Janeiro 2012
* Deputado federal, jornalista formado pela UFSM.
Autor da Pec dos Jornalistas na Câmara dos Deputados.
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Dezembro 2011
Políticas públicas para o software nacional
Por Reges Antonio Bronzatti
O Governo Federal, por meio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) afirmou, em 2011, que era hora de uma legislação que promovesse o setor de software no Brasil. São 40 anos de espera, desde o tempo em que programação de computadores era realizada com cartões perfurados. Nesse período, o Brasil, já teve inúmeras oportunidades de um melhor desenvolvimento para o software brasileiro. As iniciativas tímidas, pouco privilegiaram, com ações concretas, empreendedores nacionais. Ao contrário, o Brasil se tornou um pólo consumidor de softwares internacionais, muitas vezes, criados por brasileiros que emigraram, para outros países, por não terem ambiente profissional propício em sua terra. Hoje, se desenha uma nova política, que não tem, em seu bojo, o verdadeiro incentivo ao setor de softwares nacionais. Consolida-se o modelo de desenvolvimento, que exportará empregos e não serviços ou produtos brasileiros, atraindo grandes conglomerados na busca de mão de obra qualificada e, verdadeiramente, transformando o Brasil em plataforma de empregos baratos para grandes empresas internacionais, utilizando nossos melhores talentos. E na seqüência, compraremos o mesmo software ou serviço, ampliando nosso déficit tecnológico. Qualquer coincidência com a formação da tal indústria automobilística brasileira não será mera coincidência. Atrair centros de desenvolvimento de software, de empresas multinacionais, não é investir em pesquisa e muito menos em inovação que poderiam promover o desenvolvimento nacional. Omite-se o tema educação, estímulo ao empreendorismo, cadeia produtiva ou mecanismos fiscais para qualificar empresas nacionais já estabelecidas. O que se vê, são medidas provisórias urgentes desonerando impostos de grandes indústrias de hardware (MP dos tablets), substituição de impostos, busca de atração de capital estrangeiro, sem nenhuma contrapartida, forçando nossa desindustrialização. Continuaremos consumidores e não criadores de tecnologias. Parece que o único objetivo aceitável é dar empregos aos nossos jovens que não teriam capacidade de obterem coisas melhores. Ledo engano. O brasileiro pode muito mais do que uma estratégia de submissão tecnológica que nos escraviza! Política pública não é pirotecnia: se faz com educação, planejamento, muita colaboração e trabalho. O Brasil deve incentivar as economias do futuro, como a TI (Tecnologia da Informação), com outras estratégias, além destas citadas, sob pena de, a curto prazo, nossos jovens qualificados, superiores e criativos, nos abandonarem e levarem nossa maior riqueza - a sua própria inteligência, recurso inestimável, para um país aspirante ao primeiro mundo.
*Presidente CETI-RS - Conselho das Entidades de Tecnologia da Informação do RS
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Agosto 2011
Dois anos após o fim da exigência do diploma de jornalismo, qual o ganho da sociedade em termos de acesso aos meios de comunicação?
Por Paulo Pimenta
Por Paulo Pimenta
Nenhum. Repito, a sociedade brasileira não obteve nenhum um ganho real com relação ao acesso aos meios de comunicação do país. Sequer, afirmo também, aumentou um “milímetro” a liberdade de expressão no Brasil, tese defendida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, de que a necessidade do diploma de jornalismo seria um embaraço a essa que é uma garantia constitucional. Também não se reduziu a concentração dos grandes grupos de comunicação, propriedade de poucos empresários. Na verdade, continuamos reféns da lógica mercadológica e do monopólio da mídia.
Portanto, em pouquíssimas linhas, fica muito claro que o fim do diploma é de interesse apenas dos grupos de comunicação, que buscam precarizar as relações de trabalho em vista de seus próprios lucros. Querem jornalistas menos críticos, sindicatos mais enfraquecidos, para, a seu gosto, não cumprirem a legislação, piso salarial, carga horária. Querem formar profissionais de redação, exclusivamente comprometidos com a receita dos jornais e suas linhas editoriais.
Os grandes grupos de comunicação alardeiam tanto o temor da censura e da restrição da liberdade de expressão, mas na verdade são eles os grandes censores do nosso país, ao pretender uma sociedade cada vez mais homogênea, que reproduza o pensamento de acordo com seus interesses. Combatem a pluralidade de idéias e manifestações sociais, que ameaçam, em sua visão, a “ordem social”.
Assim, iniciaram uma batalha, uma cruzada pelo fim do diploma. Sempre manipularam, esconderam a verdade. Apresentaram ao Supremo Tribunal Federal a tese de que exigir diploma seria o mesmo que restringir a liberdade de expressão. E os ministros, por falta de conhecimento do que é o jornalismo, cometeram um grande equívoco.
Jornalismo não é livre manifestação do pensamento. O ministro Gilmar Mendes confundiu opinião com informação jornalística. O jornalismo opinativo faz parte da primeira fase do jornalismo. Já no século XVIII, as notícias foram separadas dos artigos, pela necessidade de se diferenciar informação de opinião.
Acredito que nenhuma decisão dos Poderes deva desestimular as pessoas a buscar uma melhor condição intelectual. Nesses casos, é de conhecimento de todos, os esforços que estão sendo realizados no âmbito das políticas educacionais no Brasil, e a decisão do STF vem justamente em direção contrária, ao incentivar a não qualificação. Mais que isso, o STF foi além. Segundo Gilmar Mendes, o jornalismo foi só o primeiro. Para ele, à exceção da medicina, direito e das engenharias, as demais profissões devem todas ser atingidas no futuro pela não exigência de formação superior. De acordo com o ministro, questionado, o STF irá se pronunciar sobre cada caso. Foi aberta uma jurisprudência perigosa no nosso país.
Em recente avaliação da GFK, os jornalistas, no Brasil, ocupam a sétima posição em nível de confiança da população com relação às profissões. O grau de confiança nos jornalistas é de 79%. Isso é resultado de muitos anos em que se buscou uma maior formação dos jornalistas, houve uma melhora nas bases curriculares por parte das universidades. Sim, é preciso melhorar ainda mais, não só as escolas de jornalismo, mas a educação brasileira em todos os níveis e todas as áreas. Esse é um grande desafio do governo brasileiro. Diria mais, de todos os governos do mundo.
Se com o fim do diploma assistirmos a um esvaziamento das escolas de jornalismo, a tendência é termos menos mestres e doutores em comunicação/jornalismo, a produção crítica em relação ao próprio jornalismo se diminuirá. Sem a crítica acadêmica sobre nós mesmos, ou nossa profissão, aumenta cada vez mais o poder e a influência dos grupos de comunicação sobre os jornalistas e a sociedade.
A intenção das propostas em análise no Congresso Nacional não é tirar do mercado quem já atua e tem reconhecido trabalho na área do jornalismo. A PEC dos Jornalistas passa a valer de sua aprovação para o futuro. O que as propostas buscam é estimular nossos jovens à qualificação, diferente do que incentivaram os ministros do STF.
Felizmente, há uma compreensão da sociedade brasileira que a decisão do STF foi equivocada. E esse sentimento foi reproduzido aqui no Parlamento. Essa semana, a proposta que restabelece a necessidade do diploma de jornalismo para exercício desta atividade profissional foi aprovada no Senado por ampla maioria, 65 a 7. É necessária sua votação em segundo turno e após ela será remetida ao plenário da Câmara.
A exigência é por um jornalismo mais comprometido com a verdade e com o cidadão, que refuta o uso político do jornalismo por esses poucos grupos que controlam a mídia em nosso país.
Nos últimos anos, a forma de fazer jornalismo mudou muito, a partir do avanço da tecnologia. Podemos citar inúmeros exemplos, e todos eles contribuíram para o jornalismo colaborativo, ou seja, hoje a informação não é exclusividade das redações. Qualquer cidadão com um celular é capaz de fazer fotos, vídeos e colocar na rede. Mas isso não faz dele um jornalista.
Situação semelhante pode-se dizer dos que possuem seus blogs, que não terão sua produção de forma alguma atacada pelo restabelecimento do diploma de jornalismo. Em estado puro, somos todos possíveis produtores de ações que geram conteúdo, mas não somos todos capacitados, frente às exigências da comunicação e às necessidades da população, para fazer essa mediação.
Quanto maior a multiplicidade de canais e informações a sociedade tiver a sua disposição, maior será o papel do jornalista frente a essa mediação. Entretanto, apesar das inúmeras mudanças na forma de se fazer jornalismo, acredito que o que o jornalismo pede dos jornalistas, e a sociedade também, continuam sendo os mesmos e rigorosos critérios, que são comportamento ético, apuração criteriosa, compromisso com a verdade, direito ao contraditório, busca pela imparcialidade, conceitos amplamente discutidos e trabalhados nos bancos das faculdades. Além disso, a multidisciplinaridade, o confronto entre os campos sociais e sua correlação de forças, que buscam a legitimação dos seus discursos perante aos jornalistas. A não compreensão disso nos leva a um jornalismo declaratório, ao uso do jornalista, que sem o desenvolvimento dessa consciência, servirá a alguém, que não ao interesse da sociedade.
Quem acredita que jornalismo é dom e/ou livre manifestação do pensamento, deve acreditar também que o jornalista ao redigir um texto informativo esteja livre para criar. Desconhece que o discurso jornalístico deve estar sempre submetido aos acontecimentos. Nas palavras de Patrick Charaudeau, aprendemos, desde cedo, que a instância midiática, ao relatar um acontecimento, não tem liberdade para criar, como na ficção, por exemplo. Por isso, reafirmo, mais uma vez, que o diploma de jornalismo não é elemento restritivo à liberdade de expressão, pelo fato de a atividade profissional jornalística não ser o exercício desta conquista constitucional.
Portanto, em pouquíssimas linhas, fica muito claro que o fim do diploma é de interesse apenas dos grupos de comunicação, que buscam precarizar as relações de trabalho em vista de seus próprios lucros. Querem jornalistas menos críticos, sindicatos mais enfraquecidos, para, a seu gosto, não cumprirem a legislação, piso salarial, carga horária. Querem formar profissionais de redação, exclusivamente comprometidos com a receita dos jornais e suas linhas editoriais.
Os grandes grupos de comunicação alardeiam tanto o temor da censura e da restrição da liberdade de expressão, mas na verdade são eles os grandes censores do nosso país, ao pretender uma sociedade cada vez mais homogênea, que reproduza o pensamento de acordo com seus interesses. Combatem a pluralidade de idéias e manifestações sociais, que ameaçam, em sua visão, a “ordem social”.
Assim, iniciaram uma batalha, uma cruzada pelo fim do diploma. Sempre manipularam, esconderam a verdade. Apresentaram ao Supremo Tribunal Federal a tese de que exigir diploma seria o mesmo que restringir a liberdade de expressão. E os ministros, por falta de conhecimento do que é o jornalismo, cometeram um grande equívoco.
Jornalismo não é livre manifestação do pensamento. O ministro Gilmar Mendes confundiu opinião com informação jornalística. O jornalismo opinativo faz parte da primeira fase do jornalismo. Já no século XVIII, as notícias foram separadas dos artigos, pela necessidade de se diferenciar informação de opinião.
Acredito que nenhuma decisão dos Poderes deva desestimular as pessoas a buscar uma melhor condição intelectual. Nesses casos, é de conhecimento de todos, os esforços que estão sendo realizados no âmbito das políticas educacionais no Brasil, e a decisão do STF vem justamente em direção contrária, ao incentivar a não qualificação. Mais que isso, o STF foi além. Segundo Gilmar Mendes, o jornalismo foi só o primeiro. Para ele, à exceção da medicina, direito e das engenharias, as demais profissões devem todas ser atingidas no futuro pela não exigência de formação superior. De acordo com o ministro, questionado, o STF irá se pronunciar sobre cada caso. Foi aberta uma jurisprudência perigosa no nosso país.
Em recente avaliação da GFK, os jornalistas, no Brasil, ocupam a sétima posição em nível de confiança da população com relação às profissões. O grau de confiança nos jornalistas é de 79%. Isso é resultado de muitos anos em que se buscou uma maior formação dos jornalistas, houve uma melhora nas bases curriculares por parte das universidades. Sim, é preciso melhorar ainda mais, não só as escolas de jornalismo, mas a educação brasileira em todos os níveis e todas as áreas. Esse é um grande desafio do governo brasileiro. Diria mais, de todos os governos do mundo.
Se com o fim do diploma assistirmos a um esvaziamento das escolas de jornalismo, a tendência é termos menos mestres e doutores em comunicação/jornalismo, a produção crítica em relação ao próprio jornalismo se diminuirá. Sem a crítica acadêmica sobre nós mesmos, ou nossa profissão, aumenta cada vez mais o poder e a influência dos grupos de comunicação sobre os jornalistas e a sociedade.
A intenção das propostas em análise no Congresso Nacional não é tirar do mercado quem já atua e tem reconhecido trabalho na área do jornalismo. A PEC dos Jornalistas passa a valer de sua aprovação para o futuro. O que as propostas buscam é estimular nossos jovens à qualificação, diferente do que incentivaram os ministros do STF.
Felizmente, há uma compreensão da sociedade brasileira que a decisão do STF foi equivocada. E esse sentimento foi reproduzido aqui no Parlamento. Essa semana, a proposta que restabelece a necessidade do diploma de jornalismo para exercício desta atividade profissional foi aprovada no Senado por ampla maioria, 65 a 7. É necessária sua votação em segundo turno e após ela será remetida ao plenário da Câmara.
A exigência é por um jornalismo mais comprometido com a verdade e com o cidadão, que refuta o uso político do jornalismo por esses poucos grupos que controlam a mídia em nosso país.
Nos últimos anos, a forma de fazer jornalismo mudou muito, a partir do avanço da tecnologia. Podemos citar inúmeros exemplos, e todos eles contribuíram para o jornalismo colaborativo, ou seja, hoje a informação não é exclusividade das redações. Qualquer cidadão com um celular é capaz de fazer fotos, vídeos e colocar na rede. Mas isso não faz dele um jornalista.
Situação semelhante pode-se dizer dos que possuem seus blogs, que não terão sua produção de forma alguma atacada pelo restabelecimento do diploma de jornalismo. Em estado puro, somos todos possíveis produtores de ações que geram conteúdo, mas não somos todos capacitados, frente às exigências da comunicação e às necessidades da população, para fazer essa mediação.
Quanto maior a multiplicidade de canais e informações a sociedade tiver a sua disposição, maior será o papel do jornalista frente a essa mediação. Entretanto, apesar das inúmeras mudanças na forma de se fazer jornalismo, acredito que o que o jornalismo pede dos jornalistas, e a sociedade também, continuam sendo os mesmos e rigorosos critérios, que são comportamento ético, apuração criteriosa, compromisso com a verdade, direito ao contraditório, busca pela imparcialidade, conceitos amplamente discutidos e trabalhados nos bancos das faculdades. Além disso, a multidisciplinaridade, o confronto entre os campos sociais e sua correlação de forças, que buscam a legitimação dos seus discursos perante aos jornalistas. A não compreensão disso nos leva a um jornalismo declaratório, ao uso do jornalista, que sem o desenvolvimento dessa consciência, servirá a alguém, que não ao interesse da sociedade.
Quem acredita que jornalismo é dom e/ou livre manifestação do pensamento, deve acreditar também que o jornalista ao redigir um texto informativo esteja livre para criar. Desconhece que o discurso jornalístico deve estar sempre submetido aos acontecimentos. Nas palavras de Patrick Charaudeau, aprendemos, desde cedo, que a instância midiática, ao relatar um acontecimento, não tem liberdade para criar, como na ficção, por exemplo. Por isso, reafirmo, mais uma vez, que o diploma de jornalismo não é elemento restritivo à liberdade de expressão, pelo fato de a atividade profissional jornalística não ser o exercício desta conquista constitucional.
* Deputado federal, jornalista formado pela UFSM.
Autor da Pec dos Jornalistas na Câmara dos Deputados.
