante enxuta). Entre os seus primeiros defensores estão Eric Ries, empreendedor e escritor que cunhou o termo e agora é um empreendedor residente da Harvard Business School, e Steven Blank, "empreendedor em série", escritor e professor-assistente em Stanford. A abordagem enfatiza o rápido desenvolvimento do "mínimo de produtos viáveis", versões de baixo custo que são exibidas para avaliação dos consumidores e, a seguir, aprimoradas. Flexibilidade é outra característica. Testar modelos de negócios e ideias, e, sem dó nem piedade, descartar fracassos e passar para o plano B, o plano C, o plano D e assim por diante - num processo conhecido como "pivô" (pivoting).
A National Science Foundation está apostando no novo modelo para melhorar o índice de comercialização da pesquisa universitária que financia. Em outubro, a fundação anunciou a primeira série de subsídios do que chama de NSF Innovation Corps. As 21 equipes de três membros selecionadas em todo país receberão US$ 50 mil por seis meses para testar se suas invenções são vendáveis. Começa com um giro por Stanford e cursos lecionados por Blank, entre outros, seguidos por aulas on-line e orientação. Espera-se que cada equipe teste constantemente ideias e produtos com consumidores, fazendo experiências repetidas vezes, aderindo à fórmula de lean start-up. "A questão é aplicar o método científico à identificação de oportunidades de mercado", disse Errol B. Arkilic, gerente de programas da fundação. "E é justamente por isso que esse método foi selecionado pela NSF."
Arkilic, que durante sete anos foi engenheiro de start-ups no Vale antes de ir trabalhar com o governo, afirma que a fundação planeja conceder 15 ou 20 subsídios Innovation Corps por trimestre. "Não podemos reproduzir o Vale do Silício em outro lugar, mas temos de descobrir uma forma de pegar suas melhores práticas e aplicá-las em outras localidades."
O modelo de lean start-up do Vale está influenciando a formação administrativa tradicional. Nas escolas de negócios, há anos existem cursos sobre empreendedorismo e gerenciamento empresarial. Porém, em meados do primeiro semestre, os 900 primeiranistas da Harvard Business School devem abrir um negócio como disciplina obrigatória. Em equipes de seis estudantes, eles receberão US$ 3.000 para fundar uma start-up que gere receitas até o fim do semestre, explicou Thomas R. Eisenmann, professor que coordenará o programa.
Eisenmann também é um dos diretores de um programa de imersão no Vale do Silício que leva dezenas de alunos para lá todos os anos para terem contato direto com as práticas e a cultura do viveiro do empreendedorismo. "Todos estão envolvidos com uma start-up", observou Eisenmann. "Presume-se que seja o comportamento normal, a coisa legal a ser feita."
A cultura de start-ups, sem dúvida, deve muito à história do Vale e à influência duradoura de suas personalidades marcantes, como Frederick E. Terman. Professor de engenharia em Stanford durante muitos anos, onde foi diretor nas décadas de 1950 e 60, Terman encorajava os melhores alunos a pôr as ideias em prática abrindo uma empresa. Entre eles estavam Bill Hewlett e David Packard, que fundaram a Hewlett-Packard em 1939. Terman costumava investir dinheiro do próprio bolso nessas start-ups. "Sua mensagem era de que abrir uma empresa era tão importante quanto fazer doutorado", disse Blank, que leciona em Stanford. "Aquilo era considerado uma heresia na academia."
A maioria das start-ups fracassa. Talvez mais do que em outros lugares, os investidores e tecnólogos do Vale costumam ver o fracasso com certa objetividade científica, como se os reveses fossem ferramentas heurísticas que conduzem à pesquisa e descoberta. "Ao longo de 70 anos, o Vale desenvolveu uma cultura que não personifica o fracasso", afirmou Komisar, da Kleiner Perkins. "Se você não for corrupto, burro ou preguiçoso, nós vemos o fracasso como aprendizado --aprenda com ele e reaplique o que aprendeu."
E essa cultura de assunção de riscos e aprendizado perpétuo está sendo agora aplicada bem longe de software e hardware de computador. Existem empreendimentos famosos como o Nest Labs, fundado por Tony Fadell, ex-executivo da Apple, que contratou mais de cem engenheiros de Apple, Google, Microsoft e outras companhias de alta tecnologia e é apoiado por várias empresas de capital de risco. Seu produto, lançado em outubro, é uma reinvenção do termostato, combinando sensores, aprendizado automático e tecnologia da internet num equipamento inteligente que economiza energia.
O Vale também está cheio de start-ups menos famosas em campos novos, como a Blue River Technology. Redden conheceu seu colega fundador e executivo-chefe da empresa, Jorge Heraud, 41, na aula de Blank. Heraud, engenheiro, decidiu voltar a Stanford para dar uma renovada na carreira, depois de trabalhar durante anos como gerente de uma empresa de equipamentos agrícolas.
Ele conheceu Redden e, em conjunto, vislumbraram a chance de aplicar a visão computadorizada e o aprendizado automático à agricultura. Eles exploraram outras ideias, mas depois de conversar com possíveis compradores, decidiram por matar ervas daninhas em fazendas orgânicas - segmento de rápido crescimento que não pode usar pesticida e sofre com os custos trabalhistas.
No escritório em Sunnyvale, eles estão montando a máquina e ensinando o programa de visão computadorizada a distinguir alface de ervas daninhas. Inicialmente, tentaram matá-las com raio laser, o que se revelou muito caro. Agora pretendem usar óleo (orgânico, é claro) superaquecido. O dispositivo, puxado por um trator, deve identificar ervas daninhas e matá-las em 200 milissegundos, um desafio formidável, mas atingível, declarou Redden. Se aplicar visão computadorizada à agricultura é tão promissor, por que os grandes fabricantes de equipamentos agrícolas não estão bem adiantados? "Elas não se preocupam com isso", respondeu Heraud. "Elas não pensam em visão computadorizada. Essa é uma tecnologia do Vale do Silício." (Fonte: New York Times)
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28 Dez 2011
Da redação - Brasília / DF
Programas do MDA chegam a 4 mil cooperativas de agricultores
por Kátya Desessards, editora i-press.biz
Café orgânico da amazônia, castanha de baru, pequi, faveira, arroz orgânico e plantas medicinais são alguns dos produtos produzidos por agricultores familiares organizados em cooperativas apoiada por um conjunto de políticas públicas desenvolvidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Ações como chamadas públicas para o fortalecimento de cooperativas e programas como o Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), de Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (PNAE) têm incentivado o cooperativismo em todo o país.
Atualmente, o MDA apoia com crédito, garantia de comercialização e assistência técnica diferenciada aproximadamente 4 mil cooperativas e associações de agricultores familiares. Destas, 1.570 possuem declaração de aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) na modalidade jurídica, o que possibilita sua participação em políticas públicas como o PAA e o PNAE.
O diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF/MDA), Arnoldo de Campos, destaca que todas o conjunto das ações desenvolvidas pelo ministério tem o foco na organização produtiva e econômica dos agricultores familiares. “O Programa de Aquisição de Alimentos, por exemplo, que é uma compra do mercado institucional, beneficia hoje mais de 4 mil organizações produtivas da agricultura familiar, servindo como uma alavanca para a organização dos trabalhadores em cooperativas, permitindo uma consolidação dos empreendimentos”.
O programa do Biodiesel - que neste ano vai atingir a marca de R$ 1,4 bilhão em compras de oleoginosas da agricultura familiar - também tem incentivado a organização dos agricultores em associações e cooperativas. “No programa do Biodiesel, tínhamos em 2005 um índice de mais de 90% das comercializações sendo diretamente da usina com o agricultor familiar. Hoje, esta lógica se inverteu e as cooperativas representam mais de 70% das compras das usinas”, destaca Campos.
Outro programa pensado para incentivar o cooperativismo é o PNAE, que leva alimentos saudáveis para a mesas das escolas brasileira: aproximadamente R$ 1 bilhão vem sendo movimentado para a compra de alimentos da agricultura familiar, investidos prioritariamente em cooperativas. O programa permite a compra diretamente de um único produtor rural, ou de grupos informais, mas em sua regulamentação os agricultores familiares têm prioridade.
Um bom exemplo do sucesso de políticas públicas como o PNAE e o PAA é a Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado, criada em 2002, que organiza 1,5 mil famílias de agricultores familiares em 45 municípios dos estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia na produção de alimentos para as escolas. Um dos principais produtos da Coopercerrado para a alimentação escolar é a farinha de baru, castanha coletada no cerrado e beneficiada em uma casa de farinha construída com o apoio do MDA.
Adalberto Gomes dos Santos, um dos cooperados da rede, conta que a organização dos agricultores tem mudado a vida das pessoas no campo. “Hoje estamos comercializado produtos de forma conjunta, porque individualmente seria impossível. Com a cooperativa, a gente tem a certeza que não estar sozinho, temos mais força para reivindicar nossas demandas e a condição de melhorar de renda”.
A garantia de comercialização de sua produção com o PAA e PNAE, criou a condição para a melhoria de vida de Adalberto, que acaba de fazer um financiamento do Mais Alimentos para implementar uma série de melhoria sem sua propriedade – barragem para preservar água, qualificação das pastagem e plantio de flores para produção de mel -, e adquirir um mini trator de 18CV.
Territórios Rurais e da Cidadania
O MDA também atua incentivando a organização produtiva dos agricultores familiares com ações de apoio a redes e a cooperativas como os chamamentos públicos para a qualificação de gestão, e também por ações dentro dos Territórios da Cidadania e Territórios Rurais, atuando de forma conjunta com estados e prefeitura, e a sociedade civil organizada dentro dos colegiados territoriais.
Segundo o consultor especialista em cooperativismos da Coordenação Geral de Associativismo e Cooperativismo da Secretario de Desenvolvimento Territorial (SDT/MDA), Luis Tizidini, o apoio que o MDA dá para cooperativas vai além de mecanismos de garantia de comercialização abrangendo ações que auxiliam na estruturação dos empreendimentos. “O ministério tem investido na formação dos agricultores familiares cooperativados, para a gestão de seus empreendimentos, disponibilizamos assessorias e acompanhamento e auxilio na elaboração de planos de negócios”.
Outra iniciativa importante que o MDA tem desenvolvido para fomentar e fortalecer a organização produtiva dos trabalhadores é o apoio a feiras e eventos, viabilizando a participação de produtores de todo o pais em eventos tanto locais como nacionais , onde podem trocar experiencias de produção e gestão de seus empreendimentos. com a Feira da Economia Solidária de Santa Maria.
Para o agricultor familiar e presidente da Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua (Coocaram), Joaquim Cordeiro da Silva, a organização dos trabalhadores além de melhorar a condição financeira dos agricultores, tem outros benefícios. “Aqui estamos vivendo na prática a mudança do cultivo com o uso de agrotóxico, para um cultivo orgânico, mais saudável, e que também está mudando a cabeça do agricultores, que agora pensa bem mais em como cooperar para se tornar mais forte, ter mais mercado e vender mais”, destaca.
A Coocaram, articula mais de 300 agricultores familiares em Ji-Paraná no estado de Rondônia, onde produz café orgânico ao mesmo tempo que preserva a floresta amazônica. São 1,2 mil hectares plantados com café e 4 mil de floresta preservada. Cerca de 30% da produção da cooperativa já é orgânica certificada.
2012: Ano Internacional das Cooperativas
A Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, em dezembro do ano passado, a resolução sobre “Cooperativas e Desenvolvimento Social”, que declara 2012 como ano Internacional das Cooperativas (IYC, na sigla em inglês). Com isso, a ONU reconhece o modelo cooperativo como fator importante no desenvolvimento econômico e social dos países. Esta é a primeira vez na história que um ano será dedicado ao setor cooperativista.
Consideradas economicamente viáveis e socialmente responsáveis, as cooperativas operam em setores que vã desde a agricultura até finanças e saúde. A ONU se propõe a três objetivos: aumentar a consciência sobre esse modelo empresarial e sua contribuição positiva, promover sua formação e seu crescimento, e impulsionar os Estados-membros para que adotem políticas que favoreçam sua expansão.
Sem importar o setor no qual atuam, as cooperativas são consideradas modelos de empresas bem sucedidas porque seus integrantes são responsáveis por todas as decisões da instituição. Além disso, elas não objetivam a maximização dos lucros, mas atender às necessidades de seus membros, que participam do gerenciamento.
O potencial das cooperativas para ajudar a erradicar a pobreza, criar e fortalecer práticas sustentáveis e contribuir para o desenvolvimento são as características que a ONU pretende destacar para que os Estados-membros as promovam. Um dos principais assuntos que a agenda da ONU para o desenvolvimento propõe é destacar o aspecto humano, mais do que o financeiro – e as cooperativas combinam ambos.
O início das cooperativas remonta à Europa dos anos 1800. Na Alemanha, em 1860, Friedrich Raiffeisen projetou uma empresa de poupança e crédito para ajudar os agricultores. Sua ideia de banco cooperativo se propagou a outras partes da Europa. Ao mesmo tempo, Schultze-Delitsch criou um banco semelhante em áreas mais urbanas. Também surgiram cooperativas de consumo entre trabalhadores têxteis por volta de 1840 na Grã-Bretanha, em época de crise econômica. Posteriormente, na década de 1950, esse tipo de empresa constituía 12% do comércio varejista. Atualmente, as cooperativas contam com um bilhão de membros em mais de cem países. (Fonte: Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra)
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27 Dez 2011
Da redação - Curitiba / PR
Alta das commodities e guerra fiscal alteram saldo comercial nas regiões
por Kátya Desessards, editora i-press.biz
A alta de preço das commodities, aliada à guerra fiscal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na importação, provocou uma mudança na estrutura de importação e exportação nas cinco regiões do país. Combinados, os dois fenômenos acentuaram o déficit das regiões Sul e Nordeste e ampliaram o saldo positivo do Sudeste e do Norte.
Sudeste - Nos 12 meses encerrados em outubro, os Estados do Sudeste tiveram superávit comercial de US$ 21,82 bilhões, muito superior aos US$ 8,43 bilhões dos 12 meses anteriores. A ampliação de saldo positivo foi resultado da elevação da exportação, que cresceu 36,1% no período, em ritmo mais forte que as importações, que tiveram alta de 25,3%. As vendas ao exterior da região Sudeste foram puxadas principalmente pela exportação de petróleo e minério de ferro.
Preços - Dentro da pauta de exportação do Sudeste, os dois produtos saíram de um total de US$ 27,6 bilhões vendidos de janeiro a outubro de 2010 para US$ 40,6 bilhões comercializados nos primeiros dez meses deste ano. "Foram os preços que comandaram a elevação e tiveram influência na mudança dos saldos comerciais das regiões", diz Rafael Bistafa, economista da Rosenberg e Associados. Enquanto o valor exportado com os dois produtos teve aumento de 47,1% no período, o volume de petróleo vendido ao exterior pelo Sudeste teve alta de apenas 4,3%. O de minério de ferro também cresceu pouco, com elevação de 2,35%.
Norte - A elevação do preço do minério de ferro também puxou as exportações dos Estados do Norte e ampliou bastante o saldo positivo da região. Nos 12 meses encerrados em outubro o Norte teve superávit comercial de US$ 5,64 bilhões, alta significativa em relação aos US$ 1,02 bilhão dos 12 meses anteriores. A venda ao exterior de minério de ferro, no mesmo período, saltou de US$ 5,37 bilhão para US$ 10 bilhões, o que significa 58,8% da pauta de exportação da região. As importações também tiveram bom crescimento no Norte, em razão do desembarque de componentes eletrônicos para a Zona Franca de Manaus.
Importação - A alta do preço do petróleo em 2011, na comparação com 2010, não trouxe impacto somente nas exportações. O aumento de preço do óleo bruto e derivados também contribuiu para elevar o valor das importações de algumas regiões, como o Sul e o Nordeste.
Sul - Nos Estados do Sul, por exemplo, os desembarques de petróleo e nafta - derivado de petróleo que é insumo importante para a cadeia de resinas plásticas - subiram de US$ 5,47 nos 12 meses encerrados em outubro de 2010 para US$ 6,89 nos 12 meses seguintes, ajudando a pressionar o valor das importações. Nesse período, a importação da região Sul passou de US$ 31,8 bilhões para US$ 40,4 bilhões.
ICMS - A guerra fiscal de ICMS também dá sua contribuição no aumento de desembarques da região. Outro fator que explica a elevação de importação do Sul é a entrada de automóveis no país, de acordo com o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério Cezar de Souza. Além dos carros importados da Argentina, o porto de Itajaí, em Santa Catarina, também atrai os produtos, que entram pagando menos impostos e são repassados a mercados maiores, no Sudeste.
Peso - O incentivo da chamada guerra fiscal pesa na balança da região. "É mais atrativo para o importador entrar com o produto pelo Sul e depois fretar para todo o país", diz Souza. O consultor tributário Clóvis Panzarini explica que o benefício de ICMS na importação costuma adiar o pagamento do imposto para o momento em que há transferência da mercadoria para outro Estado, com crédito presumido de até 75% do imposto devido na operação. Isso quer dizer que, na transferência interestadual tributada a 12%, o Estado em que a mercadoria desembarca recolhe 3% de ICMS e a empresa deixa de recolher 9%.
Vantagem - "É uma vantagem suficiente para fazer a mercadoria ser desembarcada em locais distantes do mercado consumidor", diz Panzarini, que já foi coordenador de administração tributária da Fazenda paulista. Ele lembra que os incentivos de ICMS na importação têm transferido desembarques não só para Estados do Sul, como também para os do Nordeste.
Adubos e fertilizantes - No Sul, adubos e fertilizantes também cresceram na pauta de importações, passando de US$ 53 milhões para US$ 176 milhões. A elevação reflete a safra recorde de grãos, que deve fechar o ano em cerca de 159 milhões de toneladas, número 6,6% maior do que o registrado em 2010, segundo o IBGE. "O Brasil não produz dois componentes necessários para a fabricação desse produto, então temos que buscar lá fora."
Ureia com nitrogênio - A importação de ureia com nitrogênio, componente do adubo, teve, na pauta da região Sul, variação mais expressiva, saindo de US$ 243 milhões, de janeiro a outubro de 2010, para US$ 419 milhões nos primeiros dez meses deste ano.
Nordeste - O Nordeste passa por um processo mais intenso de aumento de importações. Com a queda na produção industrial física, que está negativa em 4,9% no acumulado de janeiro a outubro em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do IBGE, o consumo na região foi substituído em parte por importados. A indústria cearense, por exemplo, encolheu 12,6% no acumulado de janeiro a outubro em comparação com o mesmo período de 2010. Os setores de calçados, vestuário e têxtil diminuíram neste ano em função da competição com similares asiáticos. "A indústria nordestina é forte em setores de base, como o alimentício e o de mão de obra intensiva, e o tradicional, como petróleo e madeira. Ela não é diversificada. Com a valorização do real, os produtos perderam competitividade e deram espaço aos importados", diz Souza.
Derivados de petróleo - Além disso, de forma parecida com o Sul, o aumento nos preços dos derivados de petróleo pesou na balança dos nordestinos. "Houve também uma posição estratégica da Petrobras, que diminuiu a produção no Nordeste em relação ao ano passado, privilegiando o Sudeste", afirma Souza. "Com isso, aumentou o consumo de derivados importados, que estão mais caros no mercado internacional."
Algodão e etanol - Algodão e etanol também ganharam importância na pauta de importações da região. Enquanto os nordestinos compravam US$ 37 milhões em algodão bruto no acumulado de 12 meses até outubro de 2010, no período seguinte, o montante foi a US$ 246 milhões. Com o direcionamento de parte da safra de cana para a produção de açúcar, o etanol importado ganhou importância na balança. O consumo passou de US$ 6 milhões para US$ 256 milhões. (Fonte: ssessoria de Imprensa da Ocepar/Sescoop-PR)
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23 Dez 2011
São Paulo / SP
Software como serviço é destaque em cloud em 2012
Por Solange Calvo
Círculo virtuoso. Esta é a principal consequência proporcionada pelo modelo de software como serviço (SaaS) na economia nacional, de acordo com consultores do mercado de TI. Segundo eles, ao ter oportunidade de adquirir tecnologia mais barata, as empresas compram mais, ganham competitividade e podem crescer, impactando no desenvolvimento do País. “Pode parecer uma análise extremamente otimista, mas é absolutamente lógica”, diz Anderson Figueiredo, gerente de Pesquisa e Consultoria da IDC.
Ele diz que o SaaS, que permite a aquisição de soluções e serviços por meio da nuvem, de maneira simplificada e pagamento sob demanda, transforma custos fixos em variáveis, abrindo portas para companhias, em especial pequenas e médias, que não vislumbravam desfrutar de tecnologias caras como ERP e CRM. Na cadeia de negócios, de acordo com Bruno Arrial dos Anjos, analista sênior de Mercado da Frost & Sullivan, os fornecedores ampliam suas vendas e, além disso, abrem oportunidades para a comunidade de desenvolvedores (ISVs), que podem realizar parcerias para oferecer suas soluções na cloud.
Souvenir Zalla, CEO do Edge Group no Brasil, estima que “vamos sentir verdadeiramente essa evolução da cadeia econômica e de valor na metade da década”. Para ele, irão surgir outros impactos não somente na indústria de software, que poderá sofrer redesenho, como também o tradicional modelo de licenças, que deverá ser repensado.
O consultor da Frost cita um estudo da consultoria, realizado em 2010 com mais de cem empresas de grande porte, em que 66% delas afirmam que irão continuar investindo ou ingressar no conceito de cloud computing, sendo 86% em software como serviço. “A camada de aplicativos continuará sendo a mais usada em 2011, com 88% de aceitação”, diz, acrescentando que os aplicativos mais usados na nuvem são e-mail, CRM e ERP, nesta ordem.
SaaS permeia e atrai todos os portes de empresas. “As grandes vão reduzir seus orçamentos de TI, ao cortar custos com infraestrutura e amenizar o impacto da aquisição de licenças em alguns casos. E as micro, pequenas e médias, o contrário. Elas vão passar a investir em TI ou ampliar seus orçamentos, pois correrão menos riscos com custos variáveis”, destaca Arrial.
No estudo das 350 Maiores empresas de TI e Telecom, realizado pela Deloitte, a categoria SaaS aparece como principal produto de cloud computing comercializado, com 40%, à frente de infraestrutura como serviço (IaaS), com 25%, e de plataforma como serviço (PaaS), 17%.
No Brasil, estimativas da IDC apontam para movimentação de SaaS, saltando de 20 milhões de dólares para 192 milhões de dólares entre 2010 e 2014. Já na América Latina, serão mais de 400 milhões de dólares em 2012, segundo o instituto de pesquisas Gartner. Com isso, a modalidade tem sacudido o mercado, estimulando o fortalecimento da estratégia de muitas empresas. Uma delas é a Microsoft, que trabalha com SaaS há mais de uma década, com serviços de e-mail. Ela aqueceu sua oferta no modelo nos últimos dois anos, de acordo com Eduardo Campos, gerente-geral de Office da Microsoft Brasil.
“Foi quando lançamos o mote Estamos todos na nuvem. Assim, assumimos nosso compromisso de ofertas de serviços em cloud. De lá pra cá, ampliamos de 40% o nosso desenvolvimento de aplicações no conceito para 90%. Nossos desenvolvedores não só criam como adaptam os produtos existentes”, diz Campos. Recentemente, prossegue o executivo, a Microsoft entrou na segunda onda desses serviços com o lançamento no Brasil do Office 365 em cloud, que integra serviços de produtividade para empresas de todos os portes. “É a forma mais fácil de migrar a infraestrutura de produtividade para a nuvem.”
A Totvs também entrou nessa arena. Anunciou em novembro a loja virtual Totvs Store, que irá comercializar, via web, componentes de software, soluções e serviços, na modalidade SaaS. De acordo com Weber Canova, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Totvs, “a intenção é oferecer à comunidade de desenvolvedores a oportunidade de empreender ao criarem produtos baseados na tecnologia Totvs e os disponibilizar ao mercado por meio da Totvs Store”. Inicialmente, em 2011, a loja virtual vai oferecer gratuitamente componentes de software para desenvolvedores. No próximo ano, os próprios desenvolvedores já poderão publicar seus componentes, juntamente com os da Totvs, para comercializá-los na nuvem.
Em 2013, incluirá soluções de gestão voltadas para micro e pequenas empresas.Quem está pronta para entrar nessa disputa entre o final deste ano e início de 2012 é a Globalweb Corp, joint-venture entre o Grupo TBA e a companhia de software Benner, com um portal no modelo SaaS, para comercializar soluções, desde a mais simples as mais robustas, para atender especialmente às pequenas e médias empresas. Para o primeiro ano fiscal, a meta é atingir 240 milhões de reais, com projeção de alcançar 500 milhões de reais até 2014. “Entendemos que a cloud deve ter um escopo definido, alinhado ao orçamento de cada cliente. Portanto, ela irá se posicionar com divisões e tamanhos diferentes”, diz Cristina Boner, presidente do grupo TBA e do Conselho Administrativo da empresa.
Globalweb e Totvs estão cadastrando ISVs para oferecer oportunidade de parceria para desenvolvimento de aplicações em suas respectivas plataformas. A intenção das empresas é ampliar o leque de opções de aplicativos setoriais em suas nuvens e dessa forma atender a um público eclético. Ambas acreditam que com o crescimento dos negócios apoiados em SaaS, todos ganham, fornecedores, empresas usuárias de variados portes, sem distinção, e a economia nacional. “Não acredito que exista alguém que esteja perdendo com a cloud. Pode estar deixando de ganhar. É questão de afinar a estratégia”, finaliza Figueiredo da IDC. (Fonte: Computerworld)
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21 Dez 2011
Da redação – São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ
Crise e alta do dólar reduzem gasto de turista no exterior em novembro
Brasileiros gastaram no período US$1,564 bi em viagens fora do País; em outubro, volume havia sido de US$ 1,720 bi, segundo o BC
Kátya Desessards, de Porto Alegre / RS
Mônica Siqueira, de São Paulo / SP
Os gastos realizados pelos turistas brasileiros em viagem ao exterior recuaram no mês de novembro, em relação ao período anterior, e totalizaram US$ 1,564 bilhão, equivalente a R$ 2,910 bilhões, segundo informações divulgadas nesta terça-feira pelo Banco Central. Em outubro, o resultado havia ficado em US$ 1,720 bilhão. O recuo foi provocado em parte, pela alta na cotação da moeda americana no período e o receio de que a crise financeira afete de maneira mais expressiva a economia local e a evolução da renda dos brasileiros. O dólar fechou novembro em alta de 6,8%, revertendo em parte a forte queda de 9,51% verificada um mês antes.
Despesas no exterior
Mesmo com o recuo, o resultado é o maior para um mês de novembro, desde o início da série histórica em 1947. Em igual período em 2010, o desempenho ficou em US$1,515 bilhão. Motivado pela desvalorização do dólar, até meados agosto, os gastos dos brasileiros no exterior registraram recordes consecutivos neste ano. A maior marca para um período de 30 dias havia sido registrado em julho deste ano, quando o gasto total dos turistas no exterior alcançou US$ 2,196 bilhões. Em abril, os gastos de brasileiros fora do País haviam sido de US$1,943 bilhão, a segunda maior marca da história em um único mês.
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Com a moeda americana em baixa e o real valorizado, os produtos importados ficaram mais atrativos para os turistas em viagens ao exterior, afetando o desempenho e a competitividade da indústria nacional. A desvalorização do dólar foi provocada pela crise internacional e o aumento na percepção de risco pelos investidores em todo o mundo, no fim do primeiro semestre, com a possibilidade de um calote dos Estados Unidos em sua dívida pública. Esse risco só foi minimizado em julho, após um acordo entre os parlamentares americanos para elevar o teto de endividamento do país.
De olho com os crescentes gastos dos brasileiros no exterior e a alta do real, o governo tomou uma série de medidas para frear o consumo de turistas fora do Brasil. No início do ano, o ministério da Fazenda elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre gastos com cartão de crédito fora do País de 2,38% para 6,38% e também aumentou o mesmo tributo sobre as captações de recursos no exterior de 2% para 6%.
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Mesmo com as medidas da área econômica do governo, os gastos no exterior continuaram crescendo refletindo o bom momento econômico brasileiro e a elevação da renda da população. Mas esse movimento começou a perder força após a piora no cenário internacional.
Investimento estrangeiro direto
De acordo com os dados do Banco Central, a conta financeira registrou ingresso no País de US$ 103,794 bilhões até novembro, volume 12,38% maior que os US$ 92,353 bilhões um ano antes. No mês passado, houve entrada de US$ 7,476 bilhões. Um dos destaques para o período foi a entrada de US$ 3,373 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED). No ano, de janeiro a novembro, ingressaram no País US$ 49,253 bilhões em IED. Esse desempenho é 84,10% maior frente ao mesmo período do ano passado, quando, segundo o BC, o IED totalizou US$ 26,753 bilhões.
Balanço de pagamentos
No ano, até novembro, o balanço de pagamentos, que engloba todas as transações do Brasil com o exterior, registra superávit de US$ 58,112 bilhões, um crescimento de 25,51% em relação a igual período de 2010 (US$ 46,300 bilhões). Em novembro, o saldo está positivo em US$ 1,150 bilhão.
Já as transações correntes – que levam em conta os resultados de balança comercial, serviços e rendas – acumulam déficit de US$ 45,830 bilhões, ou 2,03% do Produto Interno Bruto (PIB). O saldo negativo foi 4,5% maior na compração com o resultado registrado em igual período de 2010 (US$ 43,865 bilhões).
Em novembro, as transações correntes ficaram deficitárias em US$ 6,803 bilhões. No acumulado em 12 meses, o déficit é de US$ 47,365 bilhões, o equivalente a 2,21% do PIB, informou o Banco Central.
A balança comercial acumula superávit de US$ 25,972 bilhões no ano, até novembro, com alta de 74,75% em comparação com igual período de 2010 (US$14,862 bilhões). Em novembro, o saldo positivo foi de US$ 583 milhões.
A conta de serviços, na qual estão incluídos os gastos de brasileiros no exterior, registrou um déficit de US$ 34,025 bilhões no ano, até novembro, aumento de 22% em comparação com igual período de 2010 (US$ 27,872 bilhões). Em novembro, o saldo ficou negativo em US$ 2,831bilhões, 2% maior que o déficit de US$ 2,773 bilhões verificado no mesmo mês em 2010.