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Dezembro 2011
Por Reges Antonio Bronzatti
O Governo Federal, por meio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) afirmou, em 2011, que era hora de uma legislação que promovesse o setor de software no Brasil. São 40 anos de espera, desde o tempo em que programação de computadores era realizada com cartões perfurados. Nesse período, o Brasil, já teve inúmeras oportunidades de um melhor desenvolvimento para o software brasileiro. As iniciativas tímidas, pouco privilegiaram, com ações concretas, empreendedores nacionais. Ao contrário, o Brasil se tornou um pólo consumidor de softwares internacionais, muitas vezes, criados por brasileiros que emigraram, para outros países, por não terem ambiente profissional propício em sua terra. Hoje, se desenha uma nova política, que não tem, em seu bojo, o verdadeiro incentivo ao setor de softwares nacionais. Consolida-se o modelo de desenvolvimento, que exportará empregos e não serviços ou produtos brasileiros, atraindo grandes conglomerados na busca de mão de obra qualificada e, verdadeiramente, transformando o Brasil em plataforma de empregos baratos para grandes empresas internacionais, utilizando nossos melhores talentos. E na seqüência, compraremos o mesmo software ou serviço, ampliando nosso déficit tecnológico. Qualquer coincidência com a formação da tal indústria automobilística brasileira não será mera coincidência. Atrair centros de desenvolvimento de software, de empresas multinacionais, não é investir em pesquisa e muito menos em inovação que poderiam promover o desenvolvimento nacional. Omite-se o tema educação, estímulo ao empreendorismo, cadeia produtiva ou mecanismos fiscais para qualificar empresas nacionais já estabelecidas. O que se vê, são medidas provisórias urgentes desonerando impostos de grandes indústrias de hardware (MP dos tablets), substituição de impostos, busca de atração de capital estrangeiro, sem nenhuma contrapartida, forçando nossa desindustrialização. Continuaremos consumidores e não criadores de tecnologias. Parece que o único objetivo aceitável é dar empregos aos nossos jovens que não teriam capacidade de obterem coisas melhores. Ledo engano. O brasileiro pode muito mais do que uma estratégia de submissão tecnológica que nos escraviza! Política pública não é pirotecnia: se faz com educação, planejamento, muita colaboração e trabalho. O Brasil deve incentivar as economias do futuro, como a TI (Tecnologia da Informação), com outras estratégias, além destas citadas, sob pena de, a curto prazo, nossos jovens qualificados, superiores e criativos, nos abandonarem e levarem nossa maior riqueza - a sua própria inteligência, recurso inestimável, para um país aspirante ao primeiro mundo.
*Presidente CETI-RS - Conselho das Entidades de Tecnologia da Informação do RS
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Agosto 2011
Por Nigel Fenwick
Todos os dias vemos exemplos de como o cliente tem ganhado poder sobre tudo, de marcas aos governos. A economia digital de hoje exige que as equipes de marketing reajam à velocidade do mercado: o ciclo de vida do desenvolvimento de produtos, que já chegou a durar anos, está reduzido a meses ou semanas; no atendimento ao cliente as expectativas passaram a ser a de respostas imediatas; as questões de relações públicas devem agora ser tratadas em minutos, não dias, e as campanhas de marketing devem ser ajustados em tempo real, com base no feedback imediato de meios de comunicação social.
Nesta nova era, a tecnologia é vital para o sucesso. No entanto, aos olhos de muitas equipes de marketing, o departamento de TI parece um grupo lento e desatualizado, preso no século passado, tentando reengenharia de processos de negócios com sistemas de ERP que levam anos para serem implementados. Como resultado, diretores de marketing têm olhado para a nuvem e para o modelo de software como serviço como caminho rápido e direto para resolver suas necessidades tecnológicas, contornando a TI. Infelizmente, é o CIO que tem que aparar as arestas quando se trata de integração e segurança.
Há sinais, no entanto, de que as equipes de TI e marketing estão começando a resolver desentendimentos de longa data. CIOs têm procurado estabelecer fortes parcerias com CMO. Um dos caminhos é a contratação crescente de profissionais de TI com experiência em serviços de marketing para trabalhar nos projetos ao lado das equipes de marketing. Para dar mais velocidade, esses líderes de TI estão mudando processos com foco em fornecer resultados contínuos.
Para melhorar as relações entre a TI e marketing, a Forrester recomenda o seguinte:
1. Mover o departamento de TI do " departamento do não" para o "departamento de que aqui é assim", permitindo pilotos iniciais de novas tecnologias que suportem campanhas de marketing.
2. Chegar a um acordo com a equipe de liderança de marketing sobre as habilidades e os recursos que a equipe de TI precisará ter para ajudar a aumentar a rentabilidade do negócio.
3. Estabelecer um conjunto com a equipe de marketin um plano de TI, explicando o que deve acontecer e como.
Para os CIOs dispostos a dar o salto para a área de negócios, uma boa relação com o Marketing é a maior oportunidade.
(*) vice-presidente e principal analista da Forrester
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Agosto 2011
Facebook anda "roubando" dados de usuários através de aplicativos para smartphones
Por Kao ‘Cyber’ Tokio
Se você é usuário de Facebook, sabe, pela política de privacidade do site, a importância com que zelam pelos seus dados pessoais. Embora isso seja verdade, você provavelmente não sabia que o mesmo Faebook tem mantido uma rotina de pegar, sem pedir a devida autorização, dados de usuários que que utilizam o recurso através dos aplicativos em gadgets como smartphones e outros mobiles.
Todas as informações de seus contatos estão, muito provavelmente, armazenadas também nos servidores da rede social, sejam nomes, telefones, endereços de email e quaisquer outros dados. Se esta política não está de acordo com os seus princípios, a Geek te dá uma forcinha para impedir essa inconveniência.
Siga os passos abaixo:
1 – Visite o Facebook a partir de um computador convencional;
2 – Na área superior direita da tela, clique em Conta e em Editar Amigos;
3 – No menu lateral na tela, clique em Contatos;
4 – Nesta página, estão os contatos de todos os seus amigos, com os números telefônicos. No lado direito da tela, clique no link Esta Página;
5 – Siga as instruções da tela, desabilitando a sincronização dos contatos, presente no campo de aplicativo do mobiles, se esta opção estiver habilitada;
6 – Clique no botão Remover.
As dicas são do site BGR, que ressalta que alguns usuários norte-americanos têm afirmado estar recebendo avisos que informam que alguns dos aplicativos do facebook para os dispositivos móveis fazem uso desses dados. Porém, os anúncios não informam que os dados estão sendo armazenados pelo serviço.
Aliás… Já parou pra pensar onde devem estar todas aqueles suas informações acumuladas no Gmail ou no MSN?
* Professor de Design de Games e Efeitos Especiais, com especialização em Mídias Interativas e bacharel em Artes Cênicas, programador cultural do Sesc São Paulo, cenógrafo, designer digital, ilustrador, roteirista e articulista dos sites Game Cultura, Retro Games Brasil e Blogame.
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Maio 2011
Um gigante do agronegócio internacional
Por Ademar da Silva Junior
Um dos principais setores da economia brasileira atualmente, o agronegócio convive hoje com uma imagem que vai contra o forte papel social que desempenha. A ele é atribuída a responsabilidade por problemas relacionados a destruição do meio ambiente. O que não se percebe é que essa é uma idéia pouco fundamentada. Está nas propriedades agrícolas o sustento de boa parte da população brasileira e há inúmeras iniciativas sendo feitas para que o impacto ambiental de lavouras e propriedades agropecuárias seja sempre o menor possível. Coloca-se assim em jogo os princípios de sustentabilidade norteando uma atividade que, por sua própria história, sempre ajudou o Brasil a conhecer melhor a riqueza de seu meio ambiente e desempenhou, desde sempre, o mais relevante papel no crescimento socioeconômico da população nacional e no seu posicionamento como fundamental player do mercado internacional do setor.
Esta idéia errônea que se percebe nos discursos de muitas vozes hoje influentes no país, demonstram pouco conhecimento da realidade econômica do Brasil frente aos interesses de grandes países também produtores de alimentos e aos lobbys multinacionais que usam a bandeira verde para dar continuidade a um colonialismo disfarçado que se iniciou no descobrimento do Brasil e de suas grandes riquezas há mais de 500 anos.
Um dos principais pilares deste tipo de ideologia que embasa os discursos pelos quais o agronegócio seria o responsável pelo desmatamento de nossas florestas está também no noticiário da imprensa brasileira. Vive-se hoje em um mundo no qual a mídia é cada vez mais acessível a todos por meio de inúmeras tecnologias.
Na década de 1960, o mundo já discutia a questão da fome com atenção. Em 1968, Paul Ehrlich, um dos pensadores alinhados a Teoria Populacional de Thomas Malthus, escrevia que: “A batalha para alimentar toda a humanidade acabou. Nas próximas décadas, centenas de milhões de pessoas vão morrer de fome, apesar de qualquer plano de emergência iniciado agora. A esta altura nada pode impedir o aumento substancial da mortalidade mundial”. Tal afirmativa se dava com base em estatísticas que demonstravam que a produção de alimentos crescia em uma proporção assustadoramente menor do que o crescimento da população mundial.
Outro embasamento para as conclusões pessimistas sobre o futuro da produção mundial de alimentos está no famoso relatório "The Limits to Growth" (Os limites do crescimento). Tal material, que vendeu milhões de cópias em 30 idiomas, teve conteúdo elaborado por um grupo de cientistas de sistemas do Massachusetts Institute of Technology (o conceituado instituto de pesquisa norte-americano, MIT) e foi publicado, em 1972, pelo Clube de Roma organização sem fins lucrativos que reúne nomes ilustres do cenário europeu nas áreas de ciências, política, negócios, religião, cultura e sociedade civil, para discutir os problemas cruciais enfrentados pela humanidade. Tal relatório analisou diferentes cenários futuros, pesquisou formas de conciliar crescimento econômico e meio ambiente, porém afirmou que o mundo ficaria logo sem matérias primas para sustentar as economias dos povos, o que hoje vemos como uma previsão não confirmada.
Desde essa época até os dias de hoje, desponta no cenário internacional a mudança de postura de uma nação da América do Sul que importava de outros países praticamente todo o volume de alimentos necessários para alimentar sua população (carne, feijão, arroz etc.). Esse país era o Brasil que decidiu expandir a sua produção interna investindo em pesquisas cientificas, e não em subsídios, como é feito até hoje em muitos dos países ditos desenvolvidos.
Com esta estratégia, mudança de cultura e determinação nacional do governo em formar a capacidade produtiva agrícola brasileira, acontece o que denominamos de “A Revolução Verde”. Um gigante tropical agrícola acorda e demonstra ao mundo sua força. Entre suas estratégias nesta luta por espaço no mercado agrícola estão a pesquisa agrícola, a existência de grandes fazendas com aplicação interna de capitais e abertura de mercado, novas práticas de manejo, e, em especial, um povo empreendedor que começa a adotar e a demonstrar ao mundo um modelo de gestão de fazendas único no cenário global.
Este modelo é baseado em fazendas altamente produtivas, sem grandes subsídios estatais - ao contrário do que ocorre em boa parte dos países europeus e nos EUA -, e é mais adaptado a funcionar em países pobres como os de continentes africano e asiático. O modelo se mostrou eficiente e, em pouco mais de 30 anos, o Brasil se tornou o maior produtor e exportador de grãos, fibras e carnes do mundo – um dos temas que é abordado agora pela academia em cursos, como por exemplo, o MBA Business Intution e Agronegócios, em que leciono na Antonio Meneghetti Faculdade e que vem demonstrando o grande interesse do empresariado do agronegócio brasileiro em aprofundar seu conhecimento acadêmico sobre o tema.
*Professor do MBA Business Intuition & Agronegócios da Antonio Meneghetti Faculdade e vice-presidente de Finanças da CNA
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Maio 2011
A morte do grande Abdias dos Nascimentos
Por Antônio Carlos Côrtes
“Que meus ideais sejam tanto mais fortes quanto maiores forem os desafios, mesmo que precise transpor obstáculos aparentemente intransponíveis. Porque metade de mim é de sonhos e a outra metade é de lutas” Maiakovski
A luta do negro no Brasil, sob olhar de direitos civis, tem Abdias como marco definitivo. Penso foi lá pelo quartel dos anos 60, então muito jovem, que tomei contato à obra deste líder, que morreu em 24.05.2011. Freqüentando a Biblioteca Publica do Estado, encontrei o livro “ Dramas para negros e Prólogo para brancos”, bem como informações do TEN- Teatro Experimental do Negro. Passei a acompanhar sua trajetória à distância. Somente nos anos 2.000 é que tive o prazer de trocar algumas palavras com o Mestre lá na sede do PDT. Abdias esta para os negros brasileiros, o que significa Nelson Mandela para os irmãos da África do Sul. Foi ator, diretor, dramaturgo, escritor, professor e político. Em tudo um negro orgulhoso da cor de sua pele e da trajetória de seus antepassados escravos. Foi ainda deputado e senador, sempre com o mesmo discurso brilhante em favor da sua comunidade negra.
Quando aqui no Estado, integrei na condição de um dos fundadores do Grupo Palmares, que enaltece o 20 de novembro e diz não ao 13 de maio, jamais imagine que em São Paulo em 2006, por intermédio do Mestre fora criado o Dia 20 de novembro como data oficial da consciência negra, repito: por iniciativa do Abdias.
Ninguém chega aos 97 anos de idade com boa parte da vida dedicada a profícuo trabalho por nada. Foi dos primeiros a denunciar o genocídio praticado ao negro brasileiro. Sempre que elevamos nossa voz nos tribunais utilizando leis para condenar racistas, me vem à mente o agradecimento e oração ao Grande Abdias, que também foi precursor da luta de políticas públicas afirmativas. O pensamento a seguir bem define o que foi Abdias dos Nascimento: “Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discrimine, lutar sempre que a igualdade nos descaracterize” ( Boaventura de Souza Santos). É justa a afirmação da presidenta Dilma Rousseff ao dizer:” O Brasil perdeu um dos seus maiores líderes no combate à discriminação racial”. Arrisco afirmar que foi o maior, eis que referência de minha geração, pela projeção internacional que alcançou, tanto que ao recebeu em 2001 prêmio da UNESCO na condição de ativista de direitos civis.
(*) Advogado- OAB/RS 9476, radialista, um dos fundadores do Grupo Palmares e Conselheiro de Cultura.
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Abril 2011
O ERP na montanha-russa da economia
Por Robinson Klein
A economia brasileira lembra mais uma montanha-russa, pelos altos e baixos sucessivos e frequentes, do que um foguete em estágios de aceleração. Sonhamos com um céu de brigadeiro, mas as turbulências sacodem a aeronave dos negócios, logo após períodos de tranquilidade.
É assim, gostemos ou não, porque ainda padecemos de males curáveis – mas sempre postergados: infraestrutura incipiente, carga tributária e fiscal absurda, insegurança jurídica nas relações comerciais, gastos públicos excessivos e nem sempre bem direcionados. Isso faz com que as brasas adormecidas da inflação sejam sopradas e ameacem pegar fogo.
Tudo indica que estejamos, novamente, em um período de baixa, inicialmente de desaceleração do notável crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010. De quase 8%, talvez desçamos para 4%. Ou 3,5%, quem sabe? Como planejar e investir em meio a tanta incerteza? E se a economia reagir aos 42 minutos do segundo tempo, o que fazer? Para essas perguntas, e outras que eventualmente ocorram na seara econômico-financeira, a resposta é igual: ERP, ou seja, sistema de gestão administrativa.
Não há como desperdiçar um grão de arroz em um restaurante, ou gastar 5% a mais de energia elétrica em um escritório. Não se pode, também, errar feio nas previsões de vendas, porque o custo seria insuportável. Mesmo que não estivéssemos na descida da montanha-russa, as margens de lucro seriam tão justas quanto a roupa de quem engordou alguns quilos nas férias.
O lucro só aparece quando a maior parte do planejado foi executado. Quando as contas fecham diariamente – não mensalmente, todos os dias! Se uma empresa tiver gorduras de ineficiência, terá de conviver com concorrentes que passaram pelo spa da eficiência tecnológica e administrativa. O mercado sabe ser cruel com quem se descuida da saúde financeira.
Sistemas de gerenciamento não fazem mágicas, obviamente. Nem administradores. Mas se o planejamento considerar cenários, eventuais crises, oportunidades e nichos pouco explorados, as chances de crescer em meio a um panorama menos vistoso serão maiores. Por mais ajustada que esteja a engrenagem administrativa, não há como cobrir todas as variáveis dos negócios sem eficientes ferramentas tecnológicas. Se não for prestidigitador, o ERP poderá ser uma triste referência quando inadequado ou inexistente na organização.
Contra a crise, então, façamos o que a medicina nos ensina: recorramos a mais tecnologia. No mínimo, com um bom ERP a empresa terá mais velocidade no fluxo de informações, apoiando a tomada de decisões, especialmente com a mobilidade que não para de crescer. Quem sabe mais, e melhor, erra menos. E quem erra menos tem mais chances de vencer os obstáculos no caminho, inclusive a alternância entre crescimento explosivo e crise, uma realidade bem nossa.
* Diretor de Mercado da Rede Cigam
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Março 2011
Integrar na nuvem também é importante
Por David Taber
Em meio à barulheira promovida por diferentes fornecedores de soluções para computação em nuvem, as várias especificações muitas vezes perdem o sentido ou têm seu real significado maquiado. É importante dialogar de forma diferente com cada fornecedor. Principalmente quando se trata da integração de sistemas SaaS (Software as a Service) e aplicativos baseados na nuvem. Uma das características principais da computação em nuvem é a forma de integração, que permite a aplicação de várias técnicas. O fato de a maioria dos aplicativos para computação em nuvem se apresentar na forma de serviços disponibilizados na internet imprime a tendência de seguir uma arquitetura voltada a serviços (SOA), mesmo que não adote todos os protocolos correspondentes. De posse do ferramental apropriado e com estratégias de desenvolvimento bem pensadas, é possível integrar aplicativos com base na aplicação de diferentes técnicas. Bem posicionadas, é possível ainda rodar diferentes serviços na nuvem ao mesmo tempo.
O primeiro passo para a integração é entender as limitações de cada serviço e as camadas que estão em jogo. São elas as camada de: integração on-screen, também conhecida por Mashups, que consiste em uma integração feita a toque de caixa e um tanto “suja”, que reúne o conteúdo de diferentes URLs em vários iframes consolidados em uma única interface; integração dos layers de apresentação, quando a renderização se dá quase inteiramente no browser, podendo ser necessário instalar uma camada de aplicação no servidor; integração no ambiente lógico, mais complexa, em que a riqueza e a simplicidade oferecidas pelas APIs, responsáveis por receber chamadas de entrada e de saída ou, dedicadas a diálogos mais simples com XML e JSON, servem para diferenciar um aplicativo de computação em nuvem dos outros; e a integração de dados, que acessa diretamente a base de dados dos aplicativos na nuvem.
Compreender a diferença entre as camadas é entender também que um dos caminhos para a integração pode ser o uso da plataforma de computação em nuvem como mecanismo de integração. O que consiste no uso de linguagens de programação nativas para realizar as chamadas entre ambientes de cloud computing distintos. Apesar da simplicidade da ideia, sua conversão, na prática, pode ser muito complexa. E esse tipo de integração só funciona em casos de conexões ponto a ponto simples.
Ao optar por esse modelo, é provável que tenham de ser confeccionados snippets com os códigos de integração em ambas as interfaces. Possivelmente, esses snippets tenham de ser escritos em linguagens distintas. Dependendo da diversidade de linguagens e plataformas adotadas pelo fornecedor - RESTFul ou SOAP, XML com JSON, ou object tree com tabelas DBMS - menos prazerosa será a tarefa de integrar os aplicativos. Ainda assim, por experiência própria, a integração direta é uma opção bastante elegível para situações que demandem por direitos de leitura apenas. Se o objetivo for realizar uma integração robusta com todas as funcionalidades em seu lugar, lidar com o recebimento de mensagens e garantia de entrega serão pontos bastante complicados. Isso, sem mencionar os eventuais momentos de indisponibilidade para realizar manutenções no sistema.
Conector ponto a ponto - Essa categoria de integração de aplicativos está disponível em duas versões:local, com base em servidores próprios ou baseados em nuvem. A última pode ser encontrada nos serviços de alguns fornecedores, a um custo bastante razoável. Soluções prontas oferecem formas de sincronização em mão dupla para um número limitado de campos. Em determinados casos, não há qualquer opção de configuração. o que é comum, pois inclusive os conectores mais flexíveis permitem alterações apenas no mapeamento de campos. Adicionar campos personalizados e mapear objetos personalizados ou, ainda, dispor de códigos internos para promover a passagem de dados por meio de canais são opções que não se encontram nas tabelas. Tais conectores podem ser a solução ideal para conectar, por exemplo, os serviços da Salesforce.com ao QuickBoost. Eles oferecem simplesmente uma conexão ponto a ponto, o que pode não corresponder à demanda em vários casos. Possivelmente, tentar realizar a integração entre uma terceira ou quarta nuvem, usando esses conectores, resultará em erro, principalmente se estiverem tentando acessar o mesmo objeto. Cabe avaliar a documentação e os serviços disponíveis ao escolher um, saiba que a variedade é imensa. Vale muito a pena visitar fóruns para averiguar as questões relativas a cada um e ter uma perspectiva prática.
Conector de nuvens - Nessa modalidade, pode ser necessário usar um conector para integrar ambientes de nuvens sem foco em um aplicativo específico, com base em padrões aplicados na indústria e que possam ser interpretados por outra nuvem. O exemplo mais prático de tal dinâmica pode ser encontrado em plataformas ODBC e JDBC, ainda assim, existem conectores de baixo nível, capacitados a dialogar com bibliotecas padrão. As vantagens de tal aproximação consistem em flexibilidade. Os desenvolvedores têm acesso a um número arbitrário de tabelas remotas, de objetos e de métodos. Vale comentar que os preços desses conectores podem ser bastante razoáveis. Ainda assim, não são nada mais que conectores ponto a ponto, ou seja, não são soluções elegíveis para conectar várias nuvens. Além disso, não oferecem muito em serviços de alto nível ou no contexto de objetos e de aplicativos.
Servidor de integração - Essa última categoria consiste em usar um servidor de integração que pode ser um serviço em nuvem (hospedado). Lançar mão desse tipo de integrador requer o uso de conectores (burros) nas interfaces. Nessa modalidade, os conectores são apenas interfaces sem qualquer inteligência, que fica armazenada nos hubs. Como a integração com servidores possibilita a execução de serviços de alto nível (gestão de mensagens, tradução, logs e administração), podem representar uma carga de trabalho maior ao departamento de TI. Roteamento inteligente, fluxos de trabalho e transações compensatórias podem ser desenvolvidas sem interferir em outras instâncias de serviços na nuvem. Servidores de integração, locais ou remotos, representam a maneira mais flexível e adptável para dar conta da tarefa. Sem limitação por parte da arquitetura ou de sistemas integráveis e permitem o diálogo, inclusive, de sistemas de hardware e de outros consagrados. Na maioria dos casos, um servidor de integração traz os melhores resultados em desempenho. Em contrapartida, tal técnica requer que toda a programação seja feita in-house (na própria organização). Existirão códigos e outros modelos prontos, se der sorte, haverá também documentação para guiar esse trabalho.
* CEO da SalesLogistix
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Fevereiro 2011
Internet sem noção
Por Letícia Batistela
Estamos vivendo uma revolução tecnológica fantástica. A tecnologia ao alcance de qualquer um, não importa sua classe social ou idade. Vi uma menina de seis anos abrir um IPAD pela primeira vez e usá-lo com a destreza de uma expert. Eu, fascinada por tecnologias novas, com pelo menos 30 anos a mais, levei alguns dias para usufruir desta experiência com a mesma, digamos, profundidade. Da facilidade das novas gerações ninguém se espanta, tampouco duvida. A minha, já teve muito mais facilidade que nossos pais, ao lidar com o vídeo-cassete, controles-remoto, filmadoras e walkman. Mas quero chegar a um ponto crucial. Esta nova geração tem destreza e agilidade, mas terá maturidade para usar estes canhões de tecnologia e, ainda, para usar as tão populares Redes Sociais? Posso falar com propriedade, pois sou usuária de uma Rede Social e adoro. E exatamente por meio dela, tenho acesso a posturas e comportamentos patéticos. E aqui falo de pessoas de qualquer idade. Outro dia me espantei com um advogado conhecido, de postura profissional séria, postando em seu perfil em uma rede social: “A partir de amanhã, são 30 dias longe do escritório, dos processos, dos clientes chatos, etc etc etc...hehehe! Graças a Deus!” O que faz uma pessoa que, aparentemente, tem postura social e profissionalmente séria postar tal observação em seu perfil virtual? Não lhe passa pela cabeça que esses clientes, colegas e patrões possam ver e se sentir desrespeitados? Porque ele se sente tão livre a ponto de escrever em seu perfil virtual o que jamais diria pessoalmente, mesmo sabendo que é público? Detalhe: Um destes clientes (chatos) faz parte de seu rol de amigos na Rede Social. Eu poderia citar dezenas de cases que retratam situações ainda mais surreais. Os jovens em idade escolar, que estão se iniciando neste ilimitado mundo virtual não deixam por menos, potencializando na rede o conhecido Bullying, apelidos nos professores, fotos em situações constrangedoras, bilhetes. Pois sim, estão todas na rede. É só procurar. Chovem casos de fotos e vídeos de adolescentes trocando de roupa no banheiro do colégio em filmagens pretensamente inocentes que caíram em mãos de pessoas inconseqüentes, para não falar em má-fé pura e simples. Algumas situações ainda envolvem festas regadas a muita vodka. Sim, são menores. Sim, é uma rede pública. Sim, eles são uma geração sem noção. Alguns vão dizer: Ok, mas estas fotos sempre existiram. Sim, existiam. Mas não existia uma potencia como a internet para a sua propagação. Antes, eram restritas aos corredores do colégio, aos cochichos no telefone, eram voláteis, facilmente destruídas. Alguém já tentou sumir com um vídeo do Youtube? Experimente, será uma experiência inesquecível. Hoje em dia, as informações correm o mundo, sem qualquer exagero. Na era em que ser popular na rede social significa ter centenas, milhares de amigos, criou-se o comércio bizarro de amizades. Por U$10 compra-se um pacote com 200 amigos virtuais, com o bônus de serem amigos internacionais! Bom negócio? Há controvérsias. E neste ato desesperado de ser popular, aceita-se qualquer amigo desconhecido e este, após, passa a ter acesso a todos os dados do seu perfil. E que dados são estes? Fotos, muitas fotos (muitas vezes íntimas) preferências de todos os tipos. É necessário repensar o uso que se faz de uma Rede Social. O que se pretende é entender o nível de exposição que engloba. Uma despretensiosa foto sensual postada quando se tem 14 anos de idade, junto com o grupo de amigas do colégio pode ser facilmente gravada em qualquer pendrive e usada alguns anos depois quando esta mesma garota estiver disputando importante cargo na sua carreira profissional. Uma cliente teve problemas ao ter uma foto sensual sua que estava postada em seu perfil, colada em um site de agenciamento de garotas de programa. A brincadeira teve a sutiliza de incluir o nome e telefone da garota inconseqüente. Um post comum, do hábito de beber até perder os sentidos, fica gravado na rede e pode aparecer em algum momento “de gente grande”. Isso que não citei o Foursquare, a nova febre da internet. Esta inconseqüência deve ser tratada de forma séria. E os jovens cientificados e responsabilizados das reais conseqüências do uso “sem noção” desta tecnologia, para que tanta liberdade exercida em atividade tão prazerosa não deixe um gosto amargo de arrependimento.
*Assessora Jurídica da Associação de Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, regional RS (Assespro-RS)
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Fevereiro 2011
2011, o ano internacional do afrodescendente
Jorge Terra*
Como já é de conhecimento de muitos, a Organização das Nações Unidas declarou que o ano de 2.011 será o ano internacional do afrodescendente. Esse ano será próprio para reflexões, para se dar visibilidade, por meio de protestos, a questões que há muito afligem parte significativa da população brasileira e para se exigir medidas governamentais voltadas aos negros brasileiros?
Eleger um desses caminhos como o principal seria não aproveitar plenamente as oportunidades e seguir por caminhos já percorridos. É preciso refletir, exigir, protestar, demonstrando incoerências, desigualdades e injustiças, mas isso configura uma parte e não a totalidade da ação indispensável.
Há cidadãos que necessitam da perfectibilização de uma questão singela: o Estado moderno não é mais inibidor ou inviabilizador de violações de direitos; a ele incumbe a efetivação de direitos dos administrados. Todavia, a escassez de recursos públicos pode tornar antieconômica a apresentação de exigência para aquele que dispõe de um orçamento insuficiente para as necessidades diárias e para os investimentos estratégicos.
É de se entender que as entidades que compõem o movimento negro não podem ter as suas diferenças de visão como intransponíveis. Outrossim, é de se perceber que é o momento de composição com os segmentos nunca antes procurados de maneira sistemática, porque os problemas relacionados ao preconceito e ao racismo, que geram efeitos econômicos, sociais e políticos, não são atinentes a um grupo em especial, mas à Sociedade como um todo.
É inarredável a adoção de visão ampla da Economia e da Política. O Brasil cresce flagrantemente em termos econômicos. Cada dia mais empresas brasileiras ganharão corpo no cenário mundial, sendo-lhes indispensável a imagem de empresa respeitadora da diversidade e do meio ambiente também em seu país de origem. O mesmo vale para empresas que aportaram ou aportarão no Brasil. Essa imagem se constituirá por um setor de comunicação competente, por um programa ou por uma ação inclusiva ou ambiental, que pode perpassar pela composição diversificada do corpo diretivo ou de funcionários da empresa ou pelo apoio a entes e a projetos vinculados aos temas supracitados.
Também no campo político, a imagem não se constituirá por intermédio do discurso, havendo decisões concretas a serem tomadas. Não são bastantes as criações de setores do Estado voltados às pessoas em situação de vulnerabilidade ou historicamente discriminadas, tais como os idosos, as mulheres, os deficientes, os negros e os homossexuais. Esses setores deverão apresentar planejamento, critérios de constituição de indicadores, avaliação constante, ações corretivas e resultados positivos. Para tanto, a seleção das pessoas que neles labutarão deverá se pautar pelo conhecimento técnico, pela capacidade de argumentação, pelo devotamento a causas nobres e pela possibilidade de trabalhar de forma transversal. Eleito o caminho de criar entidades com recursos orçamentários baixíssimos, sem força interna para trabalhar transversalmente com os orçamentos de outros setores e sem habilidade para celebrar parcerias, trilhar-se-á o caminho do insucesso.
Impõe referir, ainda no campo político, que a edição de leis e a concretude das normas jurídicas que delas se extraiam são fundamentais para se demonstrar o norte a ser seguido pelos administrados. Em suma, exsurge o momento ideal para se estabelecer parcerias das entidades que integram o movimento negro com estabelecimentos de ensino, entidades empresariais, órgãos de segurança, veículos de comunicação e outros movimentos sociais.
A responsabilidade social corporativa é campo fértil para o desenvolvimento de projetos dedicados ao atingimento de resultados positivos concretos. Para o empresariado é salutar a inserção social com maiores chances de êxito e de melhor aproveitamento de recursos. Para o movimento social é benéfico aprender forma objetiva de planejar, de realizar e de avaliar ações, bem como o alcance de estágio superior com os resultados mencionados acima e o apoio para a consecução de seus fins institucionais.
Os estabelecimentos de ensino buscam novos campos de atuação com o fito de terem sustentabilidade, bem como se preparar para o cumprimento de leis que exigem conhecimentos que ainda não possuem. Os movimentos sociais, por seu turno, necessitam capacitar seus membros para multiplicarem os conhecimentos amealhados ao longo do tempo, bem como para se preparar para momento histórico exigente, isso porque há crescente disputa por limitados recursos públicos e privados.
Os órgãos de segurança perceberam a incapacidade de fazer frente a todas as demandas e como acabam por se tornar o desaguadouro de problemas não resolvidos nas searas familiar, educacional, política e econômica. Esses órgãos precisam da colaboração, dos conhecimentos sobre as comunidades e da credibilidade dos movimentos sociais. Os movimentos, por outra mão, imprescindem dos recursos materiais e humanos que podem ser disponibilizados, da possibilidade de harmonização de relações e da ampliação de sua rede de relações para a solução de problemas recorrentes.