Reservas e dívida externa
As reservas internacionais atingiram US$ 352,1 bilhões em novembro de 2011, com retração de US$ 856 milhões em relação ao montante do mês anterior. Não houve operações de compra ou venda por parte da autoridade monetária no mercado doméstico de câmbio no período.
O incremento do estoque das reservas internacionais deveu-se a desembolsos de US$500 milhões concedido pelo Banco Mundial a municípios brasileiros e à receita de remuneração das reservas, que totalizou US$373 milhões. As demais operações externas, relacionadas principalmente a variações de preços e de paridades, exerceram efeito de redução sobre o estoque, de US$1,7 bilhão. A posição estimada da dívida externa total em novembro totalizou US$ 301,5 bilhões, elevando-se US$ 3,2 bilhões em relação ao montante apurado para ouutubr. A dívida de longo prazo atingiu US$256,2 bilhões, aumento de US$3,9 bilhões, enquanto a dívida de curto prazo diminuiu US$650 milhões, para US$ 45,3 bilhões.
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16 Dez 2011
Da redação – São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ
Tecnologias emergentes aceleram fusões e aquisições
Por Edileuza Soares*Cloud, mobilidade, smart grid e redes sociais estão entre os principais motivos para as associações, informam consultorias.
As tecnologias emergentes que estão ganhando força no mercado impulsionaram os processos de fusões e aquisições e 2011 promete ser o grande ano de associações entre companhias de TI e Telecom, mesmo com a crise dos Estados Unidos e Europa. Para completar ofertas e ter inovação mais rapidamente, muitas estão comprando empresas que tenham plataformas estratégicas.
Assim, encurtam o caminho e não partem do zero para desenvolver as novas soluções que os clientes estão demandando. Estudos de consultorias que acompanham e ajudam a fechar esses negócios revelam que o setor se destaca no exterior, com o Brasil liderando o ranking de transações entre os demais segmentos da economia.
Relatório global da Ernst & Young Terco aponta que o valor de transações de fusões e aquisições entre empresa de TI quase dobrou no segundo trimestre de 2011 em relação ao registrado nos três primeiros meses do ano. Entre abril e junho, os acordos nessa área chegaram a 52,2 bilhões de dólares, com aumento de 92% sobre os 27,1 bilhões de dólares movimentados entre janeiro e março. Em comparação com os 30,8 bilhões de dólares apurados no último trimestre de 2010, a taxa de crescimento é de 69%.
O estudo mostra também que a média dos valores por transação entre abril e junho de 2011 ficou em 194 milhões de dólares, a maior desde o primeiro trimestre de 2000, época do boom das pontocom. Projeções da Ernst & Young Terco sinalizam que as empresas de TI continuam com apetite para compras por terem dinheiro em caixa e considerarem o processo de fusões e aquisições oportunidade para crescimento de seus negócios, mesmo em tempos de crise.
A pesquisa global com as 25 maiores companhias do setor revelou que os investimentos em caixa estimados para essas operações até o final do segundo trimestre de 2011 estavam em 590 bilhões de dólares, 18% acima dos 499 bilhões de dólares reportados no mesmo período em 2010. Esse poder de compra é visto com preocupação pelos analistas da Ernst & Young Terco em razão da divergência entre vendedores e compradores sobre a valorização dos negócios, o endividamento dos EUA e a desaceleração da economia mundial. “Em 2011, as empresas de TI voltaram às compras. Elas haviam recuado após a crise de 2008 para ajustamento de balanços. Acumularam muito caixa e estão capitalizadas e olhando mercados emergentes como oportunidade para crescimento dos negócios no longo prazo, mesmo que a crise priorize as diretrizes dos investimentos”, avalia o líder de Fusões e Aquisições da Ernst & Young Terco no Brasil, Ricardo Reis.
Segundo ele, o combustível que está movimentando as fusões e aquisições entre empresas de TI no mundo são as novas tecnologias como mobilidade, smart grid, vídeo on-line, cloud computing e o avanço das mídias sociais. “Elas perceberam que essas tecnologias são importantes para a estratégia de crescimento delas”. Reis observa que o setor gasta muito com pesquisa e desenvolvimento (P&D) e como as novas tecnologias estão evoluindo com muita velocidade, elas precisam agir rapidamente para se posicionar no mercado.
O consultor menciona como exemplo a expansão da computação na nuvem, que deu uma sacudida no mercado, criando novas alianças para que fornecedores atuem em toda a cadeia de entrega das soluções. “Estamos num momento de muito agito para consolidação das novas vertentes tecnológicas”, afirma Reis.
Pela sua situação mais favorável que outros mercados, o Brasil está na mira dos investidores internacionais. Estudos da KMPG confirmam que o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é o primeiro do ranking das operações de fusões e aquisições. Entre as 62 transações realizadas no período de janeiro a setembro, do estudo que analisou 45 segmentos da economia, 44 foram entre companhias da área. “Confirmando as previsões, ano de 2011 está sendo fantástico para fusões e aquisições no Brasil pelo fato de o País ter se tornado rota de investidores estrangeiros”, diz Luiz Motta, sócio dessa área na KPMG. Mesmo com uma queda de 40% das operações de TIC no segundo trimestre em comparação com o mesmo período de 2010, ele avalia que esse negócio está movimentado e sinaliza que o setor fechará dezembro, mantendo o posto de liderança nessa área.
Ecos de 2010
Estudos da KPMG revelam que em 2010 foram realizadas 72 fusões e aquisições no Brasil, entre elas as transações envolvendo a compra da Vivo pelo grupo espanhol Telefônica e a entrada da Portugal Telecom no controle da Oi. Esse número, segundo Motta, é o dobro das operações registradas em setores como o de alimentos. Ele constata dois movimentos no País. O de atração de companhias internacionais por brasileiras, para entrar mais rapidamente no mercado local, e outro entre empresas nacionais. “TI cria muitas empresas porque a barreira de entrada é menor do que a de outros segmentos e o estoque de empreendimentos é grande”, afirma Motta. Ele dá como exemplo os vários polos de tecnologia espalhados pelo Brasil, que concentram incubadoras distribuídas por verticais e que criam negócios com muita velocidade. Eles crescem e são adquiridos por grandes companhias e por fundos de investimentos que portam capital de risco. O consultor da KPMG cita casos como o da Totvs, que constantemente anuncia novas compras.
O outsourcing também tem contribuído para aumentos dos processos de fusões e aquisições. Motta faz referência a transações envolvendo bancos que terceirizaram equipes inteiras que dão origem a pequenas softwarehouses e prestadoras de serviços que depois são adquiridas.
Entre as 72 transações reportadas pela KPMG no ano passado no País, 28 foram entre empresas brasileiras. Já 17 envolveram multinacionais com atuação no mercado doméstico (como a compra da McAfee pela Intel), enquanto 12 foram de companhias brasileiras que adquiriam estrangeiras estabelecidas aqui. Outras três foram de brasileiras que foram às compras no exterior, como fez a prestadora de serviços de TI Stefanini, que sozinha fechou dois negócios no ano passado nos Estados Unidos.
Os outros dois negócios restantes do total de fusões e aquisições registradas em 2010 no Brasil foram de grupos nacionais que incorporaram empresas internacionais como o acordo celebrado pelos bancos do Brasil e Bradesco para a compra dos 10% de participação da Visa na Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS), emissora dos cartões Visa Vale no País.
O consultor da Ernst & Young Terco no Brasil, Ricardo Reis, avalia que o processo de fusões e aquisições no mercado local é bastante diferente das transações globais. Segundo ele, as operações que estão ocorrendo lá fora são mais entre empresas que compram patentes para ter acesso rápido a uma nova tecnologia. No Brasil, de acordo com ele, 35% das associações envolvendo companhias estrangeiras são para ganhar presença no mercado e reduzir custos operacionais.
Como exemplo, Motta menciona a compra recente da Mastersaf, empresa brasileira de software para área fiscal, que foi adquirida pelo grupo Thompson Reuters. “Um dos fatores para o interesse de organizações estrangeiras pelas brasileiras é para atender a clientes locais”, explica o executivo da KPMG, informando que esse tipo de transação está crescendo no País, principalmente devido ao risco do investimento, considerado menor que aberturas de operações do zero. Essas empresas fecham contratos lá fora para atender a clientes locais e precisam estar aqui, como é o caso da Capgemini que comprou no ano passado a CPM Braxis. (*Especial, da Computerworld)
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8 Dez 2011
São Paulo / SP
Brasil pode sustentar o crescimento em 2012
Brasil pode sustentar o crescimento em 2012
Por Alexandre Marinis*
Diante da ameaça de contágio da crise internacional e do crescimento zero do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre ante o segundo trimestre com ajuste sazonal, os agentes econômicos se questionam sobre a margem de manobra e a viabilidade de o governo brasileiro estimular um ritmo de crescimento relativamente robusto para a economia em 2012.
Este artigo apresenta dez argumentos com o intuito de enriquecer o debate:1 - Juros menores. No último consenso compilado pelo Banco Central (BC), em 2 de dezembro, o mercado ainda projetava uma Selic média de 9,88% para 2012. Já parece claro, no entanto, que a Selic poderá encerrar 2012 em 9,5% ou até mesmo abaixo disso. Entre as instituições com maior grau de acerto na projeção dos juros, o chamado Top 5, o consenso para a taxa Selic ao final de 2012 já se encontra em 9,5% e o mercado futuro tem apresentado viés de baixa. Expansão da economia no próximo ano definirá salário mínimo de 2014, quando a presidente poderá tentar a reeleição
2 - Reforço do crédito. No primeiro semestre de 2011, o governo adotou uma série de medidas para restringir o crédito e evitar o sobreaquecimento da economia e o descontrole inflacionário. Agora, essas restrições começam a ser desmontadas para impedir uma desaceleração muito acentuada da atividade econômica.
Em 11 de novembro, foram reduzidas as exigências de capital dos bancos na concessão de empréstimos de até 60 meses. Em 30 de novembro, entre uma série de medidas, o governo reduziu de 3% para 2,5% a alíquota anual do IOF sobre crédito para pessoas físicas e zerou o IOF para investimentos estrangeiros em ações e em debêntures com prazo superior a quatro anos.
Além da discricionariedade para prorrogar ou aprofundar medidas como essas, o governo ainda pode reduzir parte dos depósitos compulsórios estacionados no Banco Central. Esses depósitos somam R$ 440 bilhões e sua eventual redução teria importante efeito multiplicador sobre a disponibilidade de crédito na economia.
3 - Incentivos tributários. Aliado aos estímulos creditícios, o governo também pode ampliar ou prorrogar incentivos tributários visando reduzir o custo de produção e comercialização de determinados bens. Exemplos nesse sentido incluem as desonerações já anunciadas no âmbito do Programa Brasil Maior (têxteis, calçados, móveis e software) e a reintrodução de incentivos utilizados em 2008 (como a redução do IPI para a linha branca), além da ampliação de regimes tributários diferenciados para setores geradores de empregos (como a construção civil) ou que auxiliem na contenção da inflação (por exemplo, alimentos e etanol).
4 - Empréstimos do BNDES. Até o momento, o Tesouro Nacional já captou R$ 30 bilhões da autorização para emitir até R$ 55 bilhões em títulos com o objetivo de financiar empréstimos concedidos pelo BNDES. Além da emissão complementar de R$ 25 bilhões, que pode ocorrer nas próximas semanas, o Tesouro poderá receber uma nova autorização para captar recursos adicionais para o BNDES ao longo de 2012, o que permitirá ao banco manter ou até mesmo acelerar seus desembolsos a fim de sustentar os investimentos.
5 - Reajuste do salário mínimo. A partir de janeiro de 2012, o salário mínimo será elevado de R$ 545 para cerca de R$ 620 mensais. O reajuste (14% em termos nominais) será o dobro do concedido em 2011 e o maior dos últimos cinco anos. Isso reforçará a renda de trabalhadores e aposentados, podendo encorajar o consumo e auxiliar na contenção da inadimplência.
6 - Obras de infraestrutura e novas concessões. Os cronogramas de execução das obras mais vitais para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 não estão sujeitos à crise internacional. Essas obras terão de ser aceleradas em 2012, independentemente da crise. O governo também tende a acelerar concessões voltadas a importantes gargalos na área de infraestrutura, principalmente portos, aeroportos e rodovias.
7 - Eleições municipais. Submetidos à legislação eleitoral, que proíbe determinados tipos de gastos de julho em diante, e premidos pelo calendário a inaugurar suas obras antes de 7 de outubro, a maioria dos 5.565 prefeitos do país acelerarão seus projetos no primeiro semestre de 2012, quando o contágio econômico da crise internacional poderá se tornar mais evidente.
8 - Investimentos estaduais. O governo federal já autorizou 17 dos 27 estados brasileiros a ampliarem em até R$ 37 bilhões seu endividamento com bancos e organismos multilaterais. Com isso, esses estados terão mais recursos para acelerar investimentos em obras voltadas à mobilidade urbana, saneamento e infraestrutura até 2013.
9 - Estímulo fiscal. Se a crise internacional se agravar e todas as medidas anteriores se mostrarem insuficientes para sustentar a atividade econômica, o governo poderá, como último recurso, reduzir parcialmente o superávit primário de 3,1% do PIB almejado para 2012 e ampliar investimentos para estimular a economia.
10 - Eleição presidencial de 2014. Se os argumentos econômicos acima não forem persuasivos o suficiente para ilustrar que o Brasil tem condições de sustentar o crescimento em 2012, eis um importante argumento político: como a legislação brasileira determina que o salário mínimo de um determinado ano seja reajustado pela variação da inflação do ano anterior acrescida à variação real do PIB de dois anos antes, o PIB de 2012 é que definirá o tamanho do reajuste real do salário mínimo em 2014. Ou seja, o crescimento da economia brasileira no ano que vem será um importante determinante do bem-estar dos eleitores em 2014, quando a presidente Dilma Rousseff poderá tentar sua reeleição.
Em síntese, diferentemente das dificuldades que a maioria dos países desenvolvidos enfrentará, em 2012 o Brasil terá mecanismos para sustentar um crescimento semelhante ou até mesmo superior ao de 2011. Esse objetivo poderá ser alcançado mais facilmente se o país não desacelerar em demasia no último trimestre de 2011 e não ocorrer um evento de crédito na Europa ou uma desaceleração acima do esperado na China.
Alexandre Marinis é economista pela USP e sócio da consultoria Mosaico Economia Política, pós-graduado em Política Pública e Administração de Empresas pela Georgetown University (Washington, D.C., EUA).
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7 Dez 2011
Da redação – Brasília / DF
Brasil vai estimular produção nacional de satélite
Por Marco Aurélio Reis
O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) já acertou o modelo da nova política espacial para o Brasil. O objetivo é estimular a produção nacional de satélites e o domínio de tecnologias consideradas críticas pelo governo para o desenvolvimento desse meio de comunicação. A nova política estará na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação que a presidente Dilma Rousseff lançará ainda este mês.
A proposta ainda inclui a criação do Conselho Nacional de Política Espacial, vinculado à Presidência da República, e um novo do modelo de governança para projetos de satélite. A ideia é replicar a forma de gestão do programa do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) – em que um comitê diretor (no caso, composto pelo MCTI, Ministério da Defesa, Ministério das Comunicações e Telebras) aprova planos, orçamentos, cronogramas para a construção do equipamento e é o responsável final pela operação do sistema.
O SGB, criado para atender demandas militares, e o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) serão construídos em parceria entre a Telebras e a Embraer. No começo do mês passado, as duas empresas assinaram um memorando de entendimento para constituição de sociedade (com participação de 51% da Embraer e 49% da Telebras).
“A escolha da Embraer como parceira da empresa que ficará responsável pela construção do satélite vai permitir a formação de um consórcio maior de empresas dispostas a investir em um projeto que é caro e demanda recursos intensivos”, afirmou Marco Antonio Raupp, presidente da AEB, em audiência pública na semana passada na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) no Senado Federal.
O desenho de governança do projeto da SGB esvaziou as participações do Instituto Nacional de Políticas Espaciais (Inpe) e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) na antiga política espacial e criou um arranjo institucional, com a participação da iniciativa privada, o que pode, segundo Raupp, dar mais agilidade à indústria nacional.
“Isso é um corolário da nossa política de incrementar o número de projetos e passar esses projetos para as empresas, não ficar nas mãos exclusivas dos institutos de governo. Por que esses institutos de governo estão sob o regime legal que atrapalha demais a condução de um projeto industrial. Não é o universo legal adequado para a execução de um projeto”, defendeu o presidente da AEB, Marco Antonio Raupp, em entrevista à Agência Brasil após a audiência.
A preocupação do presidente da agência é “criar carga para a indústria para que ela tenha condições de investir em capacitação”. A falta de continuidade das encomendas do programa espacial brasileiro é apontada por especialistas como um dos entraves para o estabelecimento, no Brasil, de uma indústria no setor. Membro da CCT, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) defendeu a parceria público-privada entre a Telebras e a Embraer.
“É uma parceria importante. Cabe ao governo brasileiro um controle maior para que esse investimento possa ser feito e que a gente possa ter domínio sobre a operação, a destinação e o uso do satélite.” (Com colaboração da Agência Brasil)
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28 Nov 2011
São Francisco / EUA
Sistemas críticos abrem brechas para ciberataques
Ataque que destruiu bomba de água de prestadora de serviços dos EUA chama a atenção das autoridades para evitar graves acidentes.
Por Jaikumar Vijayan
O ataque cibernético recente à rede de uma fornecedora de água da cidade de Springfield, no estado de Ilinois, Estados Unidos, que destruiu remotamente uma bomba hidraúlica e prejudicou o abastecimento na região, aumentou as preocupações das autoridades sobre vulnerabilidades de sistemas críticos. O sistema invadido é utilizado por empresas de serviços públicos, usinas nucleares e plataformas de petróleo.
Um cracker conseguiu entrar nos sistemas de controle da estação de tratamento de água da empresa de utililty e interrompeu o seu funcionamento. O invasor ativou e desativou esse equipamento até queimá-lo, acessando remotamente o Supervisory Control and Data Aquisition (SCADA), ou Sistema de Supervisão e Aquisição de Dados.
O SCADA são sistemas que utilizam software para monitorar e supervisionar dispositivos de controles industriais e bastante utilizados pelas empresas de utilities, indústrias e usinas nucleares. As investigações constataram que o cibercriminoso utilizou um computador com IP baseado na Rússia.
Especialistas na área de sistemas de controle industrial não demonstraram surpresa com o ataque inconsequente e alertam que o incidente pode ser um aviso do que está por vir pela frente. A ocorrência comprovou fragilidade do sistema SCADA. Eles constatam muitas brechas em sistemas críticos e advertem que as autoridades, governo e organizações precisam reforçar a proteção dessas redes. Relatórios iniciais das autoridades dos EUA constatam que os cibercriminososo teriam tido acesso a informações e senhas de usuários do SCADA. Veja a seguir quatro lições aprendidas com esse incidente, que ainda está sendo investigado:
1 - Compartilhamento de informações críticas
Embora o relatório do FBI e Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS) não tenha apresentado ainda conclusões sobre o acidente de segurança ocorrido na empresa pública de água, há muita especulação sobre a natureza desse tipo de ataque. A análise dos especialistas é que o sistema de segurança e detectção contra intrusos falhou.
Há questionamentos principalmente sobre os motivos que provocaram a destruição remota da bomba de água, depois que os crackers invadiram o SCADA. Para L.W.Brittian, consultor e especialista nessa tecnologia, apenas o processo de ligar e desligar do equipamento não seria suficiente para queimar a bomba. Porém, ele afirma que se o equipamento foi acionado várias vezes pode ter ocasionado superaquecimento e os sensores falharam, desligando também os mecanismos de monitoramento da segurança.
“É possíve que o SCADA tenha sido acessado pela internet por pessoas que sabiam acionar a bomba para interromper o seu funcionamento. Eles podem ter programado o sistema para ligar e desligar a cada três segundos, até que algo acontecesse”, analisa Brittian. Entretanto, o especialista descarta a possibilidade de os crackers terem acessado pela web o sistema que protege o motor da bomba contra sobrecarga e aquecimento.
“Precisamos de mais detalhes sobre o que aconteceu exatamente”, afirma o consultor. Para o especialista, as organizações precisam ficar mais atentas com seus sistemas de monitoramento e sensores de segurança.
2 - Fragilidade dos sistemas SCADA
A grande maioria dos sistemas utilizados para controlar equipamentos críticos como estações de energia, usinas nucleares e instalações de tratamento de água é inseguros. Em muitos casos, qualquer pessoa com acesso lógico para um sistema de controle industrial ou controlador lógico programável pode baixar o firmware do SCADA sem autenticação, segundo os especialistas. Suas senhas podem ser codificadas, o que abre brechas para invasões, dizem eles. Essas vulnerabilidades foram aceitáveis por um longo tempo porque os sistemas SCADA não funcionavam conectados com o mundo externo. Assim, o seu funcionamento só era comprometido por meio de ataques físicos.
Hoje o cenário é muito diferente. Um número crescente de sistemas SCADA está conectados à internet, tornando-os muito mais vulneráveis a ataques de fontes externas. Na semana passada, um cracker chamado “pr0f” informou que invadiu o SCADA de uma concessionária de água na cidade de Houston, no estado do Texas, quebrando ma senha de três caracteres usada para proteger o sistema. Ralph Langner, especialista em controles industriais, avisa que está aumentando o número de invasão a esses sistemas. Ele ficou conhecido no ano passado por ter ajudado a decifrar o vírus Stuxnet, criado para atacar o sistema operacional SCADA desenvolvido pela Siemens para controlar as centrífugas de enriquecimento de urânio iranianas.
3 - Vulnerabilidades abrem brecha para ataques
Depois do vírus Stuxnet e do ataque ao sistema da fornecedora de água de Springfied, o SCADA pode estar na mira dos cirbercriminosos, alerta Eric Byres CTO e fundador da Byres Security, fornecedora de soluções de segurança para controle industrial. Segundo o executivo, somente este ano, mais de 200 falhas de seguranças foram constatadas em produtos de Industrial Control Systems (ICS) de diversos fornecedores, em comparação com pouco mais de 10 que foram descobertos em 2010. A comunidade SCADA "não pode mais viver em uma pequena bolha", adverte Byers. "A segurança por obscuridade não funciona mais."
4 - Dificuldade para corrigir falhas
Com o surgimento do Stuxnet, os fornecedores têm aumentado esforços para corrigir vulnerabilidades em sistemas SCADA. Mas os especialistas percebem que a maioria deles tem focado mais em aplicações Windows baseadas em Human Machine Interface (HMI), as chamadas Interfaces Homem Máquina, utilizadas para interagir com sistemas SCADA.
O instituto norte-americano de segurança ISA Security Compliance lançou no ano passado um programa para avaliar vulnerabilidades e certificar produtos de controle industrial. Até agora, apenas duas empresas tiveram suas soluções certificados que são a Honeywell e RTP Corporation. Empresa de utilities também muitas vezes não têm os recursos necessários para reforçar a segurança de seus sistemas de controle. Isso ocorre principalmente com as companhias menores como é o caso da de Springfield. "Utilities pequenas têm mais dificuldade para proteger seus sistemas SCADA e DCS [Sistema de Controle Distribuído] porque elas não têm a equipe de TI ou outros recursos para cuidar dessa área”, constata Dale Peterson, CEO da Digital Bond, consultoria especializada em segurança de sistemas de controle. "Temos visto empresas de utilities municipais que têm apenas duas pessoas na equipe de TI responsáveis por manter tudo funcionando", afirma o consultor. Essas pessoas monitoram o SCADA por meio desktops e e-mail. (Fonte: Redação da Computerworld)
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7 Nov 2011
Da redação – Porto Alegre / RS
Lixo vira fonte de energia e vai valer mais que ouro em 15 anos
Lixo vira fonte de energia e vai valer mais que ouro em 15 anos
Transformar milhões de toneladas de lixo em algo benéfico é uma necessidade de sobrevivência do ser humano e do meio ambiente
Por Kátya Desessards
Ogrande desafio hoje dos países está voltado para as questões que envolvem a preservação do meio ambiente ou, pelo menos, deveria ser. Sustentabilidade, tecnologia e consumo, faz hoje a tríade da equação mais estudada e pesquisada dos últimos 30 anos. Conseguir encontrar soluções para os problemas gerados pelo consumo excessivo de bens duráveis e para a necessidade – cada vez maior – de energia é, sem dúvida, o grande desafio dos gestores públicos e dos altos executivos das grandes empresas.
Adequar as necessidades de consumo das pessoas e de existência do meio ambiente sempre foi uma equação ilógica, principalmente nas sociedades altamente capitalistas.
Reciclar, reusar, transformar, reutilizar, são ações conscientes e imprescindíveis para a vida no planeta. O consumo é o resultado da produção, por esse motivo os países levaram séculos para entender que o produto pode ser um agente amigável à natureza e não um vilão. Assim, como o subproduto do consumo – o lixo – que ainda é considerado produto para descarte, para ser ignorado, para ser escondido, etc., e esta postura, nada inteligente, vem gerando outro subproduto: poluição e doenças, os lixões são proliferadores de doenças, além de poluírem e contaminarem tudo a sua volta. E se você soubesse que – exatamente – o nosso lixo... sim, o lixo... pode ser a nossa maior fonte de energia? Pense no assunto...
O luxo do desperdício
Hoje no Brasil são produzidos cerca de 250 mil toneladas/dia de lixo, segundo dados oficiais. Apenas a cidade de São Paulo é responsável por mais de 19 mil toneladas/dia, sendo a que mais produz lixo no país. Isso dá mais de 88 milhões de toneladas/ano de lixo pelo território nacional ou 440 quilos por habitante. É muito lixo...
Literalmente o Brasil joga mais de R$ 8 bilhões por ano no lixo, segundo o Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Uma pesquisa realizada ano passado, pelo instituto, conseguiu desvendar a composição do lixo que o brasileiro produz:
- Lixo orgânico = 52%
- Papel e papelão = 26%
- Plástico = 3%
- Metais (alumínio, ferro, aço, etc.) = 2%
- Vidro = 2%
- Outros = 15%
A grande maioria das cidades brasileiras não consegue dar um fim positivo para o lixo que produz. Áreas enormes, lixões a céu aberto, são encontrados por todo o Brasil, poluindo e sendo um estorvo completamente sem qualquer utilidade.
O destino do lixo brasileiro está dividido da seguinte maneira:
- 53% vai para aterros sanitários
- 23% é direcionado para aterros controlados
- 20% é lançado em lixões
- 2% virão compostagem e reciclagem
- 2% têm outros destinos
Alguns dados importantes sobre a reciclagem do lixo brasileiro:
- O Brasil recicla cerca de 97% das latinhas de alumínio que são descartadas;
- Apenas 55% das garrafas PET são recicladas.
A reciclagem ainda é vista com preconceito
Várias são as organizações que pensam numa sociedade ecologicamente correta. Mas, sejamos objetivos: será que todas as empresas, entidades ou até mesmo órgãos públicos tomam atitudes que visam o bem estar e a preservação de nosso meio ambiente?
O tema por incrível que pareça, ainda é polêmico. A questão ambiental tem tomado, nos últimos anos, grande parte da grade de programação das redes de TV, uma vez que o aquecimento global se mostra cada vez mais presente no planeta. Os últimos relatórios dos encontros mundiais que discutem o meio ambiente são ,totalmente desfavoráveis, o que nos preocupa muito.
O Brasil, em especial, tem outros problemas além deste que mobilizam a atenção de nossos governantes. Nossa diversidade de fauna e flora está completamente ameaçada e nós, como sociedade civil organizada, devemos nos empenhar para equilibrarmos o meio em que vivemos. Ou será que vamos ter que pegar em armas para defender nossas águas e nossa Amazônia?
Infelizmente adotar práticas de gestão não é o forte da administração pública, basta ver a realidade dos diversos municípios brasileiros, apenas cerca de 5% deles possuem a sua Agenda 21 Local e apenas pouco mais de 1% efetivamente implementada, mantida e com resultados obtidos.
No caso da adoção da cultura dos 3R, as medidas recicláveis geram não apenas vantagens para a economia, mas grandes ganhos na qualidade ambiental, que têm reflexos em toda a sociedade.
- 53% vai para aterros sanitários
- 23% é direcionado para aterros controlados
- 20% é lançado em lixões
- 2% virão compostagem e reciclagem
- 2% têm outros destinos
Alguns dados importantes sobre a reciclagem do lixo brasileiro:
- O Brasil recicla cerca de 97% das latinhas de alumínio que são descartadas;
- Apenas 55% das garrafas PET são recicladas.
A reciclagem ainda é vista com preconceito
Várias são as organizações que pensam numa sociedade ecologicamente correta. Mas, sejamos objetivos: será que todas as empresas, entidades ou até mesmo órgãos públicos tomam atitudes que visam o bem estar e a preservação de nosso meio ambiente?
O tema por incrível que pareça, ainda é polêmico. A questão ambiental tem tomado, nos últimos anos, grande parte da grade de programação das redes de TV, uma vez que o aquecimento global se mostra cada vez mais presente no planeta. Os últimos relatórios dos encontros mundiais que discutem o meio ambiente são ,totalmente desfavoráveis, o que nos preocupa muito.
O Brasil, em especial, tem outros problemas além deste que mobilizam a atenção de nossos governantes. Nossa diversidade de fauna e flora está completamente ameaçada e nós, como sociedade civil organizada, devemos nos empenhar para equilibrarmos o meio em que vivemos. Ou será que vamos ter que pegar em armas para defender nossas águas e nossa Amazônia?
Infelizmente adotar práticas de gestão não é o forte da administração pública, basta ver a realidade dos diversos municípios brasileiros, apenas cerca de 5% deles possuem a sua Agenda 21 Local e apenas pouco mais de 1% efetivamente implementada, mantida e com resultados obtidos.
No caso da adoção da cultura dos 3R, as medidas recicláveis geram não apenas vantagens para a economia, mas grandes ganhos na qualidade ambiental, que têm reflexos em toda a sociedade.
Eis alguns exemplos:
- Cada tonelada de papel reciclado representa 3 m³ de espaço disponível nos aterros sanitários. A energia economizada com a reciclagem de uma única garrafa de vidro é suficiente para manter acesa uma lâmpada de 100 W durante quatro horas.
- Com a reciclagem de uma lata de alumínio economiza-se o suficiente para manter ligado um aparelho de televisão durante 3 horas.