Os veículos de comunicação, vivenciando ambiente altamente competitivo, precisam ser ágeis, ter confiável e extensa rede de informações, ampliar quantitativa e qualitativamente o seu público-alvo e a sua carteira de clientes. Nesse quadro, eles precisam assentar que atuam despidos de pré-concepções a respeito de parte de seu público-alvo, pautando-se pela busca e pela prestação de informações calcadas em dados concretos. Os movimentos sociais ressentem-se de meios de divulgação de suas ideias e de suas iniciativas apesar do uso da internet. Ademais, a inclusão de certos temas na pauta de discussões da Sociedade se dá pelos meios de comunicação. A troca, portanto, também pode ser riquíssima nesse campo.
Muitas das vezes, os movimentos sociais desconhecem o que uns e outros estão fazendo e não identificam oportunidades de atuações conjuntas. Com isso, atuam de modo ineficaz. Poderiam dividir as vantagens do atingimento conjunto de objetivos previamente traçados com a utilização de uma gama maior de recursos.
Bom frisar que a advocacy é inarredável, isto é, devem haver articulações, protestos, pressões e ingerências para a criação e para a ampliação das políticas públicas concernentes à diversidade racial. O que se pretende é apontar alternativas tidas como mais eficientes. Em outros termos, objetiva-se a melhor utilização dos meios disponíveis para o alcance dos fins do movimento negro.
Os trilhos indicados nesse texto exigem um movimento social propositivo, pronto a assumir uma posição de protagonismo e de influência na Economia, na Política e na Sociedade. Perceba-se, pois, que se sugere caminhos que podem ser mais produtivos e que, certamente, são mais exigentes. Neles, agregada à constatação de um problema, estará sempre uma sugestão de solução. Dessa arte, ao se perceber a inexpressividade da ocupação de vagas concernentes a um segmento por negros brasileiros, ter-se-á de examinar as causas, propor e organizar cursos, indicar e captar recursos, bem como sugerir um cronograma factível de contratações.
Elege-se como a melhor opção, sobretudo para o ano de 2011, a perseguição da eficiência no movimento negro. Dessa feita, privileger-se-á o planejamento, o estabelecimento de metas, a busca de recursos, a constituição de indicadores de avaliação, a efetivação de ações corretivas e consecução de resultados positivos concretos.
Passa-se a ter como instrumento diuturno o projeto estruturado, o que permite a captação de recursos junto às entidades privadas financiadoras e a identificação de pontos de consenso entre essas e as que conformam o movimento negro, encontrando-se uma linguagem comum.
As entidades vinculadas ao movimento negro poderão participar dos processos licitatórios dos entes estatais pelo fato de saberem trabalhar com uma linguagem de viés empresarial. De outra banda, a preocupação com a infraestrutura, com a estruturação e com o planejamento é a premissa básica para se atingir a indispensável sustentabilidade.
Seja para se voltar para o financiador privado, seja para se dirigir para o financiador público, indispensável a capacitação para a criação, para o acompanhamento e para a avaliação de projetos.
Os movimentos sociais, em resumo, terão de constituir projetos, saber discutir sobre temas mais amplos do que a mera militância e alinhar esforços de cada um e de todos para ter rede de contatos mais diversificada. Do contrário, não haverá a inovação e a adaptação ao presente e ao futuro.
*Coordenador da Rede Afro-Gaúcha de Profissionais do Direito
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Janeiro 2011
O verdadeiro perfil do profissional de TI
Simone Leal Kosmaski*
A expressiva quantidade de vagas em aberto para profissionais da Tecnologia da Informação, somado a fatores como os excelentes salários oferecidos e as chances de crescimento profissional, tornaram os cargos ligados ao setor bem mais interessantes que de outras áreas. E, para quem pretende seguir carreira neste segmento, qualificação é a palavra-chave. Por isso, cada dia mais, os empreendimentos voltados a treinamentos específicos de TI questionam: Quem são os futuros profissionais de Tecnologia da Informação?
O mercado mostra considerável aumento de oportunidades em aberto para profissionais de TI. Todos os dias centenas de vagas são oferecidas por grandes, médias e pequenas empresas. Os jornais e sites especializados postam diariamente anúncios de vagas, pedindo sempre qualificação e, preferencialmente, também, experiência no cargo. São mais de 200 mil empregos em diferentes funções da TI, em todo o País.
Conhecendo estes números, nós diretores de empresas especializadas em treinamento voltadas à área de Tecnologia da Informação, nos preocupamos, enquanto gestores, em conhecer melhor essas pessoas que se interessam em realizar cursos de qualificação para trabalhar no setor. Precisamos estar atentos ao mercado, e aos futuros profissionais da TI, para ter condições de oferecer os melhores treinamentos, e formar, assim, profissionais mais qualificados.
Surge, então, a necessidade de responder a algumas perguntas, como, por exemplo, o que vale mais na busca por espaço no mercado de trabalho da Tecnologia da Informação, qualificação ou experiência? Enquanto gestora de empreendimento especializado em treinamentos, com 18 anos de mercado, mais de 20 cursos e formações ofertados, responsável pela qualificação de cerca de 800 empresas, e 30 mil alunos, posso afirmar taxativamente, que ambos. A experiência é sim muito importante, mas de nada vale se não estiver unida à qualificação. A Tecnologia da Informação é o mercado que mais cresce no mundo e se mantém em constante atualização, por isso é fundamental que os profissionais da área estejam sempre se aprimorando, para não tornarem seu conhecimento obsoleto.
Qual é o perfil de quem procura por qualificação em TI é outra preocupação disseminada entre quem prepara os novos profissionais. Com o objetivo de responder a esta questão, recentemente realizamos pesquisa interna, com alunos e os resultados apontaram que cursos voltados à qualificação em TI são mais procurados por jovens, com grau superior, em busca de oportunidade de carreira.
Mas se o tema é atuação no campo profissional dado importante citado é que apenas 16% dos entrevistados têm cargo de gestão, o que sugere que pessoas procuram por maior qualificação com foco em mais oportunidade de carreira. Grande parte de quem procura por cursos voltados a TI, tem intenção de ingressar na área ou de se especializar atendendo a solicitação do local que trabalha. Muitos, também, querem crescer com promoções no empreendimento ou, ainda, somar conhecimentos distintos de seu ramo de atuação. Na hora de escolher o local para o treinamento, contam como principais pré-requisitos, reconhecimento da empresa, confiança nos conteúdos dados, metodologias e carga horária adequados dos cursos, boa localização, disponibilidade e valor de mercado.
Resumindo, o mercado de TI cresce cada vez mais e, a cada dia que passa o interesse em trabalhar na área aumenta, e junto com este constante desenvolvimento, ampliam-se os números de cursos de qualificação e certificações no setor, já que as empresas de TI exigem sempre mais dos candidatos a emprego. Daí se conclui que o atual perfil dos futuros profissionais de TI pode ser definido por jovens, com bom nível de formação, altamente qualificados, com alguma experiência na área, e muita vontade de crescer profissionalmente.
* Diretora da T@rgetTrust especialista em treinamentos e tecnologia
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Janeiro 2011
Regulação das comunicações é necessária para a democracia
José Maria Rodrigues Nunes*
Depois das manifestações contrárias à criação do Conselho de Comunicação no Rio Grande do Sul, proposta apresentada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais à equipe de transição do governador eleito Tarso Genro, não tenho dúvidas de que a fala do ministro das Comunicações, Franklin Martins, é mais do que apropriada para o momento. "’Discutir a necessidade de regular as comunicações no Brasil não dói, nem tampouco as entidades que defendem a democratização dos meios mordem". Dessa forma, temos de encarar a possibilidade da sociedade participar do mundo da chamada grande mídia, hoje dominado por 9 ou 10 famílias em todo o Brasil. E, por coincidência, quem se levanta para falar contra são aqueles mesmos que se dizem defensores da liberdade de expressão.
Nesse sentido, questiono que liberdade de expressão é essa, que apenas os donos dos veículos, ou aqueles que vestem a camisa da empresa e se acham mais donos dos meios que os proprietários, têm voz? A proposta que faço é discutir o assunto dando as mesmas possibilidades de manifestação para todos os lados, pois só assim a sociedade terá conhecimento sobre a real proposta de criação dos Conselhos. Essa, com certeza, seria a maneira de democratizar a comunicação. Vale lembrar que durante a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) a proposta foi amplamente aprovada. Ou fazemos uma discussão sobre o assunto, ou então vamos continuar com a chamada liberdade de empresa no Brasil.
Do que os donos da mídia têm medo? Eu não tenho dúvidas de que os meios de comunicação frutos de concessões públicas, como rádios e televisões, precisam respeitar os direitos do cidadão e dos usuários, a privacidade das pessoas, a proteção das crianças e dos adolescentes, as culturas nacional e regionais, e as produções independentes, mas não basta mascarar essa participação da sociedade com os chamados conselhos internos. Pelas manifestações contrárias, a liberdade de expressão é uma caixa preta e que deverá continuar sob domínio privado e não coletivo. Não são uma nem duas, mas várias as listas de nomes de pessoas ou empresas nas chamadas 'listas' que não podem ser divulgadas nos mais diversos veículos de comunicação. Essa com certeza não é a melhor forma de democratização dos meios.
Por último, lembro que o Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Congresso Nacional, previsto no artigo 224 da 'Constituição Cidadã' de 1988, foi instituído pela Lei 8.389, de 30 de dezembro de 1991. O artigo oitavo desta lei estabelecia a eleição do CCS "em até sessenta dias" de sua eleição e sua instalação "em até trinta dias após a sua eleição". Sua efetiva instalação, no entanto, só ocorreu em 2002, e seu funcionamento regular se deu até 2006, quando o órgão teve suas funções politicamente esvaziadas. Por isso, é necessário que a sociedade faça valer sua condição participativa e tenha voz como em outras áreas que, a partir dos conselhos, passaram a ser realmente democráticas, como é o caso da Cultura e em especial a Saúde. A comunicação é um direito de toda a sociedade, e por isso todos devem ter amplas condições de opinião, e não apenas os donos da mídia.
* Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul
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Dezembro 2010
Afirmação de um líder cultural
Antônio Carlos Côrtes*
Pierre Verger (Fatumbi) e Vinicius de Moraes se notabilizaram por envolvimento com a cultura negra. O primeiro pelo conjunto da obra. O segundo ao se autodenominar “o branco mais negro do Brasil, na linha direta de Xangô. Saravá!”. O Vinicius, poeta e diplomata, lecionou no Samba da Benção que compôs com Baden Powel: “A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida”. Ora se o melhor dos encontros são os encontros, não há espaço para desencontros. Paulo de Tarso já afirmou: “Quem pratica a lei do amor, pode tudo e que o amor é o solvente do mundo”. E foi pensando nisso que bem entendi o brilhante discurso de improviso, com a voz do coração que fez Antônio Ademir Moraes, ao receber a medalha da 52ª Legislatura DA Assembléia Legislativa do Estado do RS, na condição de Presidente da Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e do RS, iniciativa do Deputado Adão Villaverde. Ao ver o negro na Tribuna abandonando o discurso escrito, lembrei que em 1941 no Congresso Eucarístico Diocesano Rio-Grandino, o doutor Carlos da Silva Santos começou a ler um discurso maravilhoso, as folhas fogem-lhe das mãos e ei-lo em brilhante improviso que levantou a multidão. Seus discursos de improviso, valeram-lhe chamamentos de “sombra viva de Jose de Patrocínio” e “alma das ruas”. O homenageado Antonio Ademir, ressaltou a contribuição que muitos não negros que deram ao o carnaval de Porto Alegre. Enalteceu que isto é prova que a comunidade carnavalesca e sambista não tem preconceitos e que tantos quantos desejarem colaborar serão bem vindos. Que aquela homenagem recebia com humildade, mas que não era para ele e sim para o carnaval que muitas vezes não é bem compreendido pelos legisladores municipais e estaduais, mas que bom que tudo isto está mudando. Não esqueceu, entretanto de citar alguns carnavalescos falecidos que também muito contribuíram para o crescimento do carnaval, especialmente Roberto Correa Barros- o Betinho dos Imperadores do Samba, dedicando a ele a medalha recebida. O discurso bem articulado mostrou a afirmação de um líder negro sulriograndense a serviço da cultura popular.
*Advogado
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Dezembro 2010
A Tecnologia da Informação que queremos
Reges Bronzatti*
A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. Começo este artigo com a frase que encerrei meu discurso de posse, porque a citação de Peter Drucker define o desafio de assumir a mais importante entidade representativas das empresas de Tecnologia da Informação no Rio Grande do Sul e, a vontade de fazer acontecer todos os sonhos que embalaram uma formação acadêmica e a iniciação empresarial. Não é fácil, disso estamos cansados de saber. O que ainda não colocamos em prática é o que sabemos há muito, que juntos somos mais fortes. É por isso que deste a noite de 23 de novembro venho insistindo no grande objetivo de abrir a discussão sobre este tema de fundamental importância para o futuro do estado, do Brasil e por um setor de TI mais forte, competitivo e estratégico.Por isso, volto a reiterar o convite às entidades parceiras, aos poderes públicos, às universidades, aos Pólos Tecnológicos, a imprensa especializada, aos empresários, enfim a todos aqueles que são sensíveis a esta proposição, a se engajarem conjuntamente com a Assespro-RS para formar uma grande frente, positiva e convergente, no objetivo da criação deste marco legal, focado num setor de TI forte, competitivo e estratégico.
Base nós temos. São 240 empresas associadas, distribuídas em mais de 45 municípios, somando, em média, 12.000 colaboradores residentes só no Rio Grande do Sul. Dezenas de empresas associadas e gaúchas com operações fora do Brasil; e mais de dois mil jovens capacitados, nos últimos quatro anos, a partir de projetos de formação apoiados e idealizados pela Assespro-RS. Nossa regional tem taxas médias anuais de crescimento de seus associados, superiores a 20%; Todos aqueles que já convivem com ações e projetos liderados pela Assespro sabem que estamos à frente de um setor altamente inovador, jovem, competitivo, com a segunda melhor média de distribuição de renda familiar dentre os mais de 44 setores econômicos analisados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), e que cresce, em faturamento, número de empregos e de empresas.Então qual seria o limite a superar, se tudo parece andar bem ou muito bem é a questão.
Precisamos mudar nas atitudes, nas gestões e nas ações de nosso dia a dia. Basta de retórica. Sim, podemos mudar a matriz econômica deste estado, para transformar o Rio Grande do Sul em referência tecnológica para o mundo e sermos produtores de conhecimento especializado com serviços de alto valor agregado. Para tanto, a TI brasileira, de forma geral, ainda necessita ultrapassar algumas barreiras, naturais, a um setor tão jovem. Como tal, faltam algumas conquistas obrigatórias e fundamentais para o crescimento sólido e vigoroso. Cinco delas, que considero essenciais e que serão objeto de muito empenho e trabalho desde já, são meu compromisso pessoal para com minha diretoria e com os líderes empresariais, associados da Assespro-RS. A primeira delas começa pela necessidade de representatividade política e união empresarial. Ainda não temos a força e representatividade política que nos permitam avanços rápidos. Somos carentes de articuladores políticos alinhados com nossas demandas. O Setor precisa fazer valer sua união e força na construção de programas de governo, independente de ideologias partidárias, que tenham a Tecnologia da Informação como um dos pilares de sustentação do crescimento para este estado e para o Brasil.
O setor precisa de uma lei de incentivo a produção de Software Brasileiro e também clama por mão de obra qualificada! Faltam profissionais capacitados todos os dias em nossas empresas. Só no último mês de outubro, em pesquisa mensal realizada com associados da Assespro, havia 330 vagas em aberto nas mais diversas especializações. Estima-se que só no Rio Grande do Sul, faltarão mais de cinco mil profissionais até 2014 e no Brasil, mais de cem mil.
Temos no RS, uma vocação exportadora. Devemos aproveitar o momento e esta janela de oportunidade para avançar e liderar este processo, a nível nacional, criando programas estaduais de formação de capital humano, juntamente com a Secretaria de Ciência e Tecnologia ou com as secretarias municipais de ensino. Coréia do Sul e Cingapura para citar apenas dois países menores do que o RS fizeram da inovação uma prioridade. Não é possível para um setor que quer atuar globalmente, de forma transversal em todos os segmentos da atividade econômica, ser pujante e competitivo, tendo que suportar um ônus superior a 100% de impostos em sua própria matéria prima, que é o conhecimento humano. Foi com uma medida simples, como esta, que a Índia iniciou seu processo de expansão e ocupação global no campo tecnológico. Podemos marcar nossa posição, no cenário mundial, se agirmos com rapidez.