- A cada 28 toneladas de papel reciclado evita-se o corte de 1 hectare de floresta (1 tonelada evita-se o corte de 30 ou mais árvores).
- 1 tonelada de papel novo precisa de 50 a 60 eucaliptos, 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia.
- 1 tonelada de papel reciclado precisa de 1.200 kg de papel velho, 2 mil litros de água e 1.000 a 2.500 KW/h de energia.
- Com a produção de papel reciclado evita-se a utilização de processos químicos evitando-se a poluição ambiental: reduz em 74% os poluentes liberados no ar e em 35% os despejados na água.
- A reciclagem de uma tonelada de jornais evita a emissão de 2,5 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.
- O papel jornal produzido a partir das aparas requer 25% a 60% menos energia elétrica que a necessária para obter papel da polpa da madeira. O papel feito com material reciclado reduz em 74% os poluentes liberados no ar e em 35% os despejados na água, além de reduzir a necessidade de derrubar árvores.
- O Brasil só recicla cerca de 30% de seu consumo de papel. O vidro é 100% reciclável e o Brasil só recicla cerca de 14,2% do vidro que produz e consome.
Fica a pergunta: Qual a justificativa para não se investir nestas e outras práticas básicas de gestão? Se for feita uma pesquisa com a população, segundo especialistas, perguntando o que vem a ser 3R, seguramente a maioria não saberá responder. Resultado de um processo de educação ambiental incipiente ou pouco eficaz.
A cultura dos 3R:
• Reduzir — consumir menos é fundamental. Hoje, o Brasil produz 88 milhões de toneladas de lixo por ano, cerca de 440 quilos por habitante;
• Reutilizar — é impossível reduzir a zero a geração de resíduos. Mas, muito do que jogamos fora deveria ser mais bem reaproveitado. Potes e vasilhames de vidro e caixas de papelão podem ser úteis em casa ou nas indústrias de reciclagem. E o destino de restos de comida, como cascas e folhas, tinha de ser a compostagem;
• Reciclar — o "erre" mais conhecido é sinônimo de economia de matérias-primas. Vidro, papel, plástico e metal representam, em média, 50% do lixo que vai para os aterros. Além disso, a reciclagem pode virar dinheiro. O economista Sabetai Calderoni, do Núcleo de Políticas Estratégicas da USP e autor do livro Os Bilhões Perdidos no Lixo, calcula em 5,8 bilhões de Reais por ano o total que o Brasil deixa de arrecadar com materiais recicláveis. Uma fortuna equivalente a dezessete vezes o orçamento do Ministério do Meio Ambiente.
Os princípios:
a) Reduzir - a produção do lixo;
b) Reutilizar - os materiais (sempre que possível);
c) Reciclar - o que não pode ser reduzido nem reutilizado.
Reciclagem rentável
Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o Brasil poderia economizar cerca de R$ 8 bilhões por ano se reciclasse todos os resíduos hoje encaminhados aos lixões e aterros sanitários. Atualmente, a economia gerada com a reciclagem varia de R$ 1,5 bilhão a R$ 3 bilhões/ano, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Os dados foram apresentados na última semana, em reunião com as ministras Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, Márcia Lopes, do Desenvolvimento Social, e representantes do Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal. Apenas 14% da população brasileira conta com coleta seletiva e somente 3% dos resíduos sólidos urbanos são destinados à reciclagem.
A busca por energias renováveis e pela preservação ambiental
Em todo mundo, novos investimentos em energias renováveis subiram 32% no ano passado, atingindo a soma recorde de US$ 211 bilhões, de acordo com um relatório encomendado pelo Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (Pnuma).
Como tantos outros levantamentos, este também é puxado pela China, responsável por um quinto deste total de investimentos, US$ 48,9 bilhões.
O Brasil registrou queda de 5% no setor, passando de US$ 7,3 bilhões (2009) para US$ 6,9 bilhões (2010) - em contraste com outros grandes países em desenvolvimento, como a Índia, onde o investimento subiu 25%, e, claro, a China, que aumentou em 28%.
Por outro lado, no período anterior (2008-2009), a queda brasileira tinha sido ainda mais vertiginosa: 44%.
Mas, o documento elaborado pela Bloomberg New Energy Finance e pela Escola de Finanças de Frankfurt também destaca o investimento brasileiro entre os principais do período, na área de energia eólica em 2010. "Projetos fundamentais em andamento incluem o leilão eólico de 211 megawatts (MW) do portfólio da IMPSA Ceará e 195MW do Renova Bahia, ambos no Brasil, e a fazenda eólica de 200 MW em Hebei Weichang Yudaokou, China".
Mas a Europa não fica atrás. Na Itália, o investimento foi três vezes e meio maior que em 2009 (248%), subindo para US$ 8,4 bilhões, em grande parte responsável por incentivos do governo à energia solar.
A Alemanha, que já era a campeã mundial em energias renováveis, dobrou os seus investimentos, alcançando US$ 41 bilhões em 2010. O carro-chefe no período foram compras de paineis solares para casas particulares. Para o diretor do Pnuma, Achim Steiner, a expansão é uma "crescente contribuição ao combate ao aquecimento global, e a falta de energia e insegurança energética, além de estimular empregos verdes e a realização das Metas de Desenvolvimento do Milênio."
Energia
O lixo vai se transformar em energia limpa e sustentável
Tecnologia inovadora promete revolucionar o setor de energia e se tornar a grande solução para o destino do lixo urbano
Nos últimos cinco anos vem se ‘ouvindo’ e lendo em alguns jornais e revistas especializadas de vários países, da necessidade de se dar um destino mais produtivo para o lixo das cidades. Alguns experimentos e pesquisas já demonstram que há sim várias possibilidades de transformação do lixo em um produto muito valioso: energia.
Especialistas da área, afirmam que o lixo poderá valer mais que o ouro daqui a 15 anos ou menos. A primeira impressão é de espanto.
No início desta reportagem, deixamos você pensando sobre a possibilidade do lixo virar nossa maior fonte de energia... Não estávamos brincando! É a constatação de uma tecnologia testada, comprovada e que está desembarcando no Brasil.
A história de descoberta e criação desta nova tecnologia começa no início do século passado. Mais precisamente durante a primeira Guerra Mundial, na cidade de Vicenza, na Itália. Mas, foi apenas na década de 60 que o processo começou a ser testado e colocado a prova.
A ideia é simples. Mas é a sua simplicidade que a torna genial. Quando se toma conhecimento de como funciona a Usina do Lixo, se tem a sensação de que tudo poderia ter sido muito diferente se os países tivessem levado esta ideia avante. O principal pensamento que fica teimando em nossa mente é de que todo o lixo gerado – até então – e toda a poluição e degradação – também desencadeados até o momento – poderiam ter sido evitados. É como se nos deparássemos com um tipo de túnel do tempo que nos obrigasse a ver como tudo poderia ter sido diferente.
Ao mesmo tempo, que a Tecnologia da Usina do Lixo nos dá esperança e perspectivas de um mundo melhor e sem lixões, aterros sanitários e poluição doméstica, ela nos faz enxergar nossa própria incompetência e petulância, por demorarmos tanto tempo em ver o que sempre esteve ali... para ser visto.
Usina do Lixo: tecnologia simples e revolucionária
A tecnologia iniciou a ser desenvolvida na década de 30, incentivada pelo governo italiano para que fosse desenvolvida novas formas de geração de energia que substituísse o petróleo, que estava escasso por conta da 1ª Guerra Mundial que consumia todos os recursos energéticos da época. Com o fim da guerra, o governo ‘esqueceu’ as pesquisas e terminou com os investimentos.
Mas, um desses cientistas não se deu por vencido e continuou suas pesquisas em casa, com recursos próprios. Levou mais de 30 anos para descobrir o processo que transforma lixo em energia sem gerar qualquer tipo de combustão ou poluição, chamado de: Reestruturação Molecular Catalítico. Tendo como seu maior ‘segredo’ o VORTEX, que é o núcleo de todo o processo.
Anos depois, a tecnologia foi comprada pela italiana BDF Industries Spa, empresa atuante no mercado desde 1906, com história de inovação e de apostar em investimentos arrojados de engenharia e alta tecnologia. “Hoje há várias plantas da Usina de Lixo em pleno funcionamento em vários países da Comunidade Europeia, que custam em média 12 milhões de euros”, salienta Daniel Radici Jung, diretor jurídico do escritório gaúcho Gianelli Martins Advogados, que assessora a BDF no Brasil.
No Brasil, porém, este custo poderá ser até 45% mais barato, pois a maioria dos componentes para a montagem da planta, serão fabricados no País. O retorno financeiro da usina, de acordo com o Jung, leva em torno de três a cinco anos. O que é um tempo muito pequeno diante do grande retorno econômico e, sobretudo, dos benefícios sociais e ecológicos. “Este é um projeto totalmente sustentável e acreditamos que será um aliado dos gestores públicos para a solução dos problemas gerados pelo lixo”, explica Daniel Radici Jung.
A tecnologia italiana é totalmente diferente das existentes e em funcionamento até então pelo mundo, pois o seu grande diferencial é a emissão ZERO de poluentes. Isto porque, os resíduos não passam por combustão no processo para se transformarem em energia.
A novidade, ainda pouco conhecida, em breve pode ser realidade no Brasil porque representantes da companhia estão conversando com autoridades municipais do Rio Grande do Sul para instalar uma usina deste tipo no estado.
O projeto foi apresentado em Porto Alegre pelo engenheiro da italiana BDF Industries Spa, Ulisses Armeni, que está conduzindo as negociações no Brasil – sendo assessorado pelo escritório gaúcho Gianelli Martins Advogados. O projeto será financiada pelos fundos de investimentos norte-americano ASG - Applied Strategies Group
.
Hoje, a BDF Industries atende a 47 cidades italianas, que juntas reúnem mais de 135 mil habitantes. A capital argentina, Buenos Aires, já fechou contrato para construção de cinco plantas da empresa. Outras estão em fase de construção na França, Alemanha, Escócia e Iêmen.
O diferencial do processo
A planta de processamento em escala industrial foi testada por dois anos no norte da Itália, com a cooperação de universidades, cientistas, pesquisadores e engenheiros. Com mil quilos de lixo orgânico é possível produzir 350 litros de biodiesel, 330 metros cúbicos de biogás e 280 quilos de combustível sólido, como o carbono. Além disso, 140 litros de água tratada resultam do processo.
Uma planta com capacidade para processar 45 toneladas de lixo por dia (quantidade média produzida por um município de 40 mil habitantes) gera cerca de 19 mil litros de biodiesel e 16 mil metros cúbicos de biogás. “Este é um modelo básico da Usina, que pode ser ampliado caso haja necessidade de maior capacidade instalada por conta da demanda”, completa o diretor da Gianelli Martins Advogados, Daniel Radici Jung.
A tecnologia - reestruturação molecular catalítica de resíduos orgânicos, faz com que os restos de comida, madeira, papel, plásticos, esgoto urbano e rural passe por secagem onde, após, são colocados em uma torre de reação. O processo resulta em cinco produtos:
Hoje, a BDF Industries atende a 47 cidades italianas, que juntas reúnem mais de 135 mil habitantes. A capital argentina, Buenos Aires, já fechou contrato para construção de cinco plantas da empresa. Outras estão em fase de construção na França, Alemanha, Escócia e Iêmen.
O diferencial do processo
A planta de processamento em escala industrial foi testada por dois anos no norte da Itália, com a cooperação de universidades, cientistas, pesquisadores e engenheiros. Com mil quilos de lixo orgânico é possível produzir 350 litros de biodiesel, 330 metros cúbicos de biogás e 280 quilos de combustível sólido, como o carbono. Além disso, 140 litros de água tratada resultam do processo.
Uma planta com capacidade para processar 45 toneladas de lixo por dia (quantidade média produzida por um município de 40 mil habitantes) gera cerca de 19 mil litros de biodiesel e 16 mil metros cúbicos de biogás. “Este é um modelo básico da Usina, que pode ser ampliado caso haja necessidade de maior capacidade instalada por conta da demanda”, completa o diretor da Gianelli Martins Advogados, Daniel Radici Jung.
A tecnologia - reestruturação molecular catalítica de resíduos orgânicos, faz com que os restos de comida, madeira, papel, plásticos, esgoto urbano e rural passe por secagem onde, após, são colocados em uma torre de reação. O processo resulta em cinco produtos:
1- Água (para utilização na irrigação);
2- Carbono Puro (resíduo sólido) que pode ser utilizado na fabricação de tijolos, asfalto, etc.;
3- Biodiesel (a classificação irá depender do perfil do tipo de lixo de que será processado);
4- Biogás;
5- Óleo pesado – que é auto-utilizado pela própria usina.
Os combustíveis podem ser usados em veículos ou para geração de eletricidade, por meio de geradores. O sistema é auto-sustentável, já que a energia gerada pela usina abastece todo o processo produtivo.
Veja como funciona a Usina de Lixo:
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1 Nov 2011
Da redação – São Paulo/SP e Nova Iorque/EUA
Sete competências-chave mais procuradas na área de TI
Para gerentes de TI, a formação dos graduados em novas tecnologias não atende às necessidades das empresas.
Por Mary K. Pratt*
O CIO da U.S. Gas & Electric, Greg Taffet, está buscando talentos. Ele empregou quatro nos últimos seis meses e está pensando em somar mais 11 à sua equipe de 20 pessoas. Sua lista de vagas em aberto inclui um programador de EDI, um programador de gestão de risco, um programador de CRM, um analista de negócios e um assistente do gerente de TI.
No entanto, Taffet duvida que quaquer graduado preencha facilmente qualquer uma dessas posições. Os programas de graduação e pós-graduação não têm sido capazes de acompanhar as necessidades das empresas de TI, diz. "É algo horrível de se dizer, mas o pouco tempo na faculdade não é o suficiente para aprender todas as habilidades que as pessoas precisam para ser bem-sucedidas. Esperamos cade vez mais, e as universidades estão fornecendo mais. Porém estamos pedindo ainda mais", diz Taffet.
Afinal, qual é o "mais" que Taffet e outros líderes de TI querem? Eles continuam a valorizar o "soft skills", particularmente as habilidades de comunicação, atendimento ao cliente e uma compreensão de como se comportar profissionalmente. Agora eles também estão encontrando várias lacunas na formação para negócios específicos e em habilidades técnicas. Os gerentes de TI entrevistados disseram quais as competências que desejam. Leia e tome nota.
1. Conhecimento das funções empresariais básicas
Novos graduados em ciência da computação entendem termos como contas a receber, logística ou projetos de marketing? Provavelmente não, diz o CEO da Computing Technology Industry Association (CompTIA). A maioria dos estudantes procura disciplinas dentro do campo de estudo de seus cursos de ciências da computação. Isso ocorre mesmo com os graduados de tecnologia que buscam posições corporativas de TI em que espera-se que desenvolvam aplicações que facilitem o trabalho de outros departamentos. E embora os programas de TI de pós-graduação tenham melhorado em relação a iniciar os alunos nos negócios, ainda há deficiências de conhecimento.
Nos Estados Unidos, as faculdades estão começando a lidar com o problema, diz o professor do College of Business and Economy e associado FedEx Center for Supply Chain Management da Universidade de Menphis, Brian Janz.
A universidade está em seu segundo ano com o modelo de currículo elaborado pela Association for Information Systems (AIS) e a Association for Computing Machinery (ACM), que oferece aos estudantes de tecnologia tanto habilidades de TI e quanto profissionais, como comunicação e liderança. A mudança trouxe mais cursos de negócios para a grade de Ciência da Informação, diz Janz. "Se conseguirmos dar-lhes a base sólida, [as empresas] pode dar-lhes o material específico para sua organização."
Nesse meio tempo, os líderes de TI têm desenvolvido estratégias para assegurar que seus empregados tenham uma visão básica de negócios. Taffet, por exemplo, procura novos graduados com alguma experiência em trabalho profissional, com a compreensão de como uma empresa opera. O CIO da U.S. Gas & Electric afirma que muitas vezes eles são encaixados mais rapidamente do que outros no mercado de trabalho.
Para os novos contratados que não têm conhecimento do negócio suficiente, especialmente na área de finanças, Taffet oferece um curso que ensina o que ele chama de "Finance 101", que são lições informais sobre conceitos básicos de contabilidade, como contas a receber e contas a pagar. "É menos glamouroso do que várias disciplinas que estão sendo ensinadas, mas é importante para um funcionário entender [as funções de negócio] que todas as empresas têm", explica Taffet.
2. Procura-se: experiência com empresa de integração de sistemasNão há como negar que os estudantes universitários têm muito conhecimento sobre computador. Mas essa experiência não significa que os alunos são escolarizados nos processos de TI que as empresas utilizam, diz o presidente e CEO da Computing Technology Industry Association (CompTIA), Todd Thibodeaux.
A maioria dos estudantes de ciência da computação passa grande parte do tempo na faculdade aprendendo a construir suas próprias aplicações e sistemas, ainda que as companhias, muitas vezes, não precisem necessariamente, desse tipo de conhecimento. "Quando você entrar no mundo dos negócios, será menos necessário saber criar seu próprio sistema e mais sobre como integrar sistemas", diz Thibodeaux.
Os novos graduados que podem construir seus próprios sistemas a partir do zero podem impressionar, mas muitas empresas dão mais valor àqueles que podem integrar várias aplicações empresariais e grandes pacotes comerciais. Segundo Taffet, diante dessa lacuna de competências, muitos departamentos de TI corporativos optam por treinar os novos contratados. As grandes empresas tendem a contratar consultores para auxiliar no processo, enquanto as pequenas e médias encontram maneiras de treinar novos funcionários diretamente.
3. Procura-se: conhecimento de tecnologias emergentes da empresa
Business Intelligence (BI) e cloud computing são duas tendências emergentes de tecnologia que são de alta prioridade para os gerentes de TI nos dias de hoje, mas não são ainda tópicos nos currículos universitários. Algumas faculdades podem oferecer apenas alguns dos cursos mas, com as tecnologias mudando tão rapidamente, tendem levar algum tempo para o desenvolvimento de cursos extensivos sobre tendências que estão em evolução, diz o vice-presidente sênior da empresa de recursos humanos de TI Modis, Marty Sylvester.
Sylvester diz que sempre ouve CIOs que falam da dificuldade de encontrar jovens trabalhadores treinados em tecnologias corporativas emergentes, particularmente a computação em nuvem. Algumas empresas oferecem cursos para obter uma evolução mais rápida dos ovos contratados. O CEO da consultoria de TI Pariveda Solutions, Bruce Ballengee, planeja abrir cem vagas de emprego para graduados da faculdade, oferecendo cursos para aqueles com graduação em ciência da computação ou MIS.
Ainda assim, Ballengee diz que as novas contratações de sua empresa começarão com uma semana de "developer school", para familiarizá-los com áreas emergentes que não foram abordadas na faculdade, como cloud computing e BI, assim como linguagens de programação da companhia como SQL, .Net e Java.
4. Procura-se: o básico da tecnologia
"Uma lacuna que estamos descobrindo é que as faculdades não ensinam o básico", diz o diretor de Sistemas de TI da fornecedora de software Dassault Systèmes, Jeff Browden. Como a tecnologia se torna cada vez mais avançada, Bowden tem visto um declínio na capacidade dos recém-formados para lidar com tarefas simples de TI.
As novas contratações realizadas por Bowden têm um baixo nível de competência técnica, e não conhecem o caminho de um prompt de comando ou não sabe como consertar um PC quando não está respondendo à entrada do mouse. "Se você começou 20 anos atrás foi forçado a aprender isso, mas como os computadores evoluíram, as pessoas ignoraram essas atividades básicas, mas pode haver demandas desae tipo quando se está solucionando problemas de computadores."
Bowden afirma que, muitas vezes, deixa os novos funcionários descobrirem o que fazer por conta própria quando são confrontados com problemas básicos de tecnologia. "Nossa preferência é fazê-los aprender fazendo, pesquisando", diz ele. "Depois de passar por algumas experiências, você passa a conhecer a tecnologia", afirma o executivo, acrescentando que, em determinados casos, ele tem um membro da equipe mais experiente para ensinar o profissional recém-contratado.
5. Procura-se: familiaridade com sistemas legados
Já Sylvester, da Modis, diz que as empresas estão procurando pessoas que possam trabalhar com sistemas legados. Eles querem que os profissionais de tecnologia saibam Cobol, Customer Information Control System (CICS) e tenham habilidades com mainframe entre outros conhecimentos. Mas faculdades não estão ensinando esse temas, diz Sylvester.
"Há uma preocupação real de que as organizações devem perder algumas das habilidades com mainframe quando os [baby] boomers [nascidos imediatamente após a Segunda Guerra Mundial] se aposentar, pois elas não estão sendo ensinados nas universidades", acrescenta Jerry Luftman, diretor-executivo e professor emérito da Escola de Gestão de Tecnologia do Stevens Institute of Technology em Hoboken. Ele diz que algumas companhias pedem que fornecedores de seu legado treinem novos contratados diretamente.
Tanto Luftman quanto Sylvester dizem que as companhias estão buscando graduados dispostos a aprender lidar com sistemas legados, embora não seja uma tarefa fácil encontrá-los. Eles dizem que as empresas estão tentando atrair novos talentos para aprender habilidades de mainframe.
6. Perspectiva do mundo real
Para o executivo de TI da Geiger, Dale Denham, os recém-formados tendem a se concentrar na melhor tecnologia sem considerar o que é melhor para limitações fiscais da empresa ou população de funcionários. "Eu tenho um monte de pessoas que, por exemplo, sabem como projetar o banco de dados no papel [ou] o melhor storage, mas não estão olhando para os impactos sobre a experiência do usuário", diz Denham.
"Eles não sabem como equilibrar TI com as necessidades dos negócios. Ou não percebem o custo de fazer alguma atividade, o tempo que irá demorar, as habilidades necessárias etc", acrescenta. A maioria das contratações pode até adquirir essas habilidades no trabalho, mas "as escolas poderiam dar uma bases para isso." Denham diz que tenta trazer os novos funcionários para a realidade, mostrando as razões pelas quais seus projetos não ganharão sinal verde. "Se eles têm mente aberta, funciona", diz ele.
7. Procura-se: capacidade de trabalhar em equipe
Pode ser surpresa, mas a geração mergulhada em Facebook, Twitter e outras comunidades, acabam não tendo a habilidade de construir o mesmo espírito de colaboração no local de trabalho, segundo relato dos líderes de TI. Para Thibodeaux é um desafio para as empresas. Ele observa que as dificuldades de trabalhar em equipe é maior entre os que fizeram o curso de ciência da computação, que passaram muito tempo da faculdade trabalhando sozinho em projetos. "Muitos deles não sabem como trabalhar em conjunto de forma eficaz ou definir e gerenciar expectativas. Isso não está sendo ensinado muito bem em faculdades ou em escolas de pós-graduação."
O presidente da consultoria e de treinamento SEBA, James T. Brown, diz que algumas faculdades estão tentando resolver a lacuna por meio de mais cursos para as equipes, em vez de alunos individuais. Brown diz que poucas companhias têm liderança robusta e programas de formação de equipes de treinamento para seus funcionários, incluindo empregados de tecnologia, mas as empresas que oferecem tais programas reconhecem que obter o valor integral de qualquer funcionário quando ele ou ela trabalha bem com os outros .
E alguns traços que os gerentes de TI amam
Embora seja verdade que os gerentes de TI estejam consternados que os graduados em novas tecnologias não tenham habilidades específicas, em geral eles concordam que essa nova geração é tech-savvy, trabalhadora e com vontade de aprender.
Thibodeaux, CompTIA, diz que ouve de colegas que a última geração de graduados é enérgica, criativa e disposta a contribuir. "Eu não tenho certeza de que foi sempre assim", diz ele. "Vinte anos atrás havia mais de um ambiente de comando e controle. As pessoas não eram tão voluntariosas. As crianças de hoje gostam de variedade, energia, criatividade e uma boa natureza, que vem junto com isso."
Os executivos de TI também dizem que suas contratações mais recentes têm um senso intuitivo de tecnologia - em particular perspicácia, redes sociais e novas ideias sobre como aplicá-las para melhorar o negócio. "Muitas vezes eles têm grandes conhecimentos sobre o que deveria ser avaliado ou até se pode funcionar", diz John N. Oglesby, executivo de TI e fundador da Society for Information Management. "Eles trazem uma nova perspectiva, completamente diferente, e é daí que a inovação vem." (Fonte: da Computerworld/USA)
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31 Out 2011
Da redação – São Paulo / SP
Empreiteiras brasileiras crescem no exterior mas se envolvem em polêmicas
por Mônica Siqueira, especial para i-press.biz
As empreiteiras brasileiras aumentaram fortemente sua presença em países da América Latina nos últimos dez anos, graças a financiamentos públicos. No entanto, vários projetos dessas empreiteiras são ou foram cercados de polêmicas, sendo contestados por grupos locais e movimentos sociais. O caso mais recente ocorreu na Bolívia. Na última segunda-feira, o presidente Evo Morales promulgou uma lei que transforma em "zona intocável" a reserva indígena de Tipnis (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure), no centro do país, onde a empreiteira OAS construía uma rodovia.
A obra de cerca de 300 quilômetros, com um custo aproximado de US$ 420 milhões (R$ 727 milhões), motivou protestos por parte dos indígenas, que promoveram uma caminhada de mais de dois meses até a capital, La Paz, a fim de pressionar Morales a desistir do projeto. Somente na América Latina, as cinco maiores empreiteiras brasileiras - Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa - realizam atualmente obras em pelo menos 16 países, fora o Brasil.
Com a ajuda do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), essas empresas expandiram suas operações fora do país nos últimos dez anos, conquistando mercados principalmente na América Latina e na África. Entre 2001 e 2010, o desembolso de financiamentos do banco para obras de empreiteiras brasileiras no exterior teve uma alta superior a 560%, saltando de US$ 194,5 milhões, dez anos atrás, para US$ 1,3 bilhão no ano passado. Entre janeiro e julho deste ano, os desembolsos foram de US$ 776 milhões.
Hidrelétricas
Além da rodovia na Bolívia, as questões mais controversas envolvendo empreiteiras brasileiras na América Latina estão ligadas a construções de usinas hidrelétricas em territórios indígenas e em zonas com grande área florestal nativa. Um exemplo é a usina de Inambari, no Peru, cuja construção deveria ter sido efetuada em uma área de floresta pela brasileira OAS, como parte de um projeto de integração energética entre os dois países.
Após anos de protestos de integrantes da comunidade local, o governo peruano anunciou em junho deste ano a cassação da licença provisória para as obras, que estão suspensas. Pelo menos outros dois projetos de hidrelétricas construídas com capital brasileiro no Peru são alvo de protestos: as usinas de Pakitzapango, no rio Ene, e Tambo 40, no rio Tambo, que ainda estão em fase de estudos.
Integrantes da tribo Asháninka alegam que as obras seriam uma ameaça à vida dos cerca de 10 mil indígenas que vivem na região. Já no Equador, a construção de outra hidrelétrica gerou um episódio de tensão diplomática. Em 2008, o presidente equatoriano, Rafael Correa, embargou os bens da empreiteira brasileira Odebrecht, que construiu a usina de San Francisco, e impediu a saída de funcionários da empresa do país.
O Equador exigiu o pagamento de uma indenização por parte da Odebrecht devido a supostas falhas no funcionamento da hidrelétrica, além de entrar com uma ação internacional para suspender o pagamento da dívida de US$ 243 milhões contraída com o BNDES para a construção da usina. O episódio levou o governo brasileiro a chamar seu embaixador em Quito para consultas.
Na Nicarágua, houve protestos envolvendo as obras da hidrelétrica de Tumarín, sob encargo da empreiteira brasileira Queiroz Galvão. Em 2010, camponeses chegaram a invadir as instalações da empresa, em protesto contra os valores das indenizações propostas pela empresa. No entanto, os ressarcimentos já foram pagos e as obras foram iniciadas no início deste mês.
Aliança entre Estado e empresas
Para a pesquisadora e cientista política Ana Saggioro Garcia, a ação de empreiteiras no exterior está ligada a políticas públicas brasileiras, já que é o Estado, por meio de financiamentos como os do BNDES, que viabiliza a participação das empresas em obras no exterior. Garcia afirma que este tipo de aliança tende a agravar eventuais conflitos.
"É uma aliança entre empresa e Estado para a realização de um dado projeto, em um marco de um projeto de desenvolvimento específico, contra as populações locais que vivem e trabalham no território", disse a pesquisadora à BBC Brasil. "É um embate entre atores desiguais."Na opinião de Garcia, existe uma diferença entre obras como as de usinas hidrelétricas e estradas e a instalação de indústrias brasileiras no exterior, por exemplo.
"As obras mexem com território, com lugar de vida. Existe uma vida naqueles locais que precisa ser transformada", diz. No caso boliviano, a pesquisadora vê Evo Morales como um presidente que, desde que chegou ao poder, sempre defendeu um projeto voltado para o campo e para as pequenas comunidades, mas que, devido a questões políticas internas, se viu obrigado a aliar-se ao Brasil e, segundo ela, ceder a um projeto mais voltado ao desenvolvimento.
Já o professor de Relações Internacionais da FGV-RJ Maurício Santoro afirma que a maioria das obras realizadas por empresas brasileiras no exterior não resulta em conflitos ou crises políticas e diplomáticas. "Esse é um problema que ocorre também com grandes obras realizadas no Brasil, como [as usinas] de Belo Monte e Jirau."