Por fim, e não poderia deixar de citar, ainda não temos uma Cadeia Produtiva de TI, a exemplo do que ocorre com a GM, e seus sistemistas, ou do benefício legal, que o setor da construção civil possui quando subcontrata o projeto elétrico, o hidráulico, o arquitetônico com empresas distintas. Na TI, somos impedidos de realizar projetos colaborativos entre empresas com diferentes especializações, por força de lei. Obrigatoriamente, necessitamos, como setor, criar uma corrente produtiva, onde seus elos possam ser formados por empresas nacionais e multinacionais, atuando juntas de forma harmônica. Justificando assim, por exemplo, a convivência sadia em regiões de alta concentração de pólos tecnológicos, onde, hoje, a competição por talentos, se acentua de forma desproporcional e pode comprometer o bom convívio entre organizações parceiras. São esses alguns dos entraves que precisamos ajustar para que nossa velocidade, competitividade e faturamento atinjam patamares internacionais; Não há como ser diferente. Devemos enfrentar, sem medo, com muita coesão, a realidade que hoje nos desfavorece, como empresas nacionais, no sistema global. Entendemos que a melhor maneira de fazê-lo, a curto e médio prazo, será com a criação de um marco legal para o software brasileiro, que verse sobre todos esses pontos.A proposta é abrir a discussão deste tema de importante e essencial para o futuro do RS e do Brasil. Desejo que a sociedade, assim como eu, clame por um setor de TI mais forte, mais competitivo e mais estratégico para o nosso país.
*Presidente da Assespro-RS eleito para a gestão 2011-2012
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Novembro 2010
Os desafios para a produção orgânica
Sylvia Wachsner*
O Censo realizado pelo IBGE em 2006 divulgou que os estabelecimentos orgânicos brasileiros eram responsáveis por 1,8% das propriedades agrícolas incluídas na pesquisa. Desse total, a produção de lavouras temporárias representava 33%, a criação de pequenos animais alcançava 42% e as lavouras permanentes ficavam com 10%. Boa parte dos produtores orgânicos brasileiros é composta por centenas de agricultores familiares e pequenos produtores rurais, dos quais 43% possuem área inferior a 10 hectares.
No Brasil, a cadeia da produção orgânica está sendo construída gradualmente. Diversos obstáculos precisam ser enfrentados, como os baixos investimentos realizados nas agroindústrias e na produção, que têm dificuldade de gerar escala.
Desta forma, a demanda dos consumidores atraídos pelo conceito de alimentos orgânicos ainda é bem maior do que a oferta desses produtos. Também é necessário um avanço quantitativo em termos de pesquisa, assistência técnica especializada e produção de insumos e sementes. Embora a expressão “agricultura orgânica” aparente uma atividade simples, requisitos como adubação natural, conservação da área e proibição de fertilizantes químicos, dentre outros, requerem cuidados específicos – e bem distantes da agricultura convencional, que dispõe de ferramentas próprias.
Os supermercados estão percebendo o potencial do setor orgânico e a importância na conquista de maior espaço nas gôndolas dos supermercados. No entanto, a dependência dos pequenos produtores em somente comercializar seus produtos no grande varejo tem seus riscos. É preciso uma estratégia mundial de grandes varejistas e, para alimentos convencionais e orgânicos, o investimento em marcas próprias como forma de crescimento, terceirizando a produção e investindo no marketing dos produtos. Para os pequenos produtores orgânicos, a industrialização de uma elevada porcentagem da sua produção para a clientela, e a vinculação da receita mensal de uma só fonte, constituem questões a serem bem analisadas.
Os pequenos produtores necessitam de integração e organização – seja em cooperativas ou grupos – para melhorar sua atratividade e favorecer negociações. O Projeto OrganicsNet considera que o mercado interno continua sendo muito importante para os produtores brasileiros, sobretudo para as pequenas agroindústrias e produtores familiares, cuja produção é limitada. A implantação, a partir de janeiro de 2011, do selo brasileiro único de certificação “Orgânicos Brasil” ajudará na organização dos produtos ofertados, o que deverá trazer transparência ao sistema, construir estatísticas e levar ao público informações sobre os alimentos e produtos consumidos. Pelo outro lado, enquadrar a produção orgânica num conjunto de instruções normativas e regulamentos, resultará num enorme desafio para os produtores.
A exportação é um empreendimento muito mais pesado. Requer grande escala, rastreabilidade, logística eficiente, estabilidade e padronização na oferta de produtos, entre outros fatores. A consequência disso é que poucas são as empresas capacitadas para atender às exigências dos mercados internacionais, e no caso dos alimentos orgânicos brasileiros – não as commodities – os preços ainda são superiores, quando comparados com similares nos mercados de Europa e Estados Unidos.
O Projeto OrganicsNet acredita que, com a implantação do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, os investimentos neste segmento da agricultura possam aumentar a oferta de insumos, sementes e pesquisa que contribuam para o incremento da produtividade de nosso pais. Consideramos que o mercado interno é muito importante para os produtores brasileiros, sobretudo para as pequenas agroindústrias e produtores familiares que, na comercialização de seus produtos, devem levar em conta o ato de agregar valor, além de todas as formas de comercialização, sem desprezar o grande varejo.
* Diretora da Sociedade Nacional de Agricultura e coordenadora do Projeto OrganicsNet/SNA
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Novembro 2010
Sustentabilidade empresarial – Gestão da sobrevivência

Kátya Desessards*
Muitas vezes se tem a impressão de que a fila não anda no tema da sustentabilidade no Brasil. De fato há muita publicidade por parte das empresas e na maioria das vezes assistimos ao que se chama ‘greenwashing’, ou seja, maquiagem ambiental. Ao invés de se entender que sustentabilidade no mundo empresarial passou a ser requisito de sobrevivência para as empresas e o próprio planeta, muita gente age como se bastasse despender recursos em belíssimas propagandas, sendo o assunto matéria do departamento de marketing ou comunicação.
Estamos cansados de ouvir coisas como sustentabilidade empresarial; responsabilidade social, preservação do meio ambiente e reciclagem de resíduos e materiais. Também está certo de que muitas empresas propagam que seguem esses conceitos apenas como forma de garantirem uma boa imagem mercadológica para seus produtos e serviços.
É possível comprar produtos eletrônicos com bom desempenho energético? Como adquirir computadores e aparelhos celulares que não venham comprometer o meio ambiente com seus metais pesados? Para produzir sabonetes e shampoos é viável adquirir matéria prima que respeite a dignidade dos animais no momento do seu abate?
Hoje o público consumidor se preocupa muito mais com a forma como os produtos são produzidos e os perigos inerentes para o meio ambiente do que num passado próximo. A realidade nem chega perto da que podemos prever (sem qualquer dúvida) que no futuro será ainda muito mais difícil para uma empresa superar o estigma de ser poluidora ou de não levar em consideração uma preocupação séria com o meio ambiente. A empresa que não for sustentável verdadeiramente; tenderá a desaparecer pela própria “seleção natural” do mercado.
Mas, se depender da publicidade das grandes empresas, não haveria como negar que hoje todos são sustentáveis: bancos, mineradoras, montadoras, enfim, o planeta estaria fora de perigo pois sustentabilidade se tornou algo intrínseco aos negócios. Será verdade?
Em partes, sim, pelo fato de que a sociedade hoje está exigindo dos governos e das empresas respostas claras às demandas de sustentabilidade, com ênfase nos aspectos sócio-ambientais. Por esta razão tanta propaganda. Por outro lado, há que se separar o joio do trigo, ou seja, criar mecanismos que assegurem efetivamente a incorporação da sustentabilidade no mundo empresarial, evitando assim que se esvazie o conteúdo efetivo da sustentabilidade, que traz uma mudança radical no papel das empresas diante da sociedade. Não é suficiente gerar lucros para os acionistas e investidores de maneira geral, mas enfrentar problemas do mundo contemporâneo como o aquecimento global, esgotamento dos recursos naturais, desigualdade social.
As empresas precisam internalizar a dimensão da sustentabilidade em suas atividades, com perspectiva de médio e longo prazo, compreendendo que devem exercer um papel absolutamente estratégico nos temas acima mencionados. Um bom exemplo de como operacionalizar tal dimensão em seus negócios pode ser visto quando as empresas criam critérios de sustentabilidade para aquisição de seus bens e serviços, criando uma cultura nova que atinge toda a cadeia produtiva, assegurando com isso que o consumidor possa exercer uma escolha adequada em termos de seus próprios valores no seu cotidiano.
Ao comprar um móvel de madeira certificada o consumidor está fazendo uma opção clara pela preservação de nossas florestas, bem como ao comprar carne com rastreabilidade está evitando o desmatamento de nossos biomas. Produtos isentos de pesticidas asseguram a saúde dos consumidores, bem como vasos sanitários bem projetados evitam desperdício de água. Os exemplos revelam claramente que as empresas realmente comprometidas podem ter um papel crucial na construção de uma cidadania planetária, desde que se engajem na busca de soluções para os problemas que vivemos. Um exemplo concreto de engajamento está nas redes de varejo que orientam seus departamentos de compra a construir com a sociedade civil critérios de sustentabilidade, sendo que a participação das ONG's é importante para conferir credibilidade nesses processos.
É um novo perfil de gestão que nasce, onde a sustentabilidade é mais que um simples ‘enquadramento’ a nova regra de mercado, é um ativo de sobrevivência das empresas daqui por diante.
* Jornalista, Consultora de Relações com Mercado e Diretora-executiva do i-press.biz economia e mercado
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Outubro 2010
MobA: Mobilidade Acadêmica Internacional e a educação no mundo
Rafael Villas Bôas*
Um paradoxo: antes de a globalização chegar às salas de aula de todo o planeta, o planeta chegou às salas de aula do mundo. A Mobilidade Acadêmica Internacional é iminente e uma forte tendência global ainda que, aparentemente, fora da realidade do brasileiro. Seja através do Ensino a Distância e por meio de iniciativas como a Open Learning, nas quais algumas das melhores universidades disponibilizam cursos inteiros, multimídia, na Internet, seja por meio do intercâmbio físico de alunos. Universitários vêm rompendo fronteiras nacionais em busca de novas experiências acadêmicas e de vida. Por todos os lados.
Na Europa, o Programa Erasmus, desde os anos 80, encoraja e apóia com bolsas de estudo e outros incentivos, a mobilidade acadêmica de estudantes e professores do ensino superior, dentro da União Européia. Na mesma direção e continente a Declaração de Bolonha (1999) é um documento conjunto assinado pelos Ministros da Educação de 29 países, que marca uma mudança em relação às políticas ligadas ao ensino superior dos países envolvidos. Bolonha procura estabelecer uma Área Européia de Ensino Superior a partir do comprometimento dos signatários em promover reformas de seus sistemas de ensino. Um ambiente, área, onde os estudantes possam cursar disciplinas e módulos de um mesmo curso em 2, 3 ou quantas universidades distintas desejarem.
Nesse caldeirão milhões de universitários vem se aventurando além do conforto de suas nações. Um fluxo efervescente e intercontinental de estudantes em uma mobilidade acadêmica global e concentrada. No cenário local, segundo dados da BELTA (Brazilian Educational & Language Travel Association), na média, 43 mil brasileiros saem para estudar no exterior todo ano (35% para os EUA, 20% Inglaterra e 18% Canadá).
Por outro lado recebemos cerca de 60 mil estudantes estrangeiros por ano, segundo dados da pesquisa realizada em 2006 pela Language Travel Magazine, conceituada publicação inglesa sobre viagens de estudo. O fluxo é em dois sentidos: os países que mais enviam estudantes para o Brasil são os Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Reino Unido.
Um balanço relativamente equilibrado. Desses, 50 mil vêm ao país para programas de línguas e cursos combinados e 10 mil para ensino médio, universidades e cursos profissionalizantes. A pesquisa ainda revelou que, em cursos de línguas, com atividades combinadas e uma permanência média de seis semanas, cada estudante estrangeiro investe cerca de US$ 2,25 mil na economia brasileira e o turismo educacional injeta na economia brasileira anualmente, cerca de R$ 631,3 milhões.
Um número baixo frente aos 586 mil intercambistas (e seus bilhões em investimentos) que estudaram nos EUA em 2003, segundo pesquisa da UNESCO. Na Inglaterra e na Alemanha esses estrangeiros representam 10% da população universitária, enquanto na Austrália, um em cada seis universitários é de outros países.
No contexto global, ainda, três países recebem quase metade de todo o fluxo de intercambistas do mundo (EUA, Inglaterra e Alemanha). No sentido oposto de cada 10 estudantes estrangeiros de nível universitário do mundo 5 são asiáticos, 3 europeus e um africano.
Ainda estamos longe de sermos um pólo (de atração ou emissão de estudantes), fechados em nossas salas de aula tupiniquins e com poucas políticas de estimulo ao envio ou captação de estudantes. Algumas poucas exceções surgem nesse cenário, mas apontam para aquela que tende a ser uma das tendências dominantes nas salas de aula do Ensino Superior nos próximos anos.
*Rafael Villas Bôas é autor de “The Campus Experience” (Ed. Summus, 2008) e diretor de marketing da Intercâmbio Global (http://www.intercambioglobal.com.br)
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Outubro 2010
Um Brasil mais eficiente é possível
Carlos Schneider*
Comparado com outros países emergentes como China, Índia, Rússia Tailândia, Chile e Argentina, o Brasil possui uma carga tributária muito superior, próxima a 40% do PIB. Tal distorção ocorre porque o Governo gasta muito na previdência do setor público, no INSS e na máquina pública. Só a previdência consome 12% do PIB, o que deixa o País numa situação ruim para investir em outras áreas, como saúde, educação, segurança e infraestrutura, por exemplo.
Para se ter uma ideia, os impostos representam mais de quatro meses de trabalho dos brasileiros. E o problema não está apenas no volume de arrecadação, devido à elevada carga de impostos, mas na maneira como o Governo gasta isso. A sociedade confia na Administração Pública e o que volta para a população não é de boa qualidade. Pagamos impostos para ter serviço público de Saúde, Educação e Segurança, por exemplo, e muitos brasileiros ainda pagam por seguro saúde, escola particular e itens para viver com segurança. Nestes cálculos, acabamos pagando duas vezes pela mesma coisa.
Recentemente dois estudos profundos realizados pelos economistas Paulo Rabello de Castro e Raul Velloso, um analisando a arrecadação e o outro o gasto público, resultou no Diagnóstico Fiscal Brasileiro. O estudo indicou de forma clara e objetiva que é possível reduzir a carga tributária em pelo menos 10%, em 10 anos com um pequeno esforço dos nossos governos e políticos. A matemática é simples: limitar inteligentemente (sem precisar reduzir) o crescimento dos gastos públicos correntes abaixo do crescimento do PIB e, melhorar a gestão dos recursos fazendo a máquina pública rodar de modo mais eficiente.
É por isso que criamos o Movimento Brasil Eficiente, para mostrar à sociedade onde o seu dinheiro está sendo aplicado e, com isso, se mobilize no sentido de cobrar as contrapartidas dos Gestores Públicos. Entendemos que o Brasil precisa gastar tão bem quanto arrecada. Neste sentindo, estamos propondo a criação da Secretaria Nacional de Gestão da Despesa Pública que tem o objetivo de fiscalizar e melhorar os gastos do Governo. Como somos muito vigiados em termos do pagamento das nossas obrigações, também temos o direito de ter a contrapartida do Estado na gestão das despesas públicas.
Acreditamos que com uma atuação dos próximos governos no sentido de buscar austeridade, dar total transparência na cobrança dos impostos e estabelecer metas de redução da carga tributária, o Brasil criará as condições necessárias para gastar com mais eficiência e ampliar o crescimento econômico e a geração de empregos à média decenal de 6% ao ano. Praticamente dobrando a renda per capita da população, em 2020, arrecadando cerca de 10% menos que hoje.
É desta mudança inteligente, e eficiente, que o País precisa. Uma mudança que não representa uma quebra dos direitos de aposentados e pensionistas, tampouco uma desarrumação do País em termos de estrutura de gastos, mas sim, uma arrumação inteligente dos gastos e um compromisso de alcançar metas consistentes de redução de impostos. Mas, somente uma ação conjunta possibilitará um ajuste Fiscal Eficiente. Enquanto a classe política e a sociedade não se mobilizarem, em conjunto, em prol desta causa, a verdadeira reforma continuará sendo adiada.
*Carlos Schneider é empresário e um dos coordenadores do Movimento Brasil Eficiente. É presidente da ACIJ – Associação Empresarial de Joinville/SC
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Outubro 2010
Sem liberdade de imprensa não há política livre
Nelson Marchezan Junior*
“A liberdade política e a liberdade de imprensa são irmãs xipófagas. Uma depende da outra para viver. Onde não existe imprensa livre, não existe parlamento livre. E vice-versa.” Estas palavras de meu pai, Nelson Marchezan, resumem a importância que uma imprensa livre tem para os alicerces da democracia.
Aqui no Brasil, apesar das muitas vitórias da democracia, de tempos em tempos, surgem propostas de controle externo, embaladas das mais diferentes maneiras, mas sempre com o mesmo objetivo: censurar o trabalho dos meios de comunicação e calar os jornalistas.
O primeiro jornal ‘oficial’ brasileiro já nasceu com este ‘vício’ de origem. A Gazeta do Rio de Janeiro começou a circular em 10 de setembro de 1808 e era editada pela chamada “Imprensa Régia”, fundada pelo regente do Brasil à época, Dom João VI, e dirigida pelo Frade Tibúrcio Rocha. A Gazeta defendia os ideais imperiais e as teses que agradavam à Coroa Portuguesa. Foi criada como uma resposta ao primeiro jornal independente brasileiro, fundado três meses antes, do outro lado do Atlântico.
O primeiro jornal a circular no Brasil, embora feito fora dele, foi o Correio Braziliense, ou Armazém Literário, publicado, a partir de 1808, pelo maçom Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, cognominado "o Patriarca da Imprensa Brasileira". O Correio Braziliense não foi apenas o primeiro órgão da imprensa brasileira, mas, principalmente, o mais completo veículo de informação e análise da situação política e social de Portugal e do Brasil, à época, com a defesa de uma verdadeira reforma de base para o nosso país, batendo-se pela necessidade de construção de uma rede de estradas, pela utilização de matérias-primas na fabricação de manufaturas, propiciando a formação e a expansão do mercado interno, pela abolição da escravatura, pela transferência da capital para o interior e pela adoção de uma política imigratória que aproveitasse, de preferência, artesãos e técnicos.
Hoje, os veículos de comunicação de todo o Estado e do País e os jornalistas reverenciam a liberdade, através da informação real dos fatos, sem censura. É a liberdade que permite que todos os dias os feitos e defeitos do Brasil e do mundo cheguem até nós. É só assim que podemos vibrar e nos emocionar com os triunfos nos gramados ou nas pistas. Com o choro da mãe desamparada pela bala perdida que lhe roubou o filho. Com as idas e vindas de nossa classe política. E juntar tudo no hino cantado a olhos marejados, após a eleição democrática de um novo governante. “Pátria amada, mãe gentil”.
A liberdade de comunicação vem movendo os sonhos de homens e de mulheres de todas as épocas, através dos tempos. Todos a querem por seus prêmios. Poucos a querem por seus custos. No mundo temos visto ressurgir, perigosamente, resquícios de um autoritarismo que coloca em risco os ideais de liberdade – como na Venezuela, China, Coréia do Sul, Cuba, Irã, Iraque, dentre outros.
Até então, o Brasil estava fora dessa prática odiosa. Mas para nossa surpresa, no dia 24 de setembro, 85 veículos de imprensa foram proibidos de publicar ou noticiar qualquer informação relacionada ao governador do Tocantins e candidato a reeleição Carlos Gaguim, a um suposto esquema de fraudes em licitações. Numa clara manobra para beneficiar os aliados do Governo Federal. Tudo muito ‘democrático’ e ‘republicano’, como hipocritamente dizem os defensores de ditadores como Hugo Chavez, Fidel Castro, Roh Moo-hyun (presidente da Coréia do Sul) ou Mahmoud Ahmadinejad, do Irã. Em alguns casos, ser escravo ou ser livre não é opção. Mas nunca pode ser considerado como destino. A liberdade exige esforço, sacrifícios. Para nos tornarmos escravos, basta que nada façamos. Sábias as palavras do norte-americano John Milton: “… acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, dê-me a de expressar, de debater com autonomia, de acordo com minha consciência”. Não existe liberdade sem consciência. Assim como não existe consciência sem informação.
Quando as nossas principais empresas de comunicação no País e do Rio Grande do Sul iniciaram suas atividades, quase dois séculos atrás, o papel, a tinta e a coragem eram suas únicas armas. Hoje, as coisas mudaram. Comunicação não é mais sinônimo apenas de imprensa escrita. O jornalismo invadiu primeiro o espaço, com as ondas de rádio e televisão, e agora o ciberespaço, com a internet e as informações em tempo real.
Um país sem imprensa livre é um país cego. Um país de idéias falsas e sentimentos pervertidos. Um país que, explorado na sua consciência, não poderá lutar contra os vícios que lhe exploram as instituições.
Não deixemos, nunca mais, que isso de novo aconteça com o Brasil. Sejamos todos capazes de cumprir os nossos deveres, manter nossa sociedade informada e, dessa forma, a imprensa livre. Para a sobrevivência da Democracia e dos direitos individuais de cada cidadão. Sem liberdade de imprensa não há política livre.
* Advogado e deputado estadual e candidato ELEITO em 2010 para DEPUTADO FEDERAL)
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Setembro 2010
A evolução - ou revolução - da contabilidade empresarial
Ângelo Mori Machado*
Inúmeras mudanças nas rotinas das empresas estão acontecendo, sejam elas promovidas pela evolução tecnológica ou até mesmo pela adequação à legislação contábil brasileira frente a globalização, a qual deu origem à Lei 11.638/07, ou conhecida nova lei contábil. Uma revolução silenciosa já começou no âmbito das obrigações acessórias fiscais. Para meu espanto, muitos empresários aos quais estive abordando sobre o assunto não têm conhecimento real dessas recentes mudanças.
Muitos, ainda desconhecem o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Desde janeiro de 2009, essa nova tecnologia exige que as empresas e escritórios contábeis se adaptem em termos de tecnologia da informação. A intenção, do Fisco, é receber todas as informações econômicas, financeiras e fiscais em arquivos digitais. Com isso, a Fazenda Federal terá a possibilidade de acompanhar em detalhe as rotinas operacionais das empresas e também efetuar o cruzamento das informações recebidas com as Secretarias da Fazenda Estaduais e Municipais, aumentado sem dúvida sua capacidade de fiscalização tributária.
É a modernização da sistemática atual do cumprimento das obrigações acessórias, transmitidas pelos contribuintes às administrações tributárias e aos órgãos fiscalizadores, utilizando-se da certificação digital para fins de assinatura dos documentos eletrônicos, garantindo assim a validade jurídica dos mesmos apenas na sua forma digital.
Para constar alguns exemplos das mudanças, dentre as novas regras contábeis está a obrigatoriedade de publicações da Demonstração dos Fluxos de Caixa - DFC e da Demonstração do Valor Adicionado - DVA; o Ativo Permanente passou a possuir o grupo chamado de "Intangível", além dos já existentes. Foi extinta a "Reversa de Reavaliação", que deu origem à conta de "Ajustes de Avaliação Patrimonial" e que possui características diferentes.
Ao mesmo tempo, a nova lei contábil - que se os moldes de padrões internacionais para a apresentação de dados fiscais - já sofreu grandes mudanças. A intenção dessa legislação é dar harmonia à contabilidade brasileira, o que facilitará sem dúvida o investimento de capital estrangeiro no País.
* Técnico contábil e diretor da Gerencial Auditoria e Consultoria
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Agosto 2010
Emoção e razão interligadas no decision-making
Cesar Pancinha Costa*
O conceito assente que a emoção faz parte do decision-making (processo de tomada de decisão), misturando-se com a razão, já vem sendo trabalhado no setor comercial das grandes empresas. O tema instigante na perspectiva de que já não devemos apenas chegar nas pessoas, mas, sim, influenciá-las, foi recentemente abordado em uma conferência-almoço, realizada no mês de abril, em Portugal, pela empresa PHD. A oportunidade permitiu uma abordagem da temática sobre neuromarketing e neuroanatomy behavior, por meio de uma palestra do neurocirurgião António Damásio.
António Damásio relatou uma experiência que exemplifica bem a relação entre a emoção e a razão no decision-making. Consistia em fazer pessoas resolver exercícios matemáticos, com diferentes graus de dificuldade, para, em seguida, lhes dar a opção de escolher entre um bolo de chocolate e uma fruta. As pessoas que resolveram os exercícios mais difíceis optaram pelo bolo, enquanto as dos exercícios simples escolheram a fruta, provando que situações distintas levam a diferentes decisões. Logo, ficou claro que nós - indivíduos - não somos agentes puramente racionais que agem com base no nosso conhecimento. A decisão de escolher fruta ou chocolate depende de outros fatores. Fatores como a necessidade biológica, a experiência emocional passada com situações comparáveis, a familiaridade com essas situações e os fatos relacionados a elas. Tudo influi nas nossas decisões.
O neurocirurgião ainda explicou que não se pode falar de neuroanatomy sem falar de neuroquímica. De acordo com ele, tudo o que se passa no cérebro é influenciado pela química. Freud e Darwin foram os primeiros a pensar nisso. Freud já havia percebido que muitas decisões não partem do nosso controle. Não somos donos do nosso coração, e temos que compreender esse fato e viver com ele. A memória é afetada em uma esfera científica por fatores emocionais. Logo - e é isso que vale esmiuçar para o planejamento corporativo -, a emoção tem um papel na decision-making, seja consciente ou inconsciente.
*Professor em neurolinguística e executivo-chefe da CAPC
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Agosto 2010
Tecnologias de clipagem disponíveis no mercado
Aline Wolff da Fontoura*
A tecnologia é muito importante para o trabalho de clipagem e, logo, para as assessorias de imprensa e para as equipes de comunicação e marketing das grandes empresas. Sem ela, o trabalho de monitorar as notícias corporativas é quase que inviável.
A dificuldade acontece, sobretudo, pelo acesso aos jornais de bairro e de cidades do interior. Grande parte ainda não utiliza os recursos da Internet para publicar as suas versões on-line, mas usam os releases das assessorias de imprensa.
Se os jornais de bairro investissem em facilidade de acesso ao seu conteúdo, auxiliando no processo de clipagem pelos colaboradores, certamente as suas edições circulariam nas mãos dos gestores que contratam as agências de comunicação. Todos ganhariam. Porém, na prática, mensurar o que sai nesses impressos é raro, e o retorno só percebemos quando surge uma demanda ou crítica de leitor.
Ainda assim, a mesma tecnologia que leva a nossa informação ao jornal da cidade mais distante de nós, qualifica - e muito - o retorno de todo o empenho das assessorias de imprensa com o cliente. Além da varredura nos motores de busca, como Google, Alta Vista, AllTheWeb, existem dois tipos de serviços de clipagem que funcionam ao nosso serviço graças à ciência moderna. Ambos funcionam via Internet.
O primeiro são os robôs de notícias. Empresas especializadas oferecem ao usuário - assessor de imprensa - acesso a um sistema específico por meio de um link, login e senha. Inserindo as palavras-chave dos releases, como a marca ou nome do assessorado, aparece uma lista de notícias vinculadas. O software armazena o conteúdo de todos os jornais, portais e principais canais de notícias que publicaram matérias na web. Como já mencionado, jornais de pequenas cidades e de bairro tendem a ficar de fora.
O outro meio de clipagem que vem crescendo como atividade parceira e terceirizada das assessorias de imprensa é desenvolvido por empresas "leitoras" de impressos. Bastante comum em São Paulo e Rio de Janeiro, locais onde se têm vasto volume de mídia para monitorar, a assinatura desse serviço acaba compensando. Com ele, a assessoria de imprensa dispõe de uma equipe de profissionais que busca manualmente matérias relacionadas a um determinado cliente e em determinada região. A tecnologia, aqui, é utilizada para o envio das matérias capturadas. Elas são escaneadas e montadas em uma página web ou enviadas via pdf por correio eletrônico. O processo dispensa a assinatura de uma batelada de revistas e periódicos e, em geral, tem os custos repassados ao cliente.
Incorporando a ideia de que a clipagem é um setor especial que deve funcionar dentro das assessorias de imprensa como todo o restante da produção, basta dizer que os profissionais da área devem investir - o máximo possível - em tecnologia. Além disso, deve fazer um investimento em uma agenda organizada para que haja um comprometimento pela busca do material. Para finalizar, se possível, é preciso ainda realizar parcerias em outras localidades quando os releases dos clientes chegarem a destinos mais longes. Isso pode viabilizar, inclusive, a captura de entrevistas em rádios que não oferecem programação on-line, em tempo real.
* Jornalista e sócia da WH Comunicação.
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Julho 2010
Ricardo Guimarães*
Por muitos anos houve um embate do setor de transportes contra qualquer movimento de abrir frentes a investimentos em hidrovias no Estado. Hoje, porém, esta realidade mudou totalmente. O setor entendeu que a multimodalidade é vantajoso para todos os segmentos logísticos, por reduzir em quase 30% dos custos fixos e diretos. Essa lógica reflete, por conseqüência, na relação com parceiros e clientes que podem contar com maior segurança de suas cargas e no controle do tempo de entrega.
Abrir frentes de investimentos para o estabelecimento do modal hidroviário no Rio Grande do Sul é pensar diretamente no desenrolo da malha rodoviária e na liberação do fluxo viário. O pesado transporte de escoamento da produção é hoje o grande problema do estrangulamento das rodovias tanto estaduais como federais. E com a entrada do modal hirdroviário neste processo representará – além de redução de custos a médio e logos prazos – o início de um sistema logístico mais eficaz. Garantindo que o produto gaúcho possa manter índices de competitividade mais adequados aos padrões internacionais.
Nosso Estado possui hoje 758 km de hidrovias já sinalizadas e dragadas cobrindo uma extensa região produtiva da Barra do Rio Grande à Bacia do Sudeste, dando viabilidade imediata de ligar estes pólos ao Porto do Rio Grande.
A ativação do modal hidroviário como via direta de escoamento da produção terá papel fundamental na volta do Porto da Capital ao cenário portuário nacional. É inconcebível que Porto Alegre tendo o maior porto fluvial do País, com cerca de 5 mil metros de cais acostável, 16 armazéns somando 60 mil m² de área coberta, mais de 37 mil m² de área disponível para terminais de contêineres tendo dois terços de acostagem; além de possuir terminais privativos e um centro de pesagem totalmente informatizado, com duas balanças de capacidade para até 100 toneladas cada, tenha ficado por tanto anos num ‘adormecimento’, na inércia, sem produzir, sem escoar.
O meio hidroviário possui cinco grandes argumentos para que esteja nas estratégias estruturais da gestão pública, que aliada a iniciativa privada, podem produzir mais valor agregado ao produto gaúcho.
Os cinco argumentos:
1 - Menos custo
2 - Menor consumo de combustível
3 - Menor impacto ambiental
4 - Menor índice de furto e vandalismo de carga
5 - Menor índice de acidentes (que é quase nulo)
Sem qualquer dúvida, o modal hidroviário é uma opção segura para o desenrolo logístico do Rio Grande do Sul, pois seu impacto de iniciação é quase zero e o retorno do investimento aplicado é percebido diretamente na redução dos custos fixos o que gera – conseqüentemente – a capacitação do produto gaúcho aos níveis de competição exigidos no mercado internacional. Precisamos pensar a logística como uma aliada e na multimodalidade como uma via para tornar o futuro do Rio Grande realmente grande.
*Advogado, ex-diretor de Infraestrutura da Seinfra/RS e ex-diretor Adm-Financeiro do DAER
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Julho 2010
Cesar Costa Pancinha*
Está aí uma pergunta de difícil resposta. Vocês já devem ter ouvido uma série de comentários a respeito de vendedores com o tal talento nato, ou seja, o vendedor que nasceu para ser vendedor. A pergunta que deveria ser feita, na realidade é: Podemos transformar um vendedor ou um profissional de qualquer área em um grande vendedor?