ANÁLISE - Maurício Santoro, professor de Relações Internacionais da FGV-RJ
Segundo ele, isto afeta uma minoria de empreendimentos envolvendo regiões sensíveis, como a Amazônia ou territórios indígenas. "Esse é um problema que ocorre também com grandes obras realizadas no Brasil, como [as usinas] de Belo Monte e Jirau", afirma. Embora considere legítimos os interesses do governo em promover empresas brasileiras e realizar investimentos no exterior, o especialista acredita que o governo do Brasil precisa tomar mais cuidado com empreendimentos que tenham o potencial de gerar disputas. Santoro afirma, por exemplo, que o BNDES deve ser mais cuidadoso para avaliar as dimensões sociais e ambientais das obras às quais financia. Além disso, ele vê a necessidade de o Brasil assinar com outros países Acordos de Promoção e Proteção de Investimento (mecanismos conhecidos como APPIs) para evitar conflitos como os da Bolívia. Procurada pela reportagem da BBC Brasil, a empreiteira OAS não se manifestou a respeito da construção da rodovia na Bolívia. (Agência BBC Brasil)
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25 Out 2011
Governo Federal destina R$ 500 milhões para agricultura familiar no Pará
por Marília Fonseca, especial i-press.biz
Em solenidade de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2011/2012 no Pará, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, reafirmou a estratégia central das políticas de apoio à agricultura familiar
"Nosso objetivo é avançar na organização social e econômica da agricultura familiar no Brasil, na renda e conservação da biodiversidade. Essas decisões e ações consolidam o lugar da agricultura familiar como pilar central de desenvolvimento do Brasil que cresce”. O ministro destacou também o Plano Brasil Sem Miséria como ação fundamental de inclusão produtiva das famílias em condição de extrema pobreza residentes nos Territórios da Cidadania.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) lançou nesta sexta-feira (21) o Plano Safra para o estado do Pará, pelo qual destina R$ 500 milhões para ações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) no estado. O acordo de cooperação para execução do Plano Safra foi assinado pelo ministro Afonso Florence e o governador Simão Jatene durante solenidade realizada em Belém, como parte da programação da Feira Frutal Amazônia e Flor Pará.
O governador ressaltou a parceria do Pará com o governo federal para a execução do Plano e citou a regularização fundiária como fundamental para o desenvolvimento do estado. “Que a luta pela terra seja motivação de vida para os brasileiros”, disse. “Tenho certeza de que o esforço dos atos aqui assinados significam passos importantes para a construção da sociedade que sempre desejamos, que tem sido acerto e luta dos trabalhadores rurais”, afirmou o governador. Na solenidade, quatro famílias de agricultores familiares receberam pelo Programa Terra Legal Amazônia os títulos definitivos dos imóveis onde moram e trabalham em Concórdia do Pará. A prefeitura do município também recebeu o título definitivo de três bairros que ainda estavam em nome da União.
A agricultora Catarina Assunção de Sousa foi uma das beneficiadas, junto ao marido Francisco Ferreira de Sousa. O casal conta que agora pretende acessar créditos pois com o título querem investir na terra. “Isso significa muito para nós, posso dizer que trabalho no que é meu, posso produzir e zelar da terra que é minha. Estou muito feliz”, diz Catarina, que vai investir na produção de açaí, mandioca, cupuaçu e criar galinha na área de 21 hectares que pertence à família a partir de hoje. A agricultora Edna Lúcia da Silva Lira recebeu o título de propriedade das mãos da secretária nacional de Regularização Fundiária da Amazônia Legal, Shirley Nascimento, simbolizando as entregas que ocorrerão ainda este mês em três municípios do Pará. Nos dias 27 e 28 de outubro, serão entregues 150 títulos rurais em Bujaru, Concórdia do Pará e São Domingos do Capim.
Plano Safra 2011-2012
Dos R$ 500 milhões destinados ao crédito de agricultores familiares do Pará, R$ 300 milhões são para operações de investimento e R$ 200 milhões para operações de custeio. A partir desta safra, todas as linhas de investimento do Pronaf, inclusive a Mais Alimentos, têm juros de 1% ao ano para financiamentos de R$ 10 mil e de 2% ao ano de R$ 10 mil até R$ 130 mil, com prazo de pagamento de até dez anos e até três anos de carência. Os recursos estão disponíveis nas instituições financeiras que operam com o Pronaf desde 1º de julho.
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2011/2012 combina apoio ao aumento da produção de alimentos à geração de renda no campo e à promoção da organização econômica de agricultores familiares, assentados da reforma agrária e povos e comunidades tradicionais.
“O Pronaf foi uma conquista histórica, resultado de luta dos movimentos de agricultores. Cumpre o papel de garantir o subsídio necessário para a atividade rural. Conseguimos alcançar um patamar de que há disponibilidade de crédito”, falou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetagri/PA), Carlos Augusto, na solenidade. “Além dos recursos, entendemos que esse momento celebra esta ação importante de implementação do Plano Safra. Esse ato aqui revela a importância da agricultura familiar, este segmento tão importante para o desenvolvimento do estado e da Amazônia”.
O lançamento do Plano Safra no estado contou com a presença dos secretários nacionais de Agricultura Familiar, Laudemir Müller, de Regularização Fundiária na Amazônia Legal, Shirley Nascimento, de Desenvolvimento Territorial, Jerônimo Rodrigues, o Delegado Federal do MDA no Pará, Paulo Cunha, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetagri), Carlos Augusto, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), o superintendente do Incra no Pará, Elielson Silva, e o secretario de estado de Educação, Cláudio Ribeiro.
Alimentação Escolar
Florence convocou prefeitos a comprarem produtos da agricultura familiar para compor o Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE). “O PNAE tem o objetivo de garantir a segurança alimentar de crianças e jovens. Além disso, o programa estimula um círculo virtuoso da economia regional e garante a inserção da produção da agricultura familiar no mercado ”, ressaltou o ministro.
O Plano Safra reforça medidas de garantia de geração de renda, como as políticas de compras públicas do Governo Federal. Adesão das prefeituras ao PANE está sendo estimulada pelo MDA. A Lei da Alimentação Escolar determina que no mínimo 30% dos recursos repassados ao estado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) sejam destinados à compra de produtos da agricultura familiar.
Na solenidade em Belém, o presidente das Associações de Produtores Rurais, Mário Peixoto, e o secretário de estado de Educação, Claudio Ribeiro, assinaram acordo para a aquisição de produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar no estado do Pará. Pelo acordo, R$ 20 milhões do PNAE serão utilizados para compra de frutas regionais, hortaliças e laticínios para escolas da região metropolitana de Belém. No Pará, foi lançado no dia 31 de agosto o projeto Nutre que apoia a implantação da Lei da Alimentação Escolar nos municípios de Belém, Abaetetuba, Santarém, Ananindeua, Marituba, Barcarena, Igarapé Miri e Moju.
Desenvolvimento Territorial
No primeiro ato do lançamento, o ministro Afonso Florence realizou entrega ao governador Jatene do Relatório de Síntese dos Planos de Desenvolvimento Territorial dos Territórios da Cidadania do estado do Pará.
O ministro Afonso Florence anunciou também a liberação de R$ 5,9 milhões para ações de estruturação e apoio à produção nos Territórios da Cidadania Baixo Amazonas, Baixo Tocantins, BR-163, Nordeste Paraense, Marajó, Sudeste Paraense, Sul do Pará/Alto Xingu e Transamazônica. Deste valor, R$ 2,8 milhões serão destinados a investimentos (R$ 350 mil para cada Território) e R$ 2,6 milhões para chamada pública de desenvolvimento territorial. Desde a implantação dos Territórios da Cidadania, em 2008, o Governo Federal destinou R$ 3,2 bilhões para projetos de apoio a atividades produtivas, infraestrutura e cidadania e direitos no Pará.
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20 Out 2011
Da redação – São Paulo / SP
Incertezas do Cenário Externo Influenciam Quadro Doméstico
As preocupações neste último trimestre de 2011 estão voltadas para os desdobramentos sobre a economia brasileira da crise na área do euro, principalmente em relação à solvência dos bancos, os maiores detentores da dívida soberana dos países da região. A possível necessidade de um novo resgate dos bancos reforçou a preocupação com a situação fiscal. Estabeleceu-se um círculo vicioso entre o enfraquecimento dos bancos e dos governos, que pode levar simultaneamente à contração fiscal e do crédito bancário, com efeito redobrado sobre a atividade. Uma fonte recente de tensão vem do receio de que os governos europeus percam o controle da situação. Como a Grécia não cumpriu a meta de reduzir o déficit público como previsto, medidas adicionais de ajuste foram exigidas pela troika (FMI, BCE e União Europeia); isso gerou mais incerteza sobre o desfecho da crise e, ao mesmo tempo, aprofundou a insatisfação popular com o atual programa de ajuste. A experiência mostra que esse tipo de estresse será recorrente, com a Grécia usando seu poder de barganha restante para mitigar o ajuste. Este Boletim mantém sua visão de que quando o risco sistêmico for controlado, a Grécia irá renegociar sua dívida.
As incertezas do cenário doméstico se acumulam em várias frentes, com destaque para as repercussões sobre o nível de atividade, inflação, comércio exterior e suas várias inter-relações. Quanto ao primeiro, o registro continua a ser de desaceleração gradual. Quanto à inflação, acumulam-se as dúvidas em relação à possibilidade de que nem mesmo o teto da meta de inflação seja atingido no fim do ano. E quanto ao setor externo, a incerteza se desdobra em várias frentes, que vão dos preços futuros das commodities exportadas aos ingressos líquidos de recursos e às possíveis dificuldades das empresas fortemente endividadas em moeda estrangeira, caso o câmbio tenha mudado de patamar. Nesse contexto, cresce a expectativa em relação à atuação do BC e da política fiscal no médio prazo. Até que ponto o governo irá agir para evitar uma redução excessiva do crescimento? Essa preocupação permeia as análises deste Boletim, que tem início com o desempenho do nível de atividade.
O Indicador de Atividade Econômica do IBRE, a propósito, registrou em agosto aumento relativamente forte após dois meses de variações mensais positivas, mas mais fracas. Com esse resultado a taxa de crescimento da média móvel trimestral em relação ao trimestre anterior (tst) é de 0,7%. Mesmo assim, a série de taxas acumuladas em 12 meses continua em desaceleração: de 4,4% em julho para 4,2% em agosto. Nosso Indicador Mensal do Investimento confirma esse cenário de desaceleração: as variações acumuladas em 12 meses recuaram de 10,4% em julho para 9,0% em agosto, ao passo que a média do trimestre findo em agosto cresceu apenas 1,2% (tst).
Boa parte da desaceleração se deve à indústria de transformação, cujo desempenho continuará sendo fraco ao longo do último quadrimestre. Entre as categorias de uso dos bens, a única taxa de crescimento positiva em agosto foi a dos bens de capital. Mesmo assim, nos últimos 3 meses essa categoria cresceu apenas 0,3% em relação aos 3 meses anteriores, taxa superada apenas pelos insumos típicos da construção civil. Já as categorias de bens intermediários e de bens de consumo continuam apresentando um desempenho muito ruim.
O comércio varejista, por sua vez, continua apresentando bom resultado, mesmo com a desaceleração observada. O resultado positivo tem sido explicado, em grande medida, pelos bens duráveis, cujas taxas acumuladas em 12 meses ainda encontram-se em torno de 14%. Apesar da piora da indústria no terceiro trimestre, nossa estimativa preliminar para o crescimento do PIB no referido trimestre elevou-se ligeiramente, de 0,6% para 0,7-0,8%. Caso essa última taxa se confirme o efeito do carregamento estatístico para 2011 como um todo será de 3,4%.
A desaceleração do nível de atividade projeta-se para frente, a julgar pela análise de todos os índices de confiança do IBRE, que caíram em setembro. O indicador de confiança da indústria, em particular, atingiu naquele mês o menor nível desde agosto de 2009, resultado que o coloca em patamar inferior à média registrada desde 2003 e sinaliza para o fraco desempenho não só em setembro, mas para meses seguintes. Os números refletem acirramento da competição de importados, incertezas no mercado externo, acúmulo de estoques e projeção de desaceleração da demanda interna pelas empresas. Destaque-se que boa parte da queda do indicador no mês passado deveu-se ao emprego previsto. A piora desse indicador segue-se à piora gradual da percepção sobre a demanda ao longo do ano e ao acúmulo de estoques no terceiro trimestre. A confiança do setor de serviços mantém-se em patamar relativamente superior à do setor industrial, mas também vem se reduzindo. Isso indica que aquele setor caminha para um ritmo mais moderado de crescimento.
O mercado de trabalho, por sua vez, continuou aquecido em setembro: a taxa de desemprego prevista para o mês por este Boletim, de 5,9% em termos dessazonalizados, é muito próxima da dos meses anteriores. Os saldos e os estoques de empregos formais por setor indicam que a indústria vem empregando cada vez menos, enquanto os setores de construção, comércio e serviços reduziram o ritmo de desaceleração até agosto. Assim, esses últimos são os segmentos que sustentam um mercado de trabalho ainda aquecido.
A recente sinalização de cortes da SELIC num cenário de economia aquecida reacende as preocupações relacionadas aos impactos inflacionários da desvalorização cambial. O IPA, aliás, já captou alterações nos preços de commodities agrícolas e insumos industriais devidas à alta da moeda norte-americana.
Nos preços ao consumidor o movimento a curto prazo será de desaceleração no último trimestre. Isso fica evidenciado pela queda dos preços de alguns produtos alimentares com grande peso no IPA, como a carne bovina, e desacelerações em produtos como açúcar refinado, arroz beneficiado e queijos. Reforçando a evidência, o indicador-ponta do IPCA aponta para uma taxa de 0,19% para o grupo alimentação no mês de outubro. Com esse resultado espera-se recuo da taxa mensal do IPCA para algo próximo a 0,40%, após os 0,53% de setembro.
Mas esse índice acumula alta de 7,31% até setembro. Se antes da alta do câmbio a desaceleração de 0,80 ponto percentual necessária para que a inflação não ultrapasse o teto da meta não estava assegurada, os impactos já captados pelo IPA, ao se transmitirem ao varejo, poderão tornar este movimento ainda mais improvável. Consequentemente, a manutenção do ciclo de corte de juros poderá dificultar ainda mais a convergência da inflação para o centro da meta em 2012.
No front fiscal não há alterações significativas no último mês: a receita líquida continua em crescimento forte, embora com taxas levemente menores e em linha com a desaceleração da atividade econômica. Pelo lado dos gastos, a relativamente fraca expansão das despesas primárias é explicada pelo ganho real quase nulo do salário mínimo e pela contenção do nível de investimento público. Com base nos dados preliminares do Senado Federal, a tendência da despesa primária de setembro não será muito diferente da observada no mês anterior, além do avanço na margem dos gastos discricionários do Executivo e do pagamento parcial do abono salarial aos dependentes e segurados da previdência social.
No contexto de desaceleração da economia mundial, voltam à cena as dúvidas quanto aos impactos sobre as exportações brasileiras. A referência, naturalmente, é a experiência da crise de 2008, quando a queda na demanda mundial gerou redução no preço das commodities, da qual resultou queda de 23% do valor exportado pelo Brasil entre 2008 e 2009. Mas desde então a participação das commodities na pauta de exportações brasileiras cresceu continuamente. Os preços das principais commodities agrícolas (soja, carne e café) mostram leve tendência de queda, mas com muita instabilidade. Assim como em 2008-09, o fator-chave aqui será a demanda chinesa.
Em um cenário de piora do desempenho das economias europeia e estadunidense, é alta a probabilidade de queda nos preços das commodities, mesmo com crescimento da China em cerca de 9% em 2012. De qualquer forma, os resultados da balança comercial mostram que os efeitos dessa nova fase da crise ainda não são visíveis: as exportações aumentaram 31% e as importações 26% na comparação dos acumulados até setembro entre 2010 e 2011. O resultado de US$23 bilhões até setembro confirma a previsão de saldo comercial de US$ 27-28 bilhões em 2011.
O Boletim Macro do IBRE passa a contar a partir desta edição com uma seção dedicada à análise da ação do Executivo e do Legislativo. Essa seção, Observatório Político, é de responsabilidade do Prof. Carlos Pereira, da EBAPE/FGV. Neste número a análise tem como foco a votação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) na Câmara dos Deputados e o que ela pode ter representado para a estratégia do governo.
A seção Em Foco, por fim, trata da questão da desindexação, tema que ganha peso no debate a partir do momento em que o limite superior da meta de inflação corre o risco de ser superado, e quando se sabe que o retorno aos 4,5% exigirá do BC persistência semelhante à demonstrada pela inflação recente. Nesse contexto, a indexação volta à cena como obstáculo à queda da inflação. Mas sua importância como impeditivo dessa queda é superestimada, como se argumenta no artigo “De Virtude a Flagelo”, de autoria do Prof. Salomão Quadros, do IBRE. (Fonte: FGV)
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17 Out 2011
Da redação - São Paulo / SP
Lucratividade aliada à sustentabilidade
Princípios de conservação da natureza viabilizam economicamente a produção em médio e longo prazo
No contexto atual, a ideia de sustentabilidade une-se ao conceito lucratividade. Isso porque, ao administrar bem os recursos naturais, o produtor viabiliza economicamente sua produção, seja em médio ou longo prazo. Segundo Robson Laprovitera, gerente de planejamento florestal da International Paper, hoje, é praticamente impossível pensar em lucratividade sem necessariamente vinculá-la a princípios de conservação da natureza e respeito a aspectos sociais. As palavras do gerente refletem a preocupação de uma das maiores principais empresas do planeta na produção de papel e celulose. Uma realidade cada vez mais presente em um novo modelo econômico, pautado na Economia Verde. A sustentabilidade do próprio agronegócio passa por aí.
Laprovitera é um dos palestrantes do Fórum Produção, Conservação e Lucratividade – A Economia Verde como via de equilíbrio, que o Portal Dia de Campo promove no dia 26 de outubro, no IAC, em Campinas (SP). Entre os assuntos abordados por ele, estão a “Implementação do sistema florestal na realidade da fazenda”, a “Manutenção e gerenciamento” e o “Retorno econômico, produtivo e ambiental do sistema”.
O gerente explica ainda que, de um modo geral, o produtor rural, obtém sua renda administrando os recursos naturais, como o solo e a água, em sua propriedade e se ele não cuidar bem desses recursos, automaticamente estará inviabilizando a sustentabilidade da produção no médio e longo prazo.
Hoje em dia, com a tecnologia e conhecimentos técnico-científicos que temos na produção rural, não é viável um produtor iniciar um processo produtivo florestal, por exemplo, sem pensar no manejo adequado do solo, na preservação dos recursos hídricos, no manejo correto dos resíduos e no lançamento de efluentes. De fato, ele estará inviabilizando economicamente o seu negócio — ressalta.
Um dos destaques da palestra será mesmo a questão da implementação de um sistema produtivo florestal em uma fazenda. Para isso, o primeiro passo é o planejamento. Ele afirma que o produtor precisa determinar qual a área disponível para a atividade dentro da propriedade e, em seguida, identificar quais serão as áreas para o plantio e quais as áreas necessárias à conservação da natureza, em especial as áreas de preservação permanente, ou seja, as beiras de rios e nascentes e as áreas de reserva legal. Feito isso, e definida a área de efetivo plantio, ele fará então uma avaliação da capacidade produtiva daquele solo, através de uma análise.
É preciso entender o aspecto nutricional do cultivo da floresta que está colocando ali e refletir também nas possibilidades que o manejo pode ter sobre os impactos na perda de solo. Por exemplo, ele pode planejar estruturas de modo a evitar a erosão, fazer uma boa fertilização das plantas, adquirir mudas sabidamente adaptadas às peculiaridades de clima e solo de sua região — orienta Laprovitera.
Para ele, esses cuidados associados ao controle das pragas florestais e das ervas daninhas, podem desembocar em uma boa produtividade e um bom retorno econômico ao negócio, contemplando ao mesmo tempo produção e conservação ambiental.
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Da redação – São Paulo/SP e Paris/França
O poder da inteligência nos negócios
No ano passado, a companhia de seguros Farmers Mutual Group (FMG) decidiu atualizar sua solução de Business Intelligence do SAS, implementada há mais de cinco anos. A solução foi posta à prova em circunstâncias extremas. Em 4 de setembro, um terremoto atingiu Canterbury, na Nova Zelândia. Na época, a FMG efetuou um contato pró-ativo com todos os segurados que poderiam ser afetados pelo desastre.
Em duas horas, os assessores da FMG foram direcionados para a área e, fazendo uso da ferramenta de BI, a empresa foi capaz de identificar rapidamente quem eram os clientes com maior risco. As vendas nacionais e o centro de serviços em Palmerston North também foram munidos com os detalhes de contato de cada cliente que poderia ser afetado. Nessa situação incomum, como no relatório de vendas de rotina, o BI provou ser uma ferramenta valiosa para a companhia.
Hoje, a FMG usa a tecnologia de duas formas. A primeira, para o suporte operacional, com KPIs de vendas semanais disponíveis para o pessoal de vendas, e, segundo, para a análise dos vetores de desempenho. "Nós geramos cubos de Processamento Analítico Online (Olap), que ficam disponíveis para as profissionais na forma de autoserviço", diz Craig Skett, gerente de Informações de Negócios e de Serviços de Análise da FMG. Skett diz que a solução é facilmente integrada ao Microsoft Office e o treinamento necessário foi apenas "aprender mais sobre os dados que têm a ferramenta".
"Nós tomamos uma decisão consciente para tornar o BI uma ferramenta para toda a empresa", diz ele, acrescentando que a empresa identificou que "as pessoas não acessam o sistema até que ele tenha as informações de que precisam”.
Business intelligence é "vital para qualquer organização financeira", diz Skett. "Quanto mais poder de ir além das informações que você capturar, mais vantagem terá sobre seus concorrentes.”
Skett diz que apesar de acreditar que a solução atual atende às necessidades dos negócios, "todos os gerentes de BI têm uma lista de 20 atividades que querem inserir na ferramenta". Os tópicos incluim análises mais sofisticadas e a integração de informações geo-espaciais.
Vantagem competitiva
Adrian Dick, diretor de tecnologia da CallPlus empresa de telecomunicações, entrou na era da inteligência há um ano, quando a empresa estava discutindo seus objetivos para os próximos meses. "Muitos deles giravam em torno de melhorar a eficiência e a forma como a empresa opera", lembra. "Então, a pergunta foi feita: o quão eficiente estamos no momento?”
Para obter a resposta foi preciso recorrer a um sistema de inteligência de negócios que pudesse ser usado em todo o grupo. Mas colher essas informações não era tão simples, porque a CallPlus, que inclui o provedor de internet Slingshot, gera enorme quantidade de dados operacionais que são armazenados em silos.
"Nós produzimos milhões de discos todos os dias, que vão desde o uso da internet a cada telefonema individual. As operações podem produzir três registros, dependendo da plataforma", diz Dick.
Até então, a CallPlus gerava relatórios sob demanda. "Se você precisa saber de um problema, tem de pedir informações sobre ele em vez de percorrer o sistema e identificar o que está acontecendo", diz ele.
De acordo com o executivo, era comum o acúmulo de relatórios que foram necessários e uma vez que os relatórios foram produzidos, estavam desatualizados.
"Nós não investimos dezenas de milhões em uma solução. E sim em recursos para projetá-lo”, diz Dick, completando que a tecnologia foi desenvolvima internamente e batizada de Nostro, que recentemente foi premiada pela CIO dos Estados Unidos por sua excelência operacional.
Dick diz que cada um dos gerentes da companhia tem sua própria interface de Nostro. “A solução ambiente traz uma visão resumida aos tomadores de decisão em tempo quase real”, explica a customização.
Um dos principais benefícios, aponta, é o destaque das tendências que os tomadores de decisão não tinham consciência. Por exemplo, eles têm pacotes de chamadas em que números de destinos são agrupados em um determinado valor. "Nós não estávamos cientes de que perdíamos dinheiro com essa configuração", aponta.
O sistema também alertou sobre fraudadores que podiam usar os sistemas dos clientes da companhia. O Nostro, afirma Dick, identificou um aumento nas chamadas para uma conta de um cliente e a CallPlus pode alertá-lo de que isso estava acontecendo, antes mesmo de ele não notar a diferença.
Dick e sua equipe estão ampliando o uso do Nostro. Eles estão trabalhando para tornar o sistema disponível no iPad. Cerca de sete executivos, incluindo o CEO e o CFO, usam o e-mail e iPads. "Rapidamente, seremos capazes de mostrar a eles métricas-chave dos negócios onde quer que estejam", planeja. “Os benefícios chegarão a áreas em que nem mesmo esperam ser beneficiadas.”
Unindo a empresa
Criada em 1982, a Ceres Organics, especializada em terceirização e fornecimento de alimentos frescos e orgânicos empacotados e ainda produtos de beleza, cresceu nos últimos anos. O negócio inclui pontos de venda, lojas on-line, além de uma gama de clientes, incluindo agricultores e outros.
A empresa implementou sua solução totalmente integrada de BI em setembro de 2010.
O gerente-geral da companhia, David Josephson, diz que a grande vantagem de ter uma suíte de BI é "o imediatismo da informação". "Antes, era necessário passar o dado para um contador para escrever um relatório e enviá-lo de volta para o usuário. Agora, toda a companhia pode acessar as informações a qualquer momento", diz ele.
A ferramenta de BI ajuda a empresa a analisar e a controlar dados de cada dia e, ao fazê-lo de forma imediata, influencia diretamente na produtividade. "Ele também mostra como as atividades estão sendo realizadas para que possamos mudar os comportamentos, se necessário, em vez de ter de voltar para consertar depois”, completa.
A Ceres contava com uma solução legada baseada em DOS que estava impedindo o crescimento, a eficiência e a rentabilidade da companhia. Isso porque, a empresa não tinha um sistema de gestão de armazém e realiza centenas de processos manuais.
Com o Microsoft Dynamics AX e outras soluções, o gargalo foi eliminado. O resultado, diz, foi o que a empresa considera ser uma solução totalmente integrada de BI.
Josephson diz que o sistema funciona "em um padrão de inteligência de negócios e pode ser acessado em uma base ad hoc usando planilhas do Excel".
"Isso nos dá vários snapshots dos negócios", acrescenta, como informações sobre estoque, armazenagem e comunicação. "Por exemplo, o gerente do armazém pode a qualquer momento ver quantos pedidos de vendas são efetuados. Ao mesmo tempo, uma pessoa em uma função administrativa no escritório pode olhar para as vendas. Assim, abrange toda a companhia”, conclui.
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Da redação – Porto Alegre/RS e São Paulo/SPBusiness Inteligence analítico pode gerar benefícios estratégicos
Soluções para análises preditivas auxiliam empresas a identificar e responder rapidamente às novas oportunidades.
As empresas podem ter ganhos significativos de longo prazo ao contar com aplicação de análise preditivas de dados operacionais e históricos, afirmam especialistas do mercado de TI. Ao contrário das soluções tradicionais de Business Intelligence (BI), que são voltadas para análises de situações passadas, a abordagem preditiva está focada em ajudar as empresas a recolher inteligência com base em dados históricos.Se aplicada corretamente, a análise preditiva pode permitir que as companhias identifiquem e respondam a novas oportunidades mais rapidamente, pontuam especialistas.
James Taylor, CEO da Decision Management Solutions, afirma que análises preditivas são especialmente úteis em situações em que as organizações precisam tomar decisões rápidas diante de grandes volumes de dados. Análises preditivas ajudam empresas em três áreas principais: minimizar o risco, identificar fraudes e buscar novas oportunidades de receita, afirma Taylor. “Ela pode, por exemplo, aprimorar a capacidade de identificar riscos em áreas como crédito e origem de crédito, ou até fraude em áreas como créditos de seguros”, pontua. Taylor cita outro exemplo. “Ao olhar para os padrões de um cliente com base em compras históricas, as organizações podem fazer previsões razoáveis sobre ofertas promocionais e cupons que são de interesse do consumidor”, diz.
A Blue Cross and Blue Shield System (BCBS) já está desfrutando dos benefícios das análises preditivas. A organização, que atua na oferta de seguro saúde, a Blue Cross acumulou grande quantidade de reclamações ao longo dos anos. Há algum tempo, a Associação BCBS, entidade que detém as marcas da Blue, criou um banco de dados único chamado Blue Health Intelligence (BHI) para consolidar todas as informações mantidas por cada uma das 39 empresas que fazem parte do grupo. O banco de dados é um dos maiores repositórios de dados de saúde identificados no mundo e contém informações sobre mais de 100 milhões de pessoas. A BHI opera como uma unidade independente e fornece uma gama de serviços de Business Intelligence que está possibilitando melhores serviços de saúde para os membros do grupo e, ao mesmo tempo, transformando a maneira pela qual a BCBS gerencia seus custos.
Controle de custos
De acordo com Swati Abade, presidente e CEO da BHI, a iniciativa surgiu da necessidade de controlar os custos da companhia. “Uma grande parcela dos custos de saúde vai para o cuidado de pessoas com doenças crônicas”, afirma Swati. Na verdade, 5% dos usuários de saúde respondem por mais de 55% dos custos da companhia, completa.
Ao usar tecnologias de previsão analítica, diante de milhares de dados de reivindicações, a BCBS conseguiu não só identificar os fatores de risco que levam a várias doenças crônicas, mas também saber quais indivíduos estão em maior risco de contrair doenças, assinala. "Para todos os usuários de um plano de saúde, temos uma pontuação de saúde que representa a probabilidade de o indivíduo precisar de tratamento para uma doença crônica”, explica a executiva. A BHI desenvolveu módulos de doença específicas, como diabetes, que predizem o risco individual de contrair a doença com base em dados anteriores, diz.
O objetivo é ser capaz de usar os dados para localizar médicos para proporcionar melhor atendimento, mais direcionado aos pacientes de alto risco, reduzindo, assim, a necessidade de um tratamento caro e de longo prazo, assinala Swati.
O site de namoros Match.com é outra empresa que depende fortemente de análises preditivas para executar seus serviços. A companhia recolhe e mantém uma série de informações, algumas de assinantes e outras coletadas pelo monitoramento de interações no Match.com. O desafio da organização é encontrar uma maneira de melhorar a receita por assinante, oferecendo os melhores resultados possíveis com base nas preferências de cada usuários, afirma Jim Talbott, diretor de insights do consumidor no Match.com
É uma tarefa complicada, diz, pelo fato de que os assinantes podem indicar um conjunto específico de requisitos para um parceiro em potencial, mas, então, interagem com as pessoas que estão fora da sua própria escala de preferências especificada. Para superar esse cenário, o Match.com desenvolveu um modelo preditivo que coincide com as pessoas da base não apenas em suas preferências, mas também de acordo com o comportamento e as interações com outras pessoas.
Na visão de Taylor, empresas interessadas em modelagem preditiva precisam ter uma ideia clara dos objetivos antes de começar. “Elas precisam saber que tipo de decisões serão alimentadas por sua análise preditiva e trabalhar a partir daí”, aconselha.
Para desenvolver um bom modelo de previsão, as companhias devem se concentrar em definir um conjunto claro de regras de negócios para cada decisão e, em seguida, centrar a análise sobre a condução das melhores decisões, finaliza.
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