Para nivelarmos conceitos, precisamos entender que todos somos vendedores, me perdoem os mais puristas ou os profissionais de outras áreas. Somos, sim, vendedores.
Vejamos um cenário: feriadão prolongado, (daqueles que quando não trabalhávamos com vendas gostávamos mais, afinal, vendedor focado em resultado, sabe que precisa daquele dia para vender), surge a dúvida: praia ou serra, perguntam-se os casais de namorados, casados ou simplesmente grupos de amigos. O resultado é que quem vendeu melhor a idéia do local, escolheu. Como dizem os americanos, there is no free lunch (não existe almoço de graça) - perde-se aqui para se ganhar mais ali adiante. Em resumo: passamos os dias vendendo e comprando. Vendendo idéias, serviços e produtos, comprando idéias, serviços e produtos.
Para trazermos um exemplo bem interessante do mundo empresarial, em 2005, a GE Commercial Finance descobriu que era possível, sim, formar talentos em vendas. Isso foi quando a empresa conseguiu um significativo aumento de US$ 300 milhões em novos negócios - não apenas esperando que os seus melhores vendedores fizessem um milagre no final do mês ou contratando um exército de novos vendedores, mas com a implantação de um novo modelo de gestão que melhorou de forma expressiva o desempenho da equipe de vendas.
As empresas com a inteligência em vendas estão transformando ou já transformaram as vendas em um método científico, que utiliza cada vez mais de ferramentas de gestão, com um simples PDCA (ciclo de desenvolvimento que tem foco na melhoria contínua) até as ferramentas avanças de funil de vendas com controles de pipeline e forecast. Assim, as empresas passam a depender cada vez menos do instinto dos "campeões" e passam a ter o seu próprio processo de vendas, em que um profissional deve ser muito bem preparado, naturalmente, para colocar em uso todas as experiências de sucesso do passado da própria empresa, trabalhando sobre uma base analítica de dados e aumentando a produtividade de vendas.
Essa capacidade de se reinventar, reavaliar o modelo de gestão, criar um processo de vendas claro, com passos bem desenhados, certamente, reduzirá a diferença entre os grandes vendedores e os vendedores de menor resultado, aumentando o resultado de todos. Na próxima semana, escreverei sobre os modelos de gestão implementados em algumas empresas que trouxeram resultados muito rápidos e, sobretudo, sustentados, no artigo SUSTENTABILIDADE EM VENDAS.
* Especialista em gestão do comportamento humano e chefe executivo da CAPC Consultoria e Assessoria em Gestão Empresarial
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Junho 2010
Márcio Luis Miorelli*
Recentemente tivemos a inusitada e surpreendente notícia de mais uma ação do Governo Federal, visando a impossibilitar a participação e a livre concorrência das empresas de Tecnologia de Informação (TI) nacionais, na execução de serviços e projetos para os ministérios da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão. O presidente Lula sancionou sem vetos a lei 12.249, que dá ao SERPRO a exclusividade na dispensa de licitação para prestação de serviços de TI, por meio da Medida Provisória 472/2009. A aprovação da lei com excedente de conteúdo em relação à versão inicial da MP, que de 26 páginas passou a 118, inclui de forma inconcebível esta modificação, da Lei 4516/1964, que cria o SERPRO, validando a prestação de serviços, sem licitação, por esta entidade, em assuntos definidos como estratégicos pelo Ministério da Fazenda.
A MP em questão institui: o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura da Indústria Petrolífera nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste - REPENEC; cria o Programa Um Computador por Aluno - PROUCA e institui o Regime Especial de Aquisição de Computadores para uso Educacional - RECOMPE; prorroga benefícios fiscais; constitui fonte de recursos adicional aos agentes financeiros do Fundo da Marinha Mercante - FMM para financiamentos de projetos aprovados pelo Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante - CDFMM; dispõe sobre a Letra Financeira e o Certificado de Operações Estruturadas; altera a redação da Lei nº 11.948, de 16 de junho de 2009; ajusta o Programa Minha Casa Minha Vida - PMCMV; e dá outras providências.
Assim, é totalmente perceptível o oportunismo da inserção de determinados conteúdos e assuntos para serem apreciados, sem a devida discussão com a sociedade civil e com os interessados no tema, por meio de uma Medida Provisória que tinha outro objetivo. Esta atitude constitui ato repugnante de autoritarismo e de esperteza além, é claro, de desrespeitar a democracia e o estado de direito que tanto defendemos. Estabelece-se neste arbítrio a impossibilidade de que empresas nacionais de TI possam prestar serviços para os Ministérios citados, nas atividades estratégicas, que serão definidas em ato contínuo pelo Ministro da Fazenda. Com esta astúcia legalista, entendemos que o objetivo primordial seja proteger os processos estratégicos do governo, e que o objetivo implícito seja o de ampliar os quadros da entidade executora dos serviços, que por sua vez, em outras circunstâncias tem tido problemas no compromisso com a entrega de serviços em outros órgãos do governo. Nesta usurpação evidente de debate e participação da sociedade, identificamos o "modus operandis", utilizado para facilmente aprovar coisas como essas. Quando menos esperarmos ocorrerá outras modificações na Lei, como esta, permitindo a contratação desta entidade sem licitação para outros Ministérios, ou inserindo as atividades táticas e operacionais dos ministérios, também como sendo estratégicas, sem falar nas outras possibilidades que ainda não imaginamos que possam acontecer. Nasce assim o monopólio estatal do governo na atividade em questão.
Como empresário e líder de setor em minha região, confesso a enorme preocupação neste intervencionismo oportunista. Essa iniciativa extrai as empresas da possibilidade de participarem e contribuírem com seu conhecimento, qualidade, compromisso com as instituições estaduais, e a responsabilidade que sempre lhe foi constante e inequívoca ao prestarem serviços ao Estado. Falo aqui como defensor da iniciativa privada e de oportunidades de negócios, para desenvolvimento e crescimento das empresas privadas nacionais, além de defensor da concorrência leal entre todos os participantes deste mercado, possibilitando a escolha do melhor serviço, com o melhor custo e benefício, e dentro das regras que hoje possuímos, aprovadas pela nossa legislação.
Através deste ato, vemos os preceitos que conhecemos destituídos da importância e da relevância, e substituídos pelo interesse político e pelo consequente inchaço da máquina pública. É nosso dever reverter estes cenários, não aceitando mais tais situações. Precisamos que o governo se preocupe em investir em educação, saúde e segurança, e que invista menos em setores onde a iniciativa privada é mais competente.
*Presidente da Assespro/RS
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Junho 2010
Wilmar Marçal*
A população do Paraná, sobretudo a do norte, aguarda e confia no trabalho da Polícia Federal que, em conjunto com a Receita Federal e Controladoria-Geral da União investigam o Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap), sediado em Londrina, e os desdobramentos de desvios vultosos de recursos públicos.
A atuação batizada de "Operação Parceria" mais uma vez demonstra que a corrupção no País é diretamente proporcional ao caos da saúde pública. Muito embora hajam recursos advindos do Ministério do Trabalho e Emprego, a parte estratégica do desvio está relacionada aos convênios firmados com o
Ministério da Saúde.
Esta é a razão pela qual "esses ladrões" não querem que o País tenha qualidade de serviços na saúde pública. É um ritual anual de caracterizar a necessidade para depois desviar o dinheiro. Enquanto houver caos, sempre haverá lobistas em Brasília abocanhando o recurso com a desculpa de investir na saúde. Esta tônica tem sido assim há vários anos e o sistema está cada vez pior.
O desvio, roubo, ou seja lá o nome que se dê a essa safadeza, retrata a ganância dos maus gestores para com o dinheiro público e demonstra que o esquema é bem elaborado na penumbra dos gabinetes.
Ainda permanecem sem resposta quem são os mentores intelectuais da liberação do recurso lá de Brasília. Quem é o criador do esquema? Quem são as criaturas coparticipantes? Por que se permitiu que se descredenciasse o Programa Saúde da Família na Santa Casa de Londrina e outros hospitais sérios e o transferisse para o Ciap? Quem explica o excessivo aumento dos valores pagos aos procedimentos imediatamente após o programa passar a ser executado pelo Ciap?
Alegam os hipócritas que a lei é muito burocrática e que processos licitatórios são demorados. Alegam ainda que, se não for com agilidade de aquisição, mortes poderão ocorrer no sistema público de saúde. Assim, com essa retórica mentirosa e pouco convincente, vão perpetuando o esquema do roubo. Ora, a lei existe exatamente para evitar esse tipo de pessoa administrando o dinheiro público.
Disfarçar a agilidade de ação e melhorar o fluxo de serviços através de entidades como o Ciap significa o falso discurso do "salvar vidas", expressão repetida por muitos políticos, sobretudo em campanhas eleitorais. Passam-se os anos, injetam-se mais recursos e os problemas só aumentam em proporções geométricas. É assim mesmo que os "vampiros" gostam de atuar. Quanto mais problemas na saúde, maior a probabilidade do desvio e do roubo.
A pergunta que não pode calar: quem é o criador? Quem são as criaturas? De que gabinete saiu o pedido e a respectiva liberação? Quem são os parlamentares envolvidos nessa "causa humanitária"? Será que realmente teremos respostas e nomes, ou mais uma vez vamos assistir à velha desculpa parafraseada por alguns: "eu não sabia" ou "eu não sei de nada", ou ainda "eu só falo em juízo"? Esta situação vergonhosa precisa ser vigilantemente observada e informada pela imprensa, para que se evite que mais pessoas continuem morrendo pela mirabolante estratégia do mal, criada pelos "demônios" que se dizem representantes do povo e, lamentavelmente, são sempre reeleitos.
*Professor universitário e ex-reitor da UEL - Universidade Estadual de Londrina/PR
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Junho 2010
Walter Lídio Nunes*
O setor empreendedor, considerando sua capacidade como agente de transformação social, precisa discutir e aprimorar o seu papel, assumindo postura mais ativa.
A responsabilidade social calcada no conceito da sustentabilidade do negócio, o papel da empresa como agente social e a forma como atua na dinâmica dos processos sociais são os três eixos que, modernamente, devem orientar as suas ações. Quanto ao primeiro, o que mais se assiste são o velho bordão dos projetos sociais, donativos e ações similares revestidas por um marketing como expressão maior de responsabilidade social. A continuidade deste modelo, com frequência, está mais para uma "esmola social" do que para um processo de construção de soluções.
Uma nova visão implica em rever missão e estratégias e em adotar novos comportamentos e valores. Exige uma gestão com novas competências e formas de organização para que a empresa interaja construtivamente com as partes interessadas, remodelando sua cadeia formadora de valor de maneira a maximizar os ganhos sociais e a sua competitividade com o menor impacto ambiental.
O segundo eixo diz respeito ao papel da empresa no conjunto da sociedade moderna. Hoje, a democracia reduziu o tamanho do estado e abriu espaço para outros atores além dos três poderes, como o terceiro setor e o setor empreendedor. Os processos decisórios evoluíram para a democracia representativa participativa, modelo tão mais qualificado quanto maior e mais qualificada for a participação dos diversos vetores. Esta é a grande armadilha do modelo atual: poucos atores mobilizados ocupam o espaço de uma maioria pouco mobilizada e silenciosa na defesa dos seus interesses. A omissão, neste modelo, torna-se uma irresponsabilidade social devido ao desequilíbrio entre os interesses a serem defendidos. Uma nova governança precisa de entendimento do papel a ser exercido, de visão social mínima, de debate qualificado e de mobilização.
Por fim, o terceiro eixo diz respeito à forma como a empresa atua na dinâmica dos processos sociais. O setor empreendedor deve ter um papel participativo e buscar contribuir para a construção social. É necessário articular, mobilizar e participar dos processos decisórios para enriquecê-los com sua experiência, visão e aprendizado, para melhorar a capacidade da gestão pública, para propor uma utopia social que torne a sociedade mais justa, para melhorar os valores sociais e o arcabouço legal através da construção dos conceitos que devem pautar a cidadania moderna.
No Brasil, o setor empreendedor ainda não internalizou que preocupar-se apenas com o primeiro eixo não é suficiente em termos de inserção e contribuição social. Ele entende que fazer mais do que isso seria se meter em áreas que não tem a ver com seus objetivos. Esta omissão é lastimável, pois abre a janela para que ONGs internacionais prosperem, menos pela qualidade das utopias sociais propostas, mais pela alienação da maioria conformada. No momento em que o setor empreendedor e as empresas líderes assumirem o novo papel que a sociedade moderna exige, certamente passaremos a construir um Brasil melhor e mais justo.
* Presidente da CMPC Celulose Riograndense
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Junho 2010
Ricardo Guimarães*
A infraestrutura tem sido o maior desafio dos gestores públicos, pois representa o limiar entre ser competitivo ou perder investimentos. A logística multimodal e a capacidade de gerar energia-elétrica - cada vez mais barata e sem modificar as geografias regionais - é hoje o diferencial que pode determinar a eficácia de uma gestão pública.
O Rio Grande do Sul tem conseguido quebrar alguns desses paradigmas. Sanar as contas do Estado foi o primeiro passo. O segundo foi priorizar investimentos na infraestrutura para aumentar a capacidade dos gaúchos de crescer melhor e mais fortes. Integrar esta capacidade a proposta de uma nova matriz logística foi uma estratégia de olhos no futuro que este governo iniciou a impetrar com coragem.
Pensar a infraestrutura como ponto estratégico é investir resultados no futuro. E o primeiro passo é gerir o dinheiro público com o objetivo principal de eliminar os déficits e dívidas consideradas ‘quase’ perpétuas. Exemplo que implantei ao azeitar as contas do DAER, quando Diretor. Foram mais de R$ 100 milhões de dívidas pagas com prestadores de serviços.
Esta mudança de foco já impactou positivamente o Estado, com a geração de cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Resultado do investimento de R$ 1 bilhão – apenas na recuperação e pavimentação de rodovias – sem computar os investimentos que ainda estão previstos e em negociação para o desenvolvimento dos modais aeroviário e hidroviário. Este universo compreende 350 obras que já estão em andamento ou em fase de licitação.
A integração entre as necessidades dos municípios de se verem no mapa do Rio Grande quando conquistam obras que facilitam seus acessos, e as estratégias de investimentos da iniciativa privada significa que a gestão pública está conseguindo implantar um ritmo de soluções a várias demandas de infraestrutura e logística. Esta lógica de governar, de pensar o Estado, é o legado de devemos todos construir hoje.
A conseqüência é a geração de empregos, o aumento da capacidade de atrair investimentos de grandes empresas nacionais e estrangeiras, além de eliminar gradualmente as diferenças estruturais entre os municípios. Mantendo suas características culturais, mas impetrando um nivelamento do poder aquisitivo e de produzir.
O gestor público que trabalha com estes princípios, resgata a confiança dos municípios e das pessoas de seu Estado a acreditarem no crescimento e no desenvolvimento econômico de suas comunidades não mais como uma promessa, mas uma realidade já em andamento. O maior objetivo do gestor sempre deve ser: encurtar distâncias para unir pessoas.
Investir estrategicamente em infraestrutura é pensar no sucesso das gerações futuras e na valorização do trabalho presente dos gaúchos e gaúchas que constroem a história do Rio Grande do Sul todos os dias.
*Ex-Diretor de Infraestrutura da Seinfra/RS e do DAER.
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Junho 2010
Aline Wolff da Fontoura*
O clipping de notícias é a primeira atividade do ciclo de trabalho das assessorias de imprensa. Ele é um conjunto de notícias, matérias ou citações pesquisadas frequentemente pela agência ou pelo jornalista e que fica à disposição do assessorado. Por ele, os esforços são medidos, pautas são criadas, e o mercado é estudado. É uma ação tão importante dentro do processo, e tão complexo, que por vezes é terceirizado.
Parece fácil dar conta de uma boa clipagem, mas na prática é o trabalho mais difícil e dispendioso de uma assessoria de imprensa. Aqui, no Rio Grande do Sul, ainda é feito pelas próprias agências. Em São Paulo, devido ao volume de veículos de comunicação disponível, já é contratado à parte pelo cliente, como um complemento ao trabalho de assessoria de imprensa. Caro até... mas justificadamente caro.
O desafio está em cobrir 100% dos veículos que utilizam a informação produzida pelas assessorias. É uma jornada inviável, para não dizer impossível, por maiores que sejam os investimentos financeiros. Logo, o que sobra é a intenção dada a esse esforço, na perspectiva de que a qualidade do trabalho de clipagem seja proporcional à capacidade dos colaboradores de monitorar o máximo de mídia possível. Em um último momento, é saber organizar toda a coleção em uma apresentação fácil e objetiva para o cliente.
A qualidade, então, está na cobertura e no diferencial do serviço de clipagem? Sem dúvidas, é a agilidade nas apurações. Dar conta de ler vários jornais por dia, acessar vários portais, ver e ouvir várias emissoras e, no mesmo instante, recortar o que for de interesse para ser enviado ainda no mesmo dia é tarefa árdua. E tem que ser assim? Ora, um cliente tomar conhecimento de uma publicação a respeito da sua própria marca antes do assessorado é gafe. Já me aconteceu. Mais de uma vez devo admitir. Gafe tremenda. Um parêntese: clipping de TV e rádio, em geral, só quando a divulgação acontece com entrevista marcada, a qual temos conhecimento do dia e horário para a cobertura.
Vamos às dificuldades. Um setor de clipagem competente necessita além das habilidades de uma boa gerência, óbvio, boas finanças. Veja só, assinar os principais jornais, pelo menos da cidade, gera custo, assim como ter um profissional para dar conta de ler todos esses exemplares. Esse mesmo colaborador pode digitalizar a informação e montar o arquivo que será enviado para o cliente, mas dependendo do volume de atividades da assessoria de imprensa, não poderá ainda dar conta da Internet.
A Internet é outro grande desafio das assessorias de imprensa. Um grande aliado, mas também um imenso desafio.
Para o clipping de Internet, o profissional pode utilizar recursos, como Google e RSS. É uma demanda que requer pesquisa contínua. E, pasme, surpreendente. Tão surpreendente que justifica o grande desafio já mencionado. A Internet é um canal que pauta a própria imprensa.. Na prática, o que é publicado em um veículo é replicado por outros, e a Internet é um vírus quando trata desse tema. E aí se concentra o maior dos desafios do setor de clipagem, além do investimento.
Não há maneiras de monitorar tudo o que é aproveitado na imprensa em função da Internet, por mais que sejam despendidos esforços de conhecimento, tecnologia e dinheiro. A assessoria de imprensa nunca conseguirá acessar o jornal do interior do interior do interior do estado que utilizou o release disponível na sala de imprensa do cliente. Jornais de bairro e revistas segmentadas também não são aliados das assessorias nesse sentido, o que dificulta a apuração dos materiais.
Transcorrer sobre a tarefa e os desafios dos setores de clipagem gera várias laudas. O trabalho é grandioso e importante, porque serve de termômetro para as atividades do assessor de imprensa, antes de tudo. O bom é que o mercado que atende às assessorias de imprensa está atento a demandas da área e vem oferecendo novidades em Tecnologia da Informação para suprir tantos processos. São alternativas que valem, ao menos, estudar. Dois exemplos para finalizar: robôs eletrônicos e empresas leitoras de impressos, ambos terceirizados.
*Assessora de Imprensa - WH Comunicação (MTB/RS 12.406) - aline@whcomunicacao.com.br
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Maio 2010
Robinson Klein*
Algumas coisas no mercado são difíceis de entender, como por exemplo, a dificuldade na comercialização de Sistemas de Gestão Empresarial, os ERPs. Por que a resistência em adquirir algo que só trará benefícios para a empresa? É tão fácil vender uma máquina para aumentar a produtividade da indústria, por isso não se explica a dificuldade na aquisição de uma solução que facilita a base do negócio, ou seja, a gestão.
O questionamento tem base no fato de que alguns empresários relutam em adotar um ERP. Talvez por desconhecerem as soluções disponíveis no mercado, tudo que elas representam dentro da empresa, como a modernização e as facilidades que seu uso proporciona aos empreendimentos que delas se utilizam. Não compreendem que a implantação de um Sistema de Gestão Empresarial representa o mesmo que a aquisição de uma máquina para ampliar a produção, pois assim como o instrumento industrial, o ERP também traz ganhos de produtividade e aumento de lucros, ao automatizar a administração da empresa.
Em geral, com a inserção destes softwares, o empreendimento tem sua análise de informações flexibilizada, resultando em visões rápidas da unidade por meio de indicadores de performance, tornando o trabalho da empresa mais ágil e eficiente. Além disso, alguns aplicativos atualizam seus usuários às exigências do mercado, planejando e simulando novos cenários, permitindo respostas cada vez mais rápidas e confiáveis. Para tanto, se deve agregar à solução, conceitos de gestão e integração da empresa, velocidade e flexibilidade na análise de informações e visões rápidas por meio de indicadores de performance. Os sistemas ainda podem oferecer consultas multidimensionais, relatórios e gráficos que podem ser rapidamente criados e, se necessário, modificados para representar de forma muito clara a realidade de cada cliente.
Reconhecendo tudo que o sistema de gestão pode oferecer fica mais fácil para os empresários entenderem sua importância, e acabarem com a dúvida. Para isso, além de citar suas funcionalidades podemos destacar inúmeros motivos para as empresas adotarem um ERP, como a integração de informações de diferentes áreas da empresa, adoção de uma das melhores práticas do mercado, a otimização na tomada de decisões, o investimento no capital intelectual, a redução de erros e custos, o aumento da produtividade e rentabilidade e a melhoria da comunicação dentro do empreendimento, entre tantos outros benefícios. Voltando às evidencias iniciais, o que o empresário precisa saber é que a implantação de um Sistema de Gestão empresarial na empresa é mais que uma mão na roda. É crescimento certo, garantia de lucros e geração de riquezas, empregos,desenvolvimento.
* Diretor de Mercado da Cigam Software de Gestão
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Maio 2010
Daniel de Moraes Andrade*
Os brasileiros vivem situação semelhante à do passageiro à espera de transporte na estação ferroviária e que sente a trepidação anunciando a chegada da composição, a qual o levará para destino melhor. O trem do desenvolvimento econômico e social apita na última curva, confirmando que estamos no rumo certo. Mas o Brasil e o Rio Grande do Sul só embarcarão nesta oportunidade histórica se governos e sociedade vencerem problemas estruturais inibidores da expansão. É o caso da energia elétrica, carente de abundância e barata.
O lúcido editorial publicado em quatro de maio pelo jornal Zero Hora, intitulado Energia na gaveta, aponta necessidade de se fazer muito mais para construir sistema elétrico que não frustre, ali adiante, o ciclo de desenvolvimento em fase de evolução. O novo Brasil exigirá, em 20 anos, geração de mais 100 mil megawatts (MW), duplicando a capacidade de geração alcançada pelo velho Brasil em 100 anos.
Além de 182 projetos engavetados, com capacidade de geração de 10 mil MW e investimentos de R$ 26 bilhões, grandes empreendimentos federais estão trancados. É o caso da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, projetada para gerar 11 mil MW e investimentos de R$ 30 bilhões.Para o Brasil alcançar as necessidades no segmento elétrico, os secretários estaduais de energia defendem duas mudanças urgentes. Primeira, é preciso descentralizar, substituindo o monopólio federal para exame e aprovação de projetos de geração por sistema que amplie a participação decisória dos estados. Com características próprias e diferenciadas, as unidades da federação propugnam regionalização de leilões, permitindo ampliação de matrizes e redução de custos. O Rio Grande do Sul, recuperado financeira e administrativamente, com recursos próprios crescentes e matérias-primas inexistentes em outras regiões, como carvão mineral, poderá alcançar resultados importantes.
A segunda modificação trata da necessidade de extinção do monopólio da União no licenciamento de projetos hídricos, tornando mais ágeis processos para recuperar o atraso sem alterar preços médios praticados atualmente. No caso do Rio Grande do Sul, o Estado poderia ampliar as outorgas de Pequenas Centrais Hidrelétricas, as conhecidas PCHs, e revogar aquelas que estão sendo utilizadas por especuladores.
* Secretário de Estado da Infraestrutura e Logística e Presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Energia
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Maio 2010
Daniel de Oliveira Sales*
Todo bom profissional de carreira sabe que hoje em dia não basta ter apenas a formação acadêmica no currículo. Além da experiência profissional, obtida com o dia-a-dia, se faz necessário possuir conhecimentos adicionais, também denominadas “habilidades analíticas”. Tais habilidades geralmente são adquiridas em cursos de pós-graduação (Lato ou Stricto Sensu) ou em cursos técnicos, que normalmente são oferecidos em Instituições de Ensino.
Essa regra se aplica a praticamente todas as áreas de atuação: Administração, Finanças, Economia, Direito entre outras.
A Economia, por exemplo, se tornou ferramenta indispensável. A linguagem cotidiana de negócios é econômica. Como o cenário econômico afeta a todos nós, o papo econômico é tão ou mais frequente que a conversa sobre futebol. Ter uma opinião consistente sobre variáveis econômicas virou requisito de senioridade profissional. É o feijão-com-arroz para os analistas do mercado financeiro, a cereja para os executivos de empresas e é essencial também para investidores, principalmente depois que a classe média brasileira passou a investir como nunca.
Finanças é outro conhecimento que é base para todas as profissões. Nem todo mundo precisa saber precificar derivativos (ainda bem), mas o cálculo financeiro mais básico faz parte da nossa vida pessoal e profissional. Há outras aplicações de finanças que estão se tornando muito importantes, por exemplo, para os profissionais da infraestrutura, como as questões de financiamento de projetos - o project finance.
O que ocorre com muita freqüência com os profissionais modernos, é a falta de tempo para se dedicar aos estudos, associada a agitação do expediente de trabalho, ao trânsito das grandes capitais, enchentes (pois é) entre outros contra-tempos.
Para tentar sanar essa falta de tempo, e para fugir dos contra-tempos diários, as empresas vêm utilizando com uma freqüência cada vez maior os cursos corporativos, também conhecidos como Cursos In-Company. Essa é mais uma maneira para aperfeiçoamento de nossas habilidades. E os resultados são tão bons, ou até mesmo melhores do que os conteúdos de “vitrine”. O conteúdo dos cursos in-company geralmente são elaborados visando atender uma necessidade especifica da empresa ou instituição. Esse é o ponto chave, o conteúdo customizado!
Há vários anos venho gerenciando projetos de cursos in-company em diversas áreas. Em minha experiência, uma parte gratificante do trabalho que venho gerenciado vem do feedback dos participantes: seu dia-a-dia muda, e às vezes já muda no dia seguinte de uma boa aula. É pura satisfação!
*Administrador de empresas e Gerente de Projetos de Treinamento da Pezco Pesquisa e Consultoria
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Abril 2010
Kátya Desessards*
No ano de 2000 tive o primeiro contato com o conceito sobre logística. Naquela época iniciava-se no Brasil um movimento para disseminar a idéia da importância das empresas pensarem sua gestão como um sistema logístico interligando-se do fornecedor ao cliente final. Foi um ‘amor’ a primeira vista, entendi que a logística, ou o conceito do sistema logístico, poderia ser aplicado em qualquer desenho de processos internos e na estruturação do relacionamento externo das empresas. Havia em 2000 muita dúvida sobre o que era logística exatamente e qual sua real aplicação prática dentro das empresas. Muita confusão existia seu conceito. Participei do início dessa história, primeiro como repórter da Gazeta Mercantil cobrindo esta área e depois como a primeira jornalista a fazer um pós-graduação em logística empresarial, o que depois evolui para um mestrado fora do País. Vivenciei muito pseudo-especialistas falando muita bobagem e conceituados colunistas de jornais nacionais apregoando verdadeiros absurdos.
Naquele momento, a logística era uma nova onda que estava servindo de pretexto para o surgimento de inúmeras empresas e mudança de outras. Logística era o novo termo da moda, um conceito ainda nebuloso para a maioria dos empresários brasileiros. Há pouco mais de quatro anos antes, em 1996, a logística era apenas um sonho, e em 2000, sua eficácia iniciava a ser comprovada. Tive a oportunidade de entrevistar com exclusividade, para a revista Amanhã, o americano Al Benki, que na época era diretor para a América Latina da Fritz Companies (empresa que em 2003 foi comprada pela UPS Supply Chain Solutions), e ele afirmava que havia no Brasil uma distorção na interpretação do seu conceito. “A logística está sendo banalizada no Brasil”, criticou Benki na época se referindo ao surgimento de supostos operadores logísticos em todos os cantos do Brasil, cada qual com uma explicação mais sensacionalista do que seria a logística. Al Benki comentava que havia morado na Ásia por dois anos como diretor da Fritz para a região, é foi categórico: “O Brasil precisa aprender o que é logística”.
Atualmente, muita coisa mudou. O conceito de sistema logístico e de suas aplicações evoluíram e sistemas de TI surgiram para tornar a execução dos processos logísticos mais eficazes e abrangentes. O objetivo principal da logística permanece o mesmo: atuar para construir dinâmicas mais rápidas aos processos das empresas e ajudar para uma domada de decisão mais assertiva e com menor nível de risco pelos gestores.
O princípio básico da logística é: o produto certo, na hora certa, ao público certo e a um menor custo possível. A partir daí há a necessidade de que as empresas interliguem-se, ou seja, tenham uma fluência de informações, da produção à alta administração. O elo e a eficácia da logística é a informação, é ela que atua como base para que um sistema logístico funcione, pois ele abrange todos os processos de uma empresa na qual o relacionamento com os fornecedores de matéria-prima, com os prestadores de serviços e com os elos até o consumidor, são sua essência. Mas para isso funcionar é preciso um acordo entre todos estes envolvidos. E isto é logística, a estratégia de interligar seu ciclo produtivo ao seu mercado.
Nos Estados Unidos e na Comunidade Européia, o conceito de sistema logístico foi direcionado à gestão das empresas a mais de 30 anos. A logística é tão importante hoje para o desen-volvimento da economia globalizada, que pensar em comércio exterior sem o planejamento logístico é impossível. Todavia, no Brasil parece que há ainda certa dúvida quanto a relevância de se fazer este planejamento. No mercado doméstico, tão pouco o governo federal dá o devido valor estratégico. O planejamento logístico é quase um palavrão no País, pois as obras de infraestrutura que são e estão sendo realizadas são realizadas sem qualquer interligação, não há conscientização à importância de uma multimodalidade.
O Brasil continua a investir apenas no modal rodoviário. A produção nacional continua refém da falta de opções. Mesmo com o crescimento do modal ferroviário se comparado a demanda e ao tamanho do território brasileiro estes investimentos são ínfimos. A necessidade de garantir a intermodalidade para que os custos de transporte reduzam e para que seja garantido uma concorrência mais heterogenia.
Pensar a gestão da empresa dentro do conceito de Sistema Logístico vai além da simples armazenagem, distribuição e escolha do modal mais adequado, estes são apenas um dos processos dentro de todo o sistema logístico. Este é o equivoco. Logística não é apenas distribuição ou transporte. Deve estar impregnada na administração interna das empresas e deve, principalmente, ser o ponto de equilíbrio no momento da tomada de decisões. É a tão almejada redução de custos. No entanto, não se pode baixar custos sem que, para isso, se conheça quais são os verdadeiros custos envolvidos, dos fixos, variáveis até os ocultos entre os processos de produção. E é nesse ponto que a logística atua de forma mais agressiva, ou seja, ela obriga o empresário saber a fundo suas relações de custos. E isso, no Brasil, ainda não é praticado como deveria.
O mercado brasileiro continua a debutar no conceito de logística empresarial e o mercado internacional não pára e não vai esperar que o País descubra-a. A globalização da eco¬nomia mundial intensificou a utilização da logística como a sistematização de suas operações, ou seja, o pensar e agir de forma logística é o grande diferencial competitivo atualmente, não apenas nas fases finais quando a produção já está para ser distribuída, mas na escolha das melhores tecnologias a serem adotadas em toda a empresa. E o Brasil tem que se preocupar de forma mais séria para que esses equívocos conceituais não levem a logística a ser banalizada, como se fosse a solução para todos os problemas de uma empresa, com promessas milagrosas de redução de custos e soluções tão rápidas quanto o tempo. É um imperdoável erro na competição, pois lucrar em cima da falta de informação alheia é a forma mais cruel de perpetuar o atraso de um mercado.
* Consultora de marketing, comunicação, relacionamento com mercado e diagnóstico de empresas
